No futebol, o tempo nem sempre é tudo

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Uma das verdades do futebol é que se precisa de tempo para os resultados acontecerem, que não é do dia para a noite que as coisas mudam completamente. É isso, mas isso não é tudo. Ouso dizer que quando o trabalho é bem feito, as coisas começam a dar mostras de estar no caminho certo bem antes do título. Vou dar alguns exemplos por aqui:

Tite, no ano passado, chegou de volta ao Corinthians cheio de gás novo. Com nova mentalidade e novíssimos treinos, a equipe engatou um ótimo futebol e uma série invicta de 26 jogos até cair diante do Guarany, do Paraguai. Amadureceu com a eliminação precoce na Libertadores e colheu os frutos no Campeonato Brasileiro.

Zé Ricardo, esse ano, não precisou mais do que um turno para dar uma cara ao Flamengo. Adepto de treinos modernos, da periodização tática, transformou o futebol do rubro-negro a ponto de deixá-lo em  condições de brigar pelo título. Era técnico interino e vai terminar a temporada como revelação.

Cuca assumiu o Palmeiras em março, no meio do Paulista e da Libertadores, foi eliminado dos dois, e mandou o recado para ser cobrado no Campeonato Brasileiro, que começaria dois meses depois. Em 60 dias, mudou a equipe. De 26 rodadas, ela só não esteve na liderança em nove.

Lá de fora vem o exemplo mais claro. Em 45 dias, Pep Guardiola alterou a forma de jogar do Manchester City.  O espanhol assumiu com o desafio de provar que era possível se vencer no futebol inglês jogando o futebol que ele gosta. Já enfileirou 4 vitórias seguidas na Premier League, sendo uma no maior rival, o United, na casa do adversário.

A conclusão que chego é que onde se trabalha certo, o resultado aparece. Se o técnico tem uma convicção no que faz, com métodos e conceitos modernos, o time minimamente equilibrado responde bem. O tempo só melhora, mas quem é competente não precisa de muitos dias, vários jogos, para ver o rendimento crescer.

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Isso se chama trabalho

Mais uma rodada em que líder e vice-líder ganham e se garantem na luta pelo título. Cada um a seu modo. Somando pontos, jogando bem e aproveitando as circunstâncias que aparecem. Tudo devidamente pensado, treinado, trabalhado.

O Palmeiras de Cuca é cirúrgico quando tem que ser. Joga aproximado, com volume de jogo, chegando na área adversária com muita movimentação. Foi assim que rapidamente saiu na frente do clássico em Itaquera. A entrada de Moisés na área deu a ele a chance de forçar o erro da zaga e de ele aproveitar para fazer o gol. A partir daí, era se fechar, jogar no erro do pressionado adversário que as chances viriam. O time tem qualidade técnica para dosar as energias.

Não concordo com a pecha que tentam colocar de Cucabol, como se o Palmeiras só soubesse jogar de um modo. Que modo? Aquele que busca Gabriel Jesus a ponto de estar entre os artilheiros? Só se for por baixo, com bolas infiltradas e de velocidade, pois sabemos que a cabeçada não é lá o forte dele. A arma aérea é com a zaga. Mina, Vítor Hugo, Dracena. Ora pois, gol de cabeça vale menos?  Trata-se de um time que sabe o que fazer com a bola. Tem um repertório de jogadas para o momento e para a dificuldade do jogo.

O Flamengo sofreu mais com a ansiedade do que uma possível boa técnica do Figueirense. Nota-se, claramente, o pensamento de Zé Ricardo no comando. Contra um adversário fechado, com 6 homens no meio-campo, ele avançou os laterais para ganhar amplitude, obrigando o adversário a se esparramar atrás para marcar. Assim, seus homens de meio e principalmente os zagueiros puderam ter condições de enfiar as bolas pelo miolo bagunçando a marcação catarinense. O rubro-negro fez 2 a 0 e poderia ter goleado não fossem alguns erros de finalização.

São duas equipes que tem a cara de seus treinadorores. A de Cuca, um pouco mais aguerrida. A do Zé, ligeiramente mais técnica. As duas são muito boas, eficientes e que dão aos torcedores a alegria de ver os resultados surgindo. Merecem estar onde estão.