Com vocês, o caótico futebol argentino

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Existe um ditado que diz: a casa do vizinho sempre parece melhor do que a sua. Pois bem, se você acha que o futebol brasileiro está ruim, deveria olhar com atenção para o país mais ao sul. A situação da Argentina é, no mínimo, tão ruim quanto a nossa.

Sem ganhar um título internacional há 23 anos, os argentinos convivem com uma intervenção na Associação de Futebol, uma bagunça diretiva que levou o técnico Tata Martino a pedir demissão do cargo largando a seleção poucas semanas antes dos Jogos Olímpicos. Ele não sabia com quem contaria para levar ao Rio. Os clubes locais e estrangeiros se negavam a ceder os melhores jogadores. Foi chamado às pressas Olarticoechea, que dirigia interinamente a sub-20, e reuniu um grupo remendado e que acaba de ser eliminado na primeira fase ao empatar com Honduras por 1 a 1, com direito a sufoco hondurenho no fim para alegria da torcida em Brasília.

Você pode até me lembrar que a seleção principal está em terceiro lugar nas eliminatórias sul-americanas, três à frente do Brasil, que tem Lionel Messi, que foi finalista nas últimas duas edições da Copa América e da Copa do Mundo. A seleção lá como cá é só a ponta da pirâmide. Mesmo que ela somasse vitórias, ainda assim os clubes sofrem com a economia ruim do país, ameaçaram boicotar o campeonato nacional por conta da baixa quantia paga a eles, dirigentes presos por corrupção, e um êxodo cada vez maior dos seus principais jogadores. Um papelão olímpico, como escreveu o Olé em sua edição digital, que, torcemos, não se repita de noite em Salvador, e que ainda haja tempo para nossos cartolas aprenderem com o péssimo exemplo que vem daqui do lado da gente.

E agora vai largar Bauza?

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Há meses, o técnico Edgardo Bauza vem pedindo reforços para o São Paulo. É bem verdade que o clube demorou em atendê-lo. Ao contrário, viu seu elenco se esfarelar ao longo do primeiro semestre e na abertura da janela europeia perdeu Calleri, que deve ir para o futebol da Inglaterra, e Paulo Henrique Ganso, vendido ao Sevilha, da Espanha.

Os dirigentes são-paulinos responderam com 4 contratações, sendo que duas foram no último dia, ou nos últimos minutos. Aliás, dois escolhidos por Bauza: Buffarini e Chavez, que estavam na Argentina. Mas não é que hoje a imprensa do país vizinho anuncia que a Associação de Futebol Argentino pensa em convidar o técnico do São Paulo para ser o novo treinador daquele país?

Bauza estaria procurando voos para Buenos Aires para ouvir a proposta. Ele, quando perguntando se toparia assumir o cargo de técnico da Argentina, duas semanas atrás, disse que “era o sonho de todo mundo dirigir a seleção do seu país”. O São Paulo se prepara para qualquer decisão,  mas depois de ter atendido os pedidos do señor Edgardo, seria justo perdê-lo? Assim fica difícil confiar na palavra dos treinadores quando reclamam da falta de tempo para trabalhar.

Qual será o futuro de Carlitos?

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Uma conversa com o técnico Guillermo Schelloto ligou o sinal de alerta no Boca Júniors. A cabeça de Carlitos Tevez está dividida entre a dor da eliminação na Libertadores e o futuro no clube do coração. Para esfriá-la um pouco, o time argentino aceitou o pedido do atacante e lhe deu 3 dias de descanso. O que vai acontecer depois depende do ponto de vista.

Schelloto foi até a Imprensa hoje e explicou a reunião com Carlitos. Um encontro no campo do Centro de Treinamento, na frente de todos os jornalistas, em que o jogador lhe pedia descanso para refletir sobre o que vinha acontecendo. Desde quinta-feira passada, ele tem sido criticado. Menos pelo que fez em campo contra o Independiente Del Valle e muito mais pelo que deixou de fazer naquela noite.

As palavras de Maradona deixam claro o desencanto com o ídolo atual por não ter cobrado um pênalti, batido por Lodeiro e defendido pelo goleiro adversário. “Errar todos erram, mas na Juventus era sempre ele quem batia. Ele tinha que ter cobrado aqui”, reclamou Diego.

No ano passado, Carlitos Tevez trocou o conforto de seguir como jogador da Juve para, como ele mesmo disse na apresentação, “voltar a ser feliz”. Em vez do polpudo salário de um gigante europeu, aceitou muito menos para defender as cores de quem o revelou. Mas o sonho virou pesadelo com a má campanha na Libertadores e a consequente eliminação para um time de menor tradição.

O “fico” que Schellotto disse ter ouvido do jogador pode ser uma tentativa de acalmar a torcida e ganhar tempo junto a um jogador acostumado a mudanças bruscas de sentido. Saiu fugido do Corinthians, em 2006, trocou, por dinheiro, o campeão United pelas incertezas do City, e depois largou a Juventus para voltar para casa. Certa vez, disse que encerraria a carreira aos 28 anos. Está com 31. Será que acabou para ele?

 

Argentina pode tirar técnico do São Paulo

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Às vésperas de começar a decidir uma vaga nas finais da Libertadores da América, o São Paulo pode passar a conviver com um problema semelhante ao que atingiu o Corinthians nos últimos meses: ver seu técnico como provável nome para assumir a seleção nacional.

No caso são-paulino, o nome de Edgardo Bauza está cotado desde ontem para dirigir a Argentina na sequência das eliminatórias para a Copa da Rússia. Isso porque Tato Martino entregou o cargo hoje diante da indefinição sobre quais seriam os jogadores que poderia contar na Olimpíada do Rio, no mês que vem. A ameaça dos clubes argentinos de não ceder ninguém irritou o então treinador a tal ponto que optou por sair.

A Associação de Futebol Argentino determinou que Julio Olarticoechea será o treinador olímpico. Ele era técnico da seleção feminina e havia assumido interinamente a equipe sub-20 masculina. O problema é achar o nome ideal para conduzir o time principal no momento em que Messi comunicou que não pretende mais defender a seleção e pode ser acompanhado por outros.

Os nomes de Simeone, no Atlético de Madri, Gallardo, no River Plate, Pochettino, no Tottenham da Inglaterra, Sampaoli, que acaba de assumir o Sevilha na Espanha, e Edgardo Bauza, do São Paulo, foram citados pela imprensa local. Para azar dos são-paulinos a resposta do técnico não poderia soar mais como música para os ouvidos dos dirigentes argentinos: “quem não gostaria de dirigir a seleção do seu país”, respondeu, se dizendo triste com a interrupção do trabalho do colega Martino.

Quem assumir terá, em dois meses, o Uruguai, em Mendoza, dia 1º de setembro, e no dia 6, a Venezuela, em Mérida. Terá também que assumir o risco de enfrentar um facão que derrubou seis técnicos em 12 anos, desde que Marcelo Bielsa deixou a AFA em 2004. Depois, foram José Pekerman, entre 2004/06; Alfio Basile, 2006/08; Diego Maradona, 2008/10; Sérgio Batista, 2010/11; Alejandro Sabella, 2011/14; Tata Martino, 2014/16.