A hipocrisia no mundo do futebol

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O técnico Guto Ferreira trocou o Bahia pelo Internacional no começo da tarde de hoje. Na verdade, o acordo do treinador com o novo clube acontecera na segunda-feira de manhã. Restou apenas um acordo entre os dois clubes para o anúncio ser feito, o que acabou se dando apenas nessa manhã. Mas a notícia despertou variados sentimentos entre três torcidas e quero abordar isso aqui.

A decisão de Guto nada mais foi do que um “dejà vu”. Sabe aquela sensação de estar vivendo o que já viveu? Pois bem, no ano passado, Guto realizava um bom trabalho à frente da Chapecoense na primeira divisão e optou por deixar Santa Catarina e tentar a sorte no Bahia que disputava a segundona e buscava o acesso . Lembro-me de suas palavras ao telefone: “troquei porque o Bahia está na serei B, mas é time de A. Temos tudo para subir.” E assim foi. A equipe voltou para a elite e ganhou na semana passada a Copa do Nordeste.

Agora, ele refaz o caminho. Vai pegar o Internacional no momento de maior crise da história do time gaúcho, tricampeão brasileiro, bi da Libertadores e campeão Mundial. Títulos que deixam claro o tamanho da grandeza do lado vermelho de Porto Alegre. Se vai dar certo, não sabemos. Se não deveria trocar de clube e largar mais um trabalho pelo meio, é uma decisão pessoal. O que não dá é para ficar lamentando que o Bahia deveria ter sido procurado antes de o acerto entre o Inter e Guto acontecer.

Passou do tempo de pararmos com essa hipocrisia. Nenhuma empresa procura outra antes de contratar alguém e desconheço que algum clube aja dessa forma. Alguma sinalização positiva ele tem que receber antes de se mover. O Bahia acertou com Guto antes de falar com a Chape, agora levou o troco, e assim vai acontecer sempre.

No ano passado, o presidente do Corinthians reclamou de a CBF, não tê-lo procurado antes de acertar com Tite. Na semana passada, foi a confederação argentina que contratou com Sampaoli e só depois foi conversar com o Sevilha, na Espanha. É assim que a banda toca. É assim que é. É assim que sempre será.

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Tite não era primeira opção em 2010

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O tempo sempre serve para apagar algumas lembranças. Ainda mais quando se preenche esse espaço com conquistas. Muitas. O vitorioso Tite, aquele que virou lenda dentro do Corinthians, que hoje aparece como “o cara” que vai levar a Seleção de volta ao topo, poderia ter tido outra vida caso Carlos Alberto Parreira tivesse concordado em voltar a ser técnico de futebol em 2010.

O campeão do Tetra foi o primeiro nome sondado por Andrés Sanchez logo após a demissão de Adílson Batista no Corinthians, lembram-se? Mas Parreira optou por seguir carreira como coordenador, cansado do dia-a-dia dos treinos em clubes e seleções. Tite estava no futebol árabe e depois de sair do Corinthians em 2005, andou por Atlético Mineiro, com participação na campanha ruim que derrubou para a Segunda Divisão, depois, Palmeiras, e só teve um bom trabalho no Internacional, entre 2008 e 2009. Mas era um nome que ainda trazia desconfiança no pacote.

A mesma que hoje se tem com a chegada de Oswaldo de Oliveira. Com passagens razoáveis, mas interrompidas recentemente, ele ganhou um brinde. Dirigia um time que luta para não cair e seu trabalho agora será em um clube que busca vaga na Libertadores. Uma escolha questionável, sem dúvida. Porém, por mais que a decisão não tenha sido democrática, pois valeu apenas a opinião do presidente do clube, a verdade é que só o tempo poderá dizer se o novo técnico vai ou não melhorar o futebol da equipe.

No futebol, o tempo nem sempre é tudo

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Uma das verdades do futebol é que se precisa de tempo para os resultados acontecerem, que não é do dia para a noite que as coisas mudam completamente. É isso, mas isso não é tudo. Ouso dizer que quando o trabalho é bem feito, as coisas começam a dar mostras de estar no caminho certo bem antes do título. Vou dar alguns exemplos por aqui:

Tite, no ano passado, chegou de volta ao Corinthians cheio de gás novo. Com nova mentalidade e novíssimos treinos, a equipe engatou um ótimo futebol e uma série invicta de 26 jogos até cair diante do Guarany, do Paraguai. Amadureceu com a eliminação precoce na Libertadores e colheu os frutos no Campeonato Brasileiro.

Zé Ricardo, esse ano, não precisou mais do que um turno para dar uma cara ao Flamengo. Adepto de treinos modernos, da periodização tática, transformou o futebol do rubro-negro a ponto de deixá-lo em  condições de brigar pelo título. Era técnico interino e vai terminar a temporada como revelação.

Cuca assumiu o Palmeiras em março, no meio do Paulista e da Libertadores, foi eliminado dos dois, e mandou o recado para ser cobrado no Campeonato Brasileiro, que começaria dois meses depois. Em 60 dias, mudou a equipe. De 26 rodadas, ela só não esteve na liderança em nove.

Lá de fora vem o exemplo mais claro. Em 45 dias, Pep Guardiola alterou a forma de jogar do Manchester City.  O espanhol assumiu com o desafio de provar que era possível se vencer no futebol inglês jogando o futebol que ele gosta. Já enfileirou 4 vitórias seguidas na Premier League, sendo uma no maior rival, o United, na casa do adversário.

A conclusão que chego é que onde se trabalha certo, o resultado aparece. Se o técnico tem uma convicção no que faz, com métodos e conceitos modernos, o time minimamente equilibrado responde bem. O tempo só melhora, mas quem é competente não precisa de muitos dias, vários jogos, para ver o rendimento crescer.

Tite usa internet pra treinar a Seleção

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Na ótima entrevista dada por Cléber Xavier ao jornalista Renato Rodrigues, da ESPN, o que mais me chamou a atenção foi a forma como a Comissão Técnica da Seleção Brasileira já trabalha junto aos jogadores convocados. A partir do momento em que a lista foi divulgada, na segunda-feira, todos os atletas chamados passaram a receber informações sobre como Tite quer vê-los jogando na semana que vem durante as Eliminatórias da Copa..

Disse o auxiliar-técnico da Seleção que cada um dos convocados recebeu um material de vídeo com as ideias do treinador, “com exemplos, situações vividas pela seleção, pelos próprios jogadores em seus clubes ou algo que a gente fez no Corinthians, para mostrar como as coisas eram feitas”.

Se entendi bem, o objetivo é adiantar o processo de integração do grupo ao modelo de jogo que a nova comissão técnica do Brasil pretende introduzir. Seja ele, o 4-1-4-1 ou 4-4-2. Os jogadores se apresentam no Equador, segunda-feira, e jogam na quinta-feira. Com o pouco tempo para treinos, o jeito foi ilustrar, com vídeos, as movimentações que Tite deseja ver em campo. Assim, por exemplo, Taison, mesmo na longínqua Donetsk, poderá saber o que deverá fazer em campo ou como a seleção pretende atuar a partir de agora.

Até mesmo os treinos que serão aplicados foram adiantados aos convocados para que eles analisem. Tite já havia se mostrado, na coletiva de segunda-feira passada, muito preocupado com o pouco tempo que terá para trabalhar com o grupo, por isso, apostou em chamar atletas para realizar funções que já cumprem em suas equipes. Isso, segundo ele, praticamente eliminaria a dificuldade que cada um poderia ter para realizar sua função em campo.

 

E aí, gostou da lista do Tite?

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A primeira convocação de Tite na Seleção Brasileira me surpreendeu mais negativamente do que qualquer outra coisa. Ela tem ao menos nove jogadores que eu não convocaria. Claro, penso com a minha cabeça e ainda não estou tentando pensar com as escolhas do treinador.
Para o gol não levaria Alisson, Grohe ou Weverton. Não entendo a razão do esquecimento em relação a Victor, especialmente porque Tite disse que chamou pelo momento e nesta comparação, nenhum dos três, na minha opinião, está melhor do que o goleiro do Atlético Mineiro.
Nas laterais, acho um erro insistir em Filipe Luis, que nunca conseguiu render na Seleção o que joga no Atlético de Madrid. Levaria Douglas Santos, mas não estamos falando em uma posição que temos tanta opção. A favor, a convocação de Marcelo, titular e disparado o melhor.
Na zaga, Rodrigo Caio ainda não me convenceu e Geromel está sobrando na defesa do Grêmio. Quanto a Miranda, só o levaria por não poder chamar Tiago Silva, por contusão. No meio-campo, um grande avanço. Não foram convocados volantes que não sabem jogar futebol. A escolha foi para ter saída de bola com qualidade. Rafael Carioca merecia uma vaga há tempos. Porém, chamar Paulinho e justificar com o passado é se contradizer. Repito, Tite insistiu na tese de que levará quem estiver melhor e o ex-corintiano há três anos não parece estar voando. Giuliano recebia muitas críticas da torcida gremista e William não me parece ser um nome intocável para voltar a ser chamado.
Acho que Luan, do Grêmio, merecia ter sido chamado e sinto falta de um centroavante mais de área como Ricardo Oliveira, ao menos como opção no banco. Parece claro que o treinador quer um time leve e deixou claro que Gabriel e o xará da família Jesus serão nomes que podem jogar centralizados. Mas, Tite, levar o Taíson?

A LISTA DE TITE

GOLEIROS – Alisson (Roma), Marcelo Grohe (Grêmio) e Weverton (Atlético-PR)

LATERAIS – Daniel Alves (Juventus), Fagner (Corinthians), Filipe Luis (Atlético de Madrid) e Marcelo (Real Madrid)

ZAGUEIROS – Gil (Shandong Luneng-CHI), Marquinhos (PSG), Miranda (Inter de Milão) e Rodrigo Caio (São Paulo)

VOLANTES – Casemiro (Real Madrid), Paulinho (Guangzhou Evergrande-CHI), Rafael Carioca (Atlético-MG) e Renato Augusto (Beijing Guoan-CHI)

MEIAS – Giuliano (Zenit), Lucas Lima (Santos), Philippe Coutinho (Liverpool) e Willian (Chelsea)

ATACANTES – Gabriel (Santos), Gabriel Jesus (Palmeiras), Neymar (Barcelona) e Taison (Shakhtar Donetsk)

Se eu fosse Tite, chamaria….

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Já que o Tite decidiu com a CBF adiar para semana que vem, o anúncio da convocação para os dois jogos das Eliminatórias, em setembro, resolvi tentar uma por aqui. O técnico tem visto muitos jogos do Campeonato Brasileiro e sabe que a temporada européia está apenas começando, por isso podemos imaginar que levará, ao menos, metade daqui e a outra do exterior.

Também imaginei, dentro dos nomes que eu convocaria, o esquema 4-2-3-1, para poder aproveitar Neymar pela esquerda na penúltima linha, com mobilidade junto a Philipe Coutinho e Marcelo. Chamaria Renato Augusto como segundo volante. Lembrei ainda que Tite gosta de um homem de referência e apostaria na convocação de Ricardo Oliveira, menos pelo momento e mais pelo conjunto da obra e por estar voltando a fazer  gols.

O Santos e Atlético Mineiro seriam os times brasileiros que mais cederiam jogadores (3 cada), seguidos pelo Grêmio e Palmeiras (2 cada). Enfim, cornetem à vontade.

GOLEIROS – Victor (Atlético Mineiro), Diego (Valência – Espanha)
LATERAIS – Dani Alves (Juventus – Itália), Fagner (Corinthians), Marcelo (Real Madrid), Douglas Santos (Atlético Mineiro)
ZAGUEIROS – Tiago Silva (PSG – França), Marquinhos (PSG – França), Geromel (Grêmio) e Gil (Shandong – China)
VOLANTES – Casemiro (Real Madrid – Espanha), Rafael Carioca (Atlético Mineiro), Moisés (Palmeiras), Renato Augusto ( Beijing Guoan – China)
MEIAS – Philipe Coutinho (Liverpool – Inglaterra), Lucas Lima (Santos), Luan (Grêmio)
ATACANTES – Neymar (Barcelona), Gabriel (Santos), Gabriel Jesus (Palmeiras), Douglas Costa (Bayern – Alemanha), Ricardo Oliveira (Santos)

Time-base: Victor; Dani Alves, Tiago Silva, Geromel e Marcelo; Casemiro e Renato Augusto; Gabriel, Phillipe Coutinho e Neymar; Ricardo Oliveira.

Tite é melhor do que muito europeu

 

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A relação dos melhores treinadores do Mundo não foi solta em sua totalidade, mas já se sabe que o treinador da Seleção Brasileira está em 41º lugar, de 50 elencados. A eleição foi feita pela revista inglesa 4-4-2 e tem sido divulgada em doses homeopáticas. A própria publicação admite que os leitores não irão concordar e se defende dizendo que foram consultados analistas de todo o mundo para chegar até a lista final.

Não sei quem do Brasil foi consultado, mas olhando os números divulgados até aqui, não dá para concordar com várias posições. Por exemplo, Manuel Pellegrini é o 42º mesmo tendo conquistado 4 títulos nacionais (equatoriano, 2 argentinos e 1 inglês). Levou o Málaga, da Espanha, às quartas de final da Champions League em 2011. Tite tem 2 títulos brasileiros, uma Copa do Brasil, uma Sul-americana, uma Libertadores e o Mundial, só para ficar nos grandes.

Não entrarei no mérito dos grandes treinadores na Europa. Mourinho, Guardiola, Ancelloti, Wenger (este aparece em 22º), Klopp e outros que dirigem grandes clubes da Europa. Acho que estão mesmo acima dos dois. Mas esses não são os problemas da tal lista da revista mesmo faltando divulgar os 20 primeiros.

O nome que vem à frente é do croata Slaven Bilic. Ele assumiu o West Ham, da Inglaterra, e o levou ao 7º lugar na Premier League, além de assegurar uma vaga na Liga Europa pela primeira vez. Um feito e tanto diante de equipes maiores como Liverpool e Chelsea, que ficaram para trás. Ex-jogador da seleção da Croácia, foi técnico da sua seleção e tem no currículo uma classificação à Eurocopa de 2008 eliminando a Inglaterra, além de levar o Besiktas a excelentes vitórias sobre o Tottenham e o Liverpool em competições europeias. Troféu, um, mas segundo os “eleitores”, ele é um gênio quando o assunto é tática. Aí, mudamos de patamar a conversa. Passamos a tratar de assuntos subjetivos. O que é ser um técnico genial não está ainda explicado. Mas, ok, Bilic pode estar acima dos dois.

Alguém aí pode me explicar o Sergei Rebrov estar em 34º? O ucraniano é ídolo em seu país e dirige o Dínamo, de Kiev, mas, aos 42 anos, além de ameaçar eliminar o City, o que mais poderia colocá-lo à frente de Tite? O brasileiro ganhou uma Libertadores impecável, sem derrotas, eliminando Vasco, Santos de Neymar e Ganso, e o Boca Júniors na final. Invicto. Dois trabalhos no Corinthians que o levaram até a seleção brasileira. Sem falar no Mundial diante do Chelsea, mas aí alguém pode lembrar que o Internacional, do Abel Braga, bateu o Barcelona de Rijkaard, então, também estaria à frente dos demais. Não sei se é para tanto.

Edgardo Bauza  em 15º é plausível. Tem duas Libertadores e isso é para poucos. Acho que assim como Tite, Pellegrini e Wenger, estão entre os 20 melhores. À frente do holândes Cocu, por exemplo, que dirige o PSV Eidhoven e aparece na 12ª posição. O colégio eleitoral da revista olhou, como sempre, o próprio umbigo e deu migalhas a quem não pertence ao mundo deles.