Se eu fosse Tite, chamaria….

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Já que o Tite decidiu com a CBF adiar para semana que vem, o anúncio da convocação para os dois jogos das Eliminatórias, em setembro, resolvi tentar uma por aqui. O técnico tem visto muitos jogos do Campeonato Brasileiro e sabe que a temporada européia está apenas começando, por isso podemos imaginar que levará, ao menos, metade daqui e a outra do exterior.

Também imaginei, dentro dos nomes que eu convocaria, o esquema 4-2-3-1, para poder aproveitar Neymar pela esquerda na penúltima linha, com mobilidade junto a Philipe Coutinho e Marcelo. Chamaria Renato Augusto como segundo volante. Lembrei ainda que Tite gosta de um homem de referência e apostaria na convocação de Ricardo Oliveira, menos pelo momento e mais pelo conjunto da obra e por estar voltando a fazer  gols.

O Santos e Atlético Mineiro seriam os times brasileiros que mais cederiam jogadores (3 cada), seguidos pelo Grêmio e Palmeiras (2 cada). Enfim, cornetem à vontade.

GOLEIROS – Victor (Atlético Mineiro), Diego (Valência – Espanha)
LATERAIS – Dani Alves (Juventus – Itália), Fagner (Corinthians), Marcelo (Real Madrid), Douglas Santos (Atlético Mineiro)
ZAGUEIROS – Tiago Silva (PSG – França), Marquinhos (PSG – França), Geromel (Grêmio) e Gil (Shandong – China)
VOLANTES – Casemiro (Real Madrid – Espanha), Rafael Carioca (Atlético Mineiro), Moisés (Palmeiras), Renato Augusto ( Beijing Guoan – China)
MEIAS – Philipe Coutinho (Liverpool – Inglaterra), Lucas Lima (Santos), Luan (Grêmio)
ATACANTES – Neymar (Barcelona), Gabriel (Santos), Gabriel Jesus (Palmeiras), Douglas Costa (Bayern – Alemanha), Ricardo Oliveira (Santos)

Time-base: Victor; Dani Alves, Tiago Silva, Geromel e Marcelo; Casemiro e Renato Augusto; Gabriel, Phillipe Coutinho e Neymar; Ricardo Oliveira.

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O que melhorou no Brasil de Neymar

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A Seleção Olímpica desembarca em São Paulo com uma bagagem bem mais leve do que aquela que carregava até Salvador. A goleada diante da Dinamarca não só serviu para classificar a equipe como para diminuir a ansiedade do grupo, que além da pressão externa, sentia a interna, aquela que nós mesmos nos fazemos quando sabemos que não estamos rendendo como estamos acostumados.

A postura em campo foi o maior avanço, na minha opinião. O Brasil saiu pressionando, se impondo diante de um adversário tão fraco quanto os demais. A entrada de Luan na vaga de Felipe Ânderson ajudou muito nas triangulações e movimentações de Neymar e Gabriel Jesus. Wallace e Renato Augusto jogaram mais próximos  do quarteto, dando sustentação, apoio a eles e aos laterais, que subiram mais. A equipe foi mais compacta, invadiu as linhas dinamarquesas sem dar espaço para os contragolpes.

A partir do primeiro gol, o jogo fluiu mas até lá ainda se podia ver os rostos franzidos, as reclamações ao céu a cada erro de finalização. É preciso que a garotada consiga encontrar o equilíbrio emocional para o lado tático e, principalmente o técnico, aparecer. Contra a Colômbia será um ótimo teste, talvez o definitivo. Apesar de ter se classificado na repescagem pré-olímpica, o time colombiano tem bons reforços para os Jogos.

O atual campeão da Libertadores, o Nacional de Medellin cedeu o jovem Borja, que brilhou na reta final da competição sul-americana e é reserva na seleção, o goleiro Bonilla, o lateral Aguilar e o meia Perez, que eram reservas. O atacante Téo Gutiérrez, do Sporting, é um dos três com idade acima de 23 anos, como Pabón, que teve uma passagem sem sucesso no São Paulo, e do zagueiro Tesillo, do Independiente Santa Fé. Definitivamente, não será uma parada fácil para nenhum dos lados.

 

Micale quer mudar o futebol, mas trabalha para Marco Polo

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Acho natural a posição de Rogério Micale em defender seus jogadores e em especial o principal nome. Concordo com a opinião de que o brasileiro procura sempre um culpado numa tentativa de explicar o insucesso e que isso deixa a discussão rasa e longe de “realmente entender o que está acontecendo no futebol” do nosso país. Mas me pergunto – e o técnico não explicou – o que Iraque e África do Sul tiveram de diferente para terem empatado com o Brasil.

A mim, pouco importam as férias de Neymar, se foi ao jogo do Brasil, se tirou self com Hamilton, Justin Bieber, Donald Trump ou no túmulo de JFK. Me incomoda sua convocação logo após as férias. Acho um erro pois é natural que leve um tempo para ganhar ritmo de jogo. Será cobrado por algo que talvez não possa entregar.

Também não quero saber quem é o capitão, não é isso que fará a Seleção jogar melhor. Insisto em ouvir uma resposta para o Brasil não ganhar de seleções tão fracas, mesmo tendo um time melhor. Será que os dois adversários foram taticamente melhores que a Seleção? A Argentina cobra de Messi, títulos. O Brasil não pode porque sequer às finais Neymar e cia tem chegado.

Se Micale quer ajudar a mudar o futebol brasileiro, o primeiro passo seria não trabalhar com uma presidência da CBF que se esconde do mundo. Quando se diz “sim” a essa estrutura, por melhor que sejam suas intenções, nada colabora para a mudança. Combater a atual administração do nosso principal esporte seria o primeiro passo.

 

Hora de escalar a “determinação”

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A seleção olímpica masculina de futebol é a maior decepção desses primeiros dias dos Jogos no Rio de Janeiro. Cada torcedor, seja ele jornalista ou não, tem sua explicação para o time não ter feito um golzinho sequer na África do Sul ou, pior, no Iraque. Análises táticas daqui, comportamentais dali, e não há consenso a não ser que o que se viu é muito pouco.

Sou torcedor, sou jornalista e vou dar o meu pitaco aqui: não existe um culpado, mas todos. O técnico Rogério Micale erra na escalação de Zeca pela direita. O lateral do Santos é destro mas está acostumado a jogar pela esquerda e ali poderia fazer uma boa dupla com Neymar, o que não acontece com o Douglas Santos. Nos dois jogos, a Seleção não teve saída pelas laterais, com aproximações muito tímidas entre os jogadores.

A opção de jogar com três atacantes exige um meio-campo  de mobilidade e que atue mais próximos de Gabriel Jesus, Gabigol e Neymar. Renato Augusto está lento e previsível e Felipe Ânderson, apagado. Não tem transição ofensiva. Todos longe. Acho que está estourando na frente, uma conta que não é apenas do trio de ataque. Está na hora de o grupo se apresentar para o jogo, auxiliar, dar apoio – não com palavras – com ações dentro de campo.

A maior mudança que se espera do Brasil é de atitude. Essa palavra está surrada com o passar do tempo, mas isso é o que se viu no Iraque e na África do Sul e não vimos na Seleção. Será a determinação o melhor remédio para ganhar da Dinamarca. Esse “elemento” parece não ter sido escalado ainda. A Argentina, por exemplo, foi convocada e montada a menos de um mês da Olimpíada e, mesmo sem jogar bem, venceu na raça a Argélia. Os adversários não são melhores. O time brasileiro não é pior do que nenhum outro. É preciso que se tenha vontade, que se queira ganhar, focar, concentrar e trabalhar o coletivo. Só dessa forma o individual irá se sobressair. Dar entrevista ou não, ao fim do jogo, é o que menos me interessa. Quero ver ambição em campo e não enfado como se já tivéssemos conquistado tudo e que se apresentar para a torcida brasileira fosse algo muito chato.

Tite é melhor do que muito europeu

 

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A relação dos melhores treinadores do Mundo não foi solta em sua totalidade, mas já se sabe que o treinador da Seleção Brasileira está em 41º lugar, de 50 elencados. A eleição foi feita pela revista inglesa 4-4-2 e tem sido divulgada em doses homeopáticas. A própria publicação admite que os leitores não irão concordar e se defende dizendo que foram consultados analistas de todo o mundo para chegar até a lista final.

Não sei quem do Brasil foi consultado, mas olhando os números divulgados até aqui, não dá para concordar com várias posições. Por exemplo, Manuel Pellegrini é o 42º mesmo tendo conquistado 4 títulos nacionais (equatoriano, 2 argentinos e 1 inglês). Levou o Málaga, da Espanha, às quartas de final da Champions League em 2011. Tite tem 2 títulos brasileiros, uma Copa do Brasil, uma Sul-americana, uma Libertadores e o Mundial, só para ficar nos grandes.

Não entrarei no mérito dos grandes treinadores na Europa. Mourinho, Guardiola, Ancelloti, Wenger (este aparece em 22º), Klopp e outros que dirigem grandes clubes da Europa. Acho que estão mesmo acima dos dois. Mas esses não são os problemas da tal lista da revista mesmo faltando divulgar os 20 primeiros.

O nome que vem à frente é do croata Slaven Bilic. Ele assumiu o West Ham, da Inglaterra, e o levou ao 7º lugar na Premier League, além de assegurar uma vaga na Liga Europa pela primeira vez. Um feito e tanto diante de equipes maiores como Liverpool e Chelsea, que ficaram para trás. Ex-jogador da seleção da Croácia, foi técnico da sua seleção e tem no currículo uma classificação à Eurocopa de 2008 eliminando a Inglaterra, além de levar o Besiktas a excelentes vitórias sobre o Tottenham e o Liverpool em competições europeias. Troféu, um, mas segundo os “eleitores”, ele é um gênio quando o assunto é tática. Aí, mudamos de patamar a conversa. Passamos a tratar de assuntos subjetivos. O que é ser um técnico genial não está ainda explicado. Mas, ok, Bilic pode estar acima dos dois.

Alguém aí pode me explicar o Sergei Rebrov estar em 34º? O ucraniano é ídolo em seu país e dirige o Dínamo, de Kiev, mas, aos 42 anos, além de ameaçar eliminar o City, o que mais poderia colocá-lo à frente de Tite? O brasileiro ganhou uma Libertadores impecável, sem derrotas, eliminando Vasco, Santos de Neymar e Ganso, e o Boca Júniors na final. Invicto. Dois trabalhos no Corinthians que o levaram até a seleção brasileira. Sem falar no Mundial diante do Chelsea, mas aí alguém pode lembrar que o Internacional, do Abel Braga, bateu o Barcelona de Rijkaard, então, também estaria à frente dos demais. Não sei se é para tanto.

Edgardo Bauza  em 15º é plausível. Tem duas Libertadores e isso é para poucos. Acho que assim como Tite, Pellegrini e Wenger, estão entre os 20 melhores. À frente do holândes Cocu, por exemplo, que dirige o PSV Eidhoven e aparece na 12ª posição. O colégio eleitoral da revista olhou, como sempre, o próprio umbigo e deu migalhas a quem não pertence ao mundo deles.

Por favor, defina “representação política”

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Já há algum tempo, eu tenho escutado que o Brasil está acéfalo na Confederação Sul-americana de Futebol. Quase sempre a frase surge após uma eliminação de um clube brasileiro ou da nossa seleção em algum torneio do continente. Escutei de ex-jogadores como Ronaldo Fenômeno, e ultimamente na voz de jornalistas. Gostaria de entender o que os meus amigos da Imprensa estão sugerindo.

Realmente, a Seleção Brasileira foi eliminada da Copa América Centenária ao perder com um gol de mão do peruano. Também não se pode negar que a arbitragem andou mal na Libertadores. Mas o que estamos querendo? O que se entende por “representação política”? Se for para evitar erros da arbitragem, então, estamos admitindo que existe trabalho de bastidor. Estamos levando em conta o que Julio Grondona, na época presidente da Associação Argentina de Futebol, disse por telefone a um dirigente: que havia escalado Carlos Amarilla para apitar a partida do Boca Júniors contra o Corinthians em 2013.

Porque se estão sugerindo isso, seria bom que investigassem, que fossem atrás, fizessem o seu papel. Se os dirigentes dos clubes brasileiros concordam com a tese, deveriam tomar uma posição contrária ao comando da Conmebol. Normalmente, nossos presidentes tratam apenas de vociferar após os maus resultados.

É verdade que Marco Polo del Nero não representa o Brasil há um ano, que a CBF quase sempre manda outra pessoa para uma reunião na Fifa ou na sede da entidade sul-americana. Porém isso não pode esconder os fracassos dentro de campo. Não podemos esquecer que o Brasil só fez gol no Haiti durante a fase de grupos nos Estados Unidos. Que o chefe da comissão de arbitragem daquela competição era o brasileiro Wilson Seneme. Não se pode esquecer que o Atlético  Nacional é o melhor time da Libertadores e foi melhor nos dois jogos. E que erros da arbitragem aconteceram em todas as fases e com todos os times. Ou não houve um pênalti de Hudson ao segurar a camisa de Leonardo Silva, contra o Atlético Mineiro, na fase anterior? Como bem disse o jornalista inglês Tim Vickery,  “o futebol brasileiro ainda está fugindo da realidade, se escondendo atrás de chamado ‘momentos polêmicos.'”

My way!

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Ainda me lembro como se fosse hoje. Dezessete de julho de 1994. Los Angeles. De repente surge aquele uniforme muito “cheguei” nas cores brasileiras. Lá vinha Carlos Alberto Parreira trazendo o sorriso de quem acabara de ganhar o mundo. A imprensa toda reunida no espaço chamado de zona mista no Rose Bowl. Ele, separado de nós por uma grade, cercado por câmeras fotográficas, tinha à disposição microfones do mundo inteiro. Pôde agradecer as felicitações dos que sempre acreditaram na Seleção e teve que explicar aos incrédulos críticos como venceu a Copa dos Estados Unidos.
Parreira sorria irônica e educadamente. Parecia querer explodir por dentro, esnobar aqueles que apostaram na derrota desde o início, mas se conteve e soltou uma frase que eu jamais esqueceria: “Nós ganhamos. Nós ganhamos”, repetiu, “mas como Frank Sinatra diz, foi do meu jeito.” Em uma resposta estava a síntese de todo o seu trabalho. Fez o Brasil jogar da forma que ele sabia fazer um time jogar e de um modo que pudesse ser campeão e recuperar o prestígio de quem não vencia um Mundial havia 24 anos. O “nós” não era o uso de quem se considera um personagem, ele realmente queria incluir todos e qualquer brasileiro exatamente para enfatizar o mais importante: a vitória veio pelos métodos dele.

Se eu fosse fazer uma sugestão ao novo técnico da Seleção diria a ele que faça igual a Parreira, que Tite acredite em seus fundamentos, que não se desvie de sua capacidade e experiência adquiridas em mais de 30 anos de futebol. Quer um Brasil que faça triangulações, de ultrapassagens pelas laterais, de compactação ao perder a bola, de combate no setor em que perdê-la, invista nisso. Acho que não resta dúvida que houve um progresso na troca de técnico na CBF. Poucos evoluíram tanto como ele nos últimos anos no país. Mudou de esquema, de modelo de jogo e com todos foi vencedor. Se vai dar certo, se o Brasil será campeão, se vai chegar a algum lugar, só o tempo vai nos dizer. Porém, optar pelo caminho conhecido será o primeiro passo para a vitória.