Micale quer mudar o futebol, mas trabalha para Marco Polo

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Acho natural a posição de Rogério Micale em defender seus jogadores e em especial o principal nome. Concordo com a opinião de que o brasileiro procura sempre um culpado numa tentativa de explicar o insucesso e que isso deixa a discussão rasa e longe de “realmente entender o que está acontecendo no futebol” do nosso país. Mas me pergunto – e o técnico não explicou – o que Iraque e África do Sul tiveram de diferente para terem empatado com o Brasil.

A mim, pouco importam as férias de Neymar, se foi ao jogo do Brasil, se tirou self com Hamilton, Justin Bieber, Donald Trump ou no túmulo de JFK. Me incomoda sua convocação logo após as férias. Acho um erro pois é natural que leve um tempo para ganhar ritmo de jogo. Será cobrado por algo que talvez não possa entregar.

Também não quero saber quem é o capitão, não é isso que fará a Seleção jogar melhor. Insisto em ouvir uma resposta para o Brasil não ganhar de seleções tão fracas, mesmo tendo um time melhor. Será que os dois adversários foram taticamente melhores que a Seleção? A Argentina cobra de Messi, títulos. O Brasil não pode porque sequer às finais Neymar e cia tem chegado.

Se Micale quer ajudar a mudar o futebol brasileiro, o primeiro passo seria não trabalhar com uma presidência da CBF que se esconde do mundo. Quando se diz “sim” a essa estrutura, por melhor que sejam suas intenções, nada colabora para a mudança. Combater a atual administração do nosso principal esporte seria o primeiro passo.

 

Hora de escalar a “determinação”

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A seleção olímpica masculina de futebol é a maior decepção desses primeiros dias dos Jogos no Rio de Janeiro. Cada torcedor, seja ele jornalista ou não, tem sua explicação para o time não ter feito um golzinho sequer na África do Sul ou, pior, no Iraque. Análises táticas daqui, comportamentais dali, e não há consenso a não ser que o que se viu é muito pouco.

Sou torcedor, sou jornalista e vou dar o meu pitaco aqui: não existe um culpado, mas todos. O técnico Rogério Micale erra na escalação de Zeca pela direita. O lateral do Santos é destro mas está acostumado a jogar pela esquerda e ali poderia fazer uma boa dupla com Neymar, o que não acontece com o Douglas Santos. Nos dois jogos, a Seleção não teve saída pelas laterais, com aproximações muito tímidas entre os jogadores.

A opção de jogar com três atacantes exige um meio-campo  de mobilidade e que atue mais próximos de Gabriel Jesus, Gabigol e Neymar. Renato Augusto está lento e previsível e Felipe Ânderson, apagado. Não tem transição ofensiva. Todos longe. Acho que está estourando na frente, uma conta que não é apenas do trio de ataque. Está na hora de o grupo se apresentar para o jogo, auxiliar, dar apoio – não com palavras – com ações dentro de campo.

A maior mudança que se espera do Brasil é de atitude. Essa palavra está surrada com o passar do tempo, mas isso é o que se viu no Iraque e na África do Sul e não vimos na Seleção. Será a determinação o melhor remédio para ganhar da Dinamarca. Esse “elemento” parece não ter sido escalado ainda. A Argentina, por exemplo, foi convocada e montada a menos de um mês da Olimpíada e, mesmo sem jogar bem, venceu na raça a Argélia. Os adversários não são melhores. O time brasileiro não é pior do que nenhum outro. É preciso que se tenha vontade, que se queira ganhar, focar, concentrar e trabalhar o coletivo. Só dessa forma o individual irá se sobressair. Dar entrevista ou não, ao fim do jogo, é o que menos me interessa. Quero ver ambição em campo e não enfado como se já tivéssemos conquistado tudo e que se apresentar para a torcida brasileira fosse algo muito chato.