A hipocrisia no mundo do futebol

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O técnico Guto Ferreira trocou o Bahia pelo Internacional no começo da tarde de hoje. Na verdade, o acordo do treinador com o novo clube acontecera na segunda-feira de manhã. Restou apenas um acordo entre os dois clubes para o anúncio ser feito, o que acabou se dando apenas nessa manhã. Mas a notícia despertou variados sentimentos entre três torcidas e quero abordar isso aqui.

A decisão de Guto nada mais foi do que um “dejà vu”. Sabe aquela sensação de estar vivendo o que já viveu? Pois bem, no ano passado, Guto realizava um bom trabalho à frente da Chapecoense na primeira divisão e optou por deixar Santa Catarina e tentar a sorte no Bahia que disputava a segundona e buscava o acesso . Lembro-me de suas palavras ao telefone: “troquei porque o Bahia está na serei B, mas é time de A. Temos tudo para subir.” E assim foi. A equipe voltou para a elite e ganhou na semana passada a Copa do Nordeste.

Agora, ele refaz o caminho. Vai pegar o Internacional no momento de maior crise da história do time gaúcho, tricampeão brasileiro, bi da Libertadores e campeão Mundial. Títulos que deixam claro o tamanho da grandeza do lado vermelho de Porto Alegre. Se vai dar certo, não sabemos. Se não deveria trocar de clube e largar mais um trabalho pelo meio, é uma decisão pessoal. O que não dá é para ficar lamentando que o Bahia deveria ter sido procurado antes de o acerto entre o Inter e Guto acontecer.

Passou do tempo de pararmos com essa hipocrisia. Nenhuma empresa procura outra antes de contratar alguém e desconheço que algum clube aja dessa forma. Alguma sinalização positiva ele tem que receber antes de se mover. O Bahia acertou com Guto antes de falar com a Chape, agora levou o troco, e assim vai acontecer sempre.

No ano passado, o presidente do Corinthians reclamou de a CBF, não tê-lo procurado antes de acertar com Tite. Na semana passada, foi a confederação argentina que contratou com Sampaoli e só depois foi conversar com o Sevilha, na Espanha. É assim que a banda toca. É assim que é. É assim que sempre será.

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Ganso é mais um falso brilhante?

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Paulo Henrique Ganso sequer foi relacionado para disputar as oitavas de final da Champions pelo Sevilha. O jogo contra o Leicester, amanhã, será o sétimo seguido em que ele nem vai para o banco de reservas. O técnico Jorge Sampaoli disse na coletiva de hoje que “quando ele decidir e estiver nos contagiando sobre o que pode dar e o que a equipe necessita, será impossível não ver Ganso entre os relacionados”.

O afastamento de Ganso vem se perpetuando desde 12 de janeiro. Claramente ele não rende o que o treinador esperava, muito menos a Imprensa. De lá e, especialmente, de cá. Sempre foi visto como um futuro craque que nunca conseguiu ter uma temporada regular em seis anos de profissionalismo. Viveu de belíssimos lampejos que davam aos jornalistas e treinadores a impressão de que se firmaria como grande meia.

Paulo Henrique sempre viveu a ilusão de jogar na elite do futebol da Europa. Por isso, brigou no Santos e depois deixou o São Paulo. Quando veio o convite do Sevilha, voou sem pensar. E aparentemente, trabalhar com Sampaoli parecia mesmo ser uma ótima opção para finalmente decolar na profissão e se impor como nome certo na Seleção. Não funcionou.

Isso me levou a pensar no comentário de Seedorf, ainda jogador do Botafogo, quando surpreendeu a todos no “Bem, amigos”, dizendo que Ganso, embora fosse tecnicamente muito bom jogador, não jogaria na Europa. “Ele é um jogador com um talento diferente, mas precisa ser mais intenso nas jogadas. O Ganso para a bola, joga, para a bola. Assim vai ser complicado”, afirmou na ocasião.

O tempo mostrou que ele estava certo. E isso vale de alerta para quem ainda avalia nossos jogadores pelo nível do futebol brasileiro. Jogar aqui é uma coisa, nos cinco maiores campeonatos europeus é outra. E se queremos melhorar o futebol nacional, devemos também melhorar nossos conceitos, avaliações e parâmetros.