Mais uma invasão de torcida

image

Algumas várias pessoas conseguiram forçar a barra a ponto de entrar no Centro de Treinamento do São Paulo. Foi mais uma invasão de organizados que só serve para pressionar, ameaçar e, em alguns casos, agredir profissionais do futebol.

Lamento duas coisa: a ação propriamente e a aquiescência de jornalistas e/ou pessoas que têm espaço na Imprensa. Enquanto o jornalismo achar tudo natural, estará assinando ficha de inscrição nas facções organizadas. Eu tenho orgulho de dizer que nunca fiz parte de nenhuma e que ninguém gosta mais do meu clube do que eu.

Meus pais sempre me ensinaram que futebol é só um jogo. Não vivo dele e nem por ele. O jornalismo não pode aceitar a conivência de clubes e jornalistas para com atitudes como essa. O São Paulo passou da hora de tomar alguma atitude e parar de ajudar essas facções, que já recebem outros apoios, inclusive via escola de samba.  Basta de invasões, de torcedor se achar dono de clube e de nós ficarmos aplaudindo de camarote.

Anúncios

Grêmio, um candidato a encarar o Palmeiras

gremio

Os números vão explicar a vitória do Grêmio diante do São Paulo. O time gaúcho deu 26 finalizações contra 8. Teve a seu favor 11 chances claras de gol. Os são-paulinos, nenhuma. Os gremistas acertaram mais passes (276/245).  Nos desarmes, nova vantagem (52 a 24). Roubadas de bola, 23 a 22. O time dirigido por Edgardo Bauza só conseguiu levantar mais bolas na área. Foram 11 cruzamentos, dois a mais que o adversário. Resultado: Grêmio 1 a 0.

Tamanho domínio do Grêmio não deixa margem para dúvidas. O time gaúcho encosta na liderança com futebol de quem quer e pode pensar em ir mais longe. Ao contrário do Corinthians, ele vive um viés de alta, mesmo tendo perdido na semana passada. Aparentemente, se trata de uma equipe que tem repertório, sabe se defender e atacar, além de um trabalho de mais de um ano. No domingo, não sentiu a ausência de Luan e Wallace, cedidos à seleção olímpica, e só não goleou porque encontrou em Dênis um adversário difícil.

Já o São Paulo convive com as dúvidas. Até quando terá treinador? E se Bauza for trabalhar na Argentina? Quem vai fazer o papel de Paulo Henrique Ganso? E Calleri tem substitutos? Apostar numa arrancada são-paulina rumo ao G4, nesse momento, é mais corajoso do que tentar acertar o número de medalhas de ouro do Brasil na Olimpíada.

E agora vai largar Bauza?

bauza

Há meses, o técnico Edgardo Bauza vem pedindo reforços para o São Paulo. É bem verdade que o clube demorou em atendê-lo. Ao contrário, viu seu elenco se esfarelar ao longo do primeiro semestre e na abertura da janela europeia perdeu Calleri, que deve ir para o futebol da Inglaterra, e Paulo Henrique Ganso, vendido ao Sevilha, da Espanha.

Os dirigentes são-paulinos responderam com 4 contratações, sendo que duas foram no último dia, ou nos últimos minutos. Aliás, dois escolhidos por Bauza: Buffarini e Chavez, que estavam na Argentina. Mas não é que hoje a imprensa do país vizinho anuncia que a Associação de Futebol Argentino pensa em convidar o técnico do São Paulo para ser o novo treinador daquele país?

Bauza estaria procurando voos para Buenos Aires para ouvir a proposta. Ele, quando perguntando se toparia assumir o cargo de técnico da Argentina, duas semanas atrás, disse que “era o sonho de todo mundo dirigir a seleção do seu país”. O São Paulo se prepara para qualquer decisão,  mas depois de ter atendido os pedidos do señor Edgardo, seria justo perdê-lo? Assim fica difícil confiar na palavra dos treinadores quando reclamam da falta de tempo para trabalhar.

Soy loco por ti América

image

O último dia da janela internacional do futebol brasileiro foi uma verdadeira integração do Brasil com nossos vizinhos de continente. Só entre os times da Série A, quatro contratações chegaram nas últimas 12 horas e mostraram que os clubes daqui estão ligados no que, às vezes, acontece bem diante de nossos próprios olhos.

O Atlético Mineiro está acertando os últimos detalhes com Rómulo Otero. Ele tem 23 anos, joga no Huachipato, do Chile, e defendeu a Seleção Venezuelana na Copa América Centenário. Bom cobrador de faltas, é apontado como uma boa aposta para o meio-campo e ataque.

O Fluminense também cruzou a fronteira, mas foi até a Argentina para trazer o meia atacante Claudio Aquino, do Independiente. Também é jovem, tem 24 anos e veio por empréstimo. Ele chegou dizendo ser meia ofensivo e terá um ano para mostrar futebol para Levir Culpi,

No começo da noite, quando faltavam menos de seis horas para o fim da janela, o Internacional informou a contratação do uruguaio Nico Lopez. Ele foi desejado por Atlético Mineiro, São Paulo e Corinthians. O próprio atacante, na semana passada, revelou o interesse são-paulino. Mas optou pelo time que disse gostar desde pequeno.

O atacante de 22 anos, que defendeu o Nacional, de Montevidéu, pertencia à Udinese e foi comprado por 11 milhões de euros com ajuda  do empresário e dono da DIS, Delcir Sondas.

O tempo se esgotava e o São Paulo não quis perder mais tempo. Sem conseguir trazer Milton Caraglio, do Tijuana, do México, decidiu ir mais perto. No Boca Juniors, foi buscar Chavez, um atacante canhoto, de força na chegada ao ataque e que atua mais aberto. Chavez veio por empréstimo de um ano e foi indicado pelo técnico são-paulino Edgardo Bauza.

São apostas. Jovens dispostos a vencer no nosso futebol. De todos, o de melhor  currículo é o reforço colorado. Se vão vingar, só com a bola rolando saberemos.

Empate justo e sem brilho

image

Não era exagero apontar o Corinthians como favorito ao clássico com o São Paulo. Vinha de 4 vitórias seguidas, uma semana inteira pra treinar contra um adversário que foi eliminado da Libertadores, perdeu seus principais atacantes e tem oscilado muito no Brasileirão.

O que se viu em Itaquera foi um confronto de intermediária à intermediária. Muita marcação, certa troca de passes e pouquíssimas finalizações. No primeiro tempo, um gol pra cada lado e outra boa defesa do Dênis.

Na etapa final, o Corinthians deu uma cabeçada ao gol em outro ótima defesa do goleiro, afrouxou a marcação e viu o São Paulo tomar conta do jogo, mas sem finalizar. Hudson teve duas chances, uma em que entrou na área e Cassio salvou, e outra em que Yago tirou.

Para chegar à primeira vitória, faltou qualidade no ataque ao São Paulo. Apenas Cueva teve algum brilho e sem ter com quem tabelar. As chegadas dos volantes foi uma boa saída de Edgardo Bauza.

Ao Corinthians faltou bola. Giovanni Augusto fez mais uma partida ruim pelo meio. Guilherme entrou e nada mudou. Romero e Marquinhos Gabriel também foram anulados. E as mexidas não surtiram efeito. Especialmente a entrada de Elias em lugar de Rodriguinho, que ao menos marcava e recompunha. Ao sair, abriu-se um buraco no setor e os são-paulinos tomaram conta. No fim, um empate justo e futebol de menos para o maior público do ano na Arena Corinthians.

Clássico pode valer a liderança

() SPO
Foto: © Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

Ainda há muita água para passar por baixo da ponte, mas se o Corinthians esperava uma boa oportunidade para assumir a liderança, amanhã pode ser a chance. As circunstâncias levam a pensar nisso com mais força do que normalmente. Apesar de ser um clássico, o encontro de domingo em Itaquera tem vários aspectos favoráveis.

Como pontos positivos temos o fato de jogar em casa para 40 mil pessoas, num campo em que não perde há onze meses. Além disso, o time de Cristóvão Borges tem mostrado um forte sistema defensivo, que suporta pressão, e tranquilidade para atacar quando tem chance. Os números sobre o adversário também ajudam. Dos grandes do estado, só o São Paulo não sabe o que é vencer no estádio novo corintiano. Foram 4 jogos, 4 derrotas, entre elas uma goleada histórica de 6 a 1 no ano passado.

A fase são-paulina também ajuda. Vem de uma eliminação na Libertadores, perdeu seus melhores jogadores (Ganso e Calleri) vendidos. A ver como vão reagir os comandados de Edgardo Bauza.

E para ser líder, claro, vai precisar de uma reação imediata do Internacional. Atuando em Porto Alegre, vindo de 4 derrotas seguidas, a crise só não é maior porque trocou de técnico. Falcão assumiu o lugar de Argel e isso pode motivar a equipe diante do líder Palmeiras. Um tropeço verde no Sul e a manutenção do tabu corintiano em Itaquera serão suficientes para o Corinthians chegar ao primeiro lugar. Agora, só falta combinar com todo mundo.

Por favor, defina “representação política”

penalti

Já há algum tempo, eu tenho escutado que o Brasil está acéfalo na Confederação Sul-americana de Futebol. Quase sempre a frase surge após uma eliminação de um clube brasileiro ou da nossa seleção em algum torneio do continente. Escutei de ex-jogadores como Ronaldo Fenômeno, e ultimamente na voz de jornalistas. Gostaria de entender o que os meus amigos da Imprensa estão sugerindo.

Realmente, a Seleção Brasileira foi eliminada da Copa América Centenária ao perder com um gol de mão do peruano. Também não se pode negar que a arbitragem andou mal na Libertadores. Mas o que estamos querendo? O que se entende por “representação política”? Se for para evitar erros da arbitragem, então, estamos admitindo que existe trabalho de bastidor. Estamos levando em conta o que Julio Grondona, na época presidente da Associação Argentina de Futebol, disse por telefone a um dirigente: que havia escalado Carlos Amarilla para apitar a partida do Boca Júniors contra o Corinthians em 2013.

Porque se estão sugerindo isso, seria bom que investigassem, que fossem atrás, fizessem o seu papel. Se os dirigentes dos clubes brasileiros concordam com a tese, deveriam tomar uma posição contrária ao comando da Conmebol. Normalmente, nossos presidentes tratam apenas de vociferar após os maus resultados.

É verdade que Marco Polo del Nero não representa o Brasil há um ano, que a CBF quase sempre manda outra pessoa para uma reunião na Fifa ou na sede da entidade sul-americana. Porém isso não pode esconder os fracassos dentro de campo. Não podemos esquecer que o Brasil só fez gol no Haiti durante a fase de grupos nos Estados Unidos. Que o chefe da comissão de arbitragem daquela competição era o brasileiro Wilson Seneme. Não se pode esquecer que o Atlético  Nacional é o melhor time da Libertadores e foi melhor nos dois jogos. E que erros da arbitragem aconteceram em todas as fases e com todos os times. Ou não houve um pênalti de Hudson ao segurar a camisa de Leonardo Silva, contra o Atlético Mineiro, na fase anterior? Como bem disse o jornalista inglês Tim Vickery,  “o futebol brasileiro ainda está fugindo da realidade, se escondendo atrás de chamado ‘momentos polêmicos.'”