No Brasil, o melhor nunca é o primeiro

 

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Cesar Greco/ Agência Palmeiras

“A Fla Press é tão grande que até quem não é, mas está no Rio, se contagia.” Essa ótima frase que ouvi essa semana diz muito sobre o estado de espírito que tomou conta da mídia e das redes sociais. De uma hora para a outra, passaram a tratar o vice-líder do Campeonato Brasileiro como se já tivesse até dado a volta olímpica. Até este blog entrou na onda ontem brincando com o cheiro do hepta. A torcida é gigante, o time está embalado, mas…

Como diria Vicente Matheus, ex-presidente do Corinthians, “vamos com calma, muita calma!” A festa rubro-negra se justifica como mostramos já por aqui. O que não se pode é esquecer de quem está na frente e bem. É tendência brasileira. O melhor nunca é aquele que está em primeiro, sempre haverá um outro. Sabe o ganhador do Oscar de melhor ator, não chega aos pés de um ator do Sudão. O músico ganhador de 10 Grammys, nem se compara com um do interior do Texas. E no futebol não é diferente.

Um exemplo fácil é lembrarmos do Brasileiro do ano passado. O Corinthians liderava desde o fim do primeiro turno, ganhava jogando bem, terminou a temporada com a melhor campanha dentro e fora de casa, melhor ataque, melhor defesa, melhor em tudo. Mas quantas vezes você ouviu que o melhor time era o Atlético Mineiro, segundo colocado que perdeu os dois confrontos diretos, sendo que no segundo, levou um inapelável 3 a 0 dentro do Independência.

O que quero dizer é que, apesar da excelente fase do rubro-negro, do seu Mengão, do time de milhões de brasileiros, o líder ainda é o Palmeiras. A melhor campanha ainda é do Palmeiras, que foi quem mais fez gols, quem mais venceu até aqui, que tem um dos artilheiros e o melhor jogador do campeonato. É o favorito pela consistência, por ter um trabalho de mais tempo e elenco mais equilibrado. Se eu quiser ficar bem com a maioria, diria que está com cheiro de hepta. Mas sejamos justos, desde o começo, esse Brasileiro está, a cada rodada que passa, com a cara do Palmeiras.

O Brasileirão tem cheiro de quê?

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Os jogos da quarta-feira parecem ter deixado claro quais são os candidatos ao título do Campeonato Brasileiro. Os três primeiros colocados venceram seus jogos diante de suas torcidas e confirmaram que se alguma outra equipe quiser entrar na disputa, vai ter que lutar muito. Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro fazem, a essa altura da competição, uma campanha muito mais consistente do que todos os outros e merecem estar onde estão.

As redes sociais foram invadidas no fim da noite de ontem com a alegria contagiante rubro-negra. A frase “Estou sentindo cheiro de hepta” virou quase um mantra entre eles, empolgados com a vitória no fim de um jogo muito disputado contra a Ponte Preta. Quando parecia que a liderança ia ficar distante, veio a luz na bicicleta de Diego e no aproveitamento do rebote de Fernandinho. Foi a 13ª vitória do Flamengo, sendo as três últimas consecutivas. Difícil conter o entusiasmo da maior torcida do Brasil ao ver que tem um time capaz de rivalizar contra qualquer um. Nas últimas dez rodadas, uma única derrota.

A alegria carioca só não é maior porque o líder ainda é o Palmeiras. E tem sido assim há cinco jogos. Aliás, das 23 rodadas disputadas, apenas em nove, o primeiro lugar foi ocupado por outro time. O torcedor bem que poderia dizer que sente o “cheiro de ênea”, em referência ao que seria o nono título brasileiro, porém ainda exibe um sorriso contido de quem anda desconfiado de tamanha alegria nos últimos meses. Afinal, o último Brasileirão foi conquistado há 22 anos. A virada sobre o São Paulo foi daquelas em que se mostra repertório. Não conseguia furar a forte marcação em trocas de passes e velocidade. Aí, o jeito foi explorar o jogo aéreo e resolver a parada. Manteve a distância segura de três pontos para o Flamengo e sabe que dos candidatos ao título, foi quem menos pontuou nos últimos dez jogos: 5 vitórias, três empates e duas derrotas.

Se um atleticano disser que o Brasileirão está com cheiro de bi, também não estará exagerando. O mineiro faz uma ótima campanha de recuperação. Esteve na zona de rebaixamento nas rodadas 7 e 8 e já, há cinco, chegou ao G4. Ganhou com dificuldades do Vitória, mas sofreu mais com a falta de pontaria do ataque do que com os desfalques. Sem falar em Fred, que fez os dois gols e mandou outras duas bolas na trave. A campanha no recorte de dez jogos é igual à do Flamengo, ou seja, dá para sonhar com o título que não vem desde 1971.

Para esquentar essa disputa, a tabela ainda marca o encontro entre essas três equipes. Na semana que vem, o Flamengo tentará devolver, em São Paulo, a derrota para o Palmeiras no primeiro turno. Mesma situação vive o líder em relação ao Atlético Mineiro, que tem a seu favor o fato de receber as duas equipes em seu domínio. Portanto, respire fundo e sinta o cheiro que bem lhe aprouver.

Palmeiras, teu nome é consistência

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Um futebol consistente não assegura a nenhum time a vitória, mas sempre lhe dará a oportunidade de se recuperar rapidamente. O Palmeiras que deixou de ganhar da Ponte Preta, em casa, domingo passado,  foi o mesmo que hoje venceu o Fluminense. Corrigiu os erros defensivos da semana anterior e manteve volume e concentração no lado ofensivo. Fez dois gols, poderia ter feito mais e aumentou a diferença para o vice-líder, que agora é o Flamengo, para 3 pontos.

Cuca vai assim cumprindo a promessa que fez ao ser eliminado no Campeonato Paulista. “Podem nos cobrar o título brasileiro”, dizia. Vinte e duas rodadas já se passaram e o palmeirense sorri de orelha a orelha com o que seu time tem mostrado. Se não é mais a equipe avassaladora das primeiras dez rodadas, tem sabido controlar bem a distância para a concorrência, transformando resultados aparentemente ruins, em muito bons por conta da sequência. Exemplo: neste returno ganhou dois jogos fora de sua arena contra Atlético Paranaense e Fluminense. Missão nunca fácil. Isso minimizou o empate com a Ponte.

O elenco comprou a ideia do treinador, se entrega a cada partida, tem foco, tática e qualidade. Ainda vai oscilar, com certeza, mas em relação aos outros, parece ser quem mais equilíbrio tem. O Corinthians já tentou se manter no primeiro lugar e caiu de produção. O Inter despencou da liderança efêmera para o Z4. O Grêmio não consegue se aproximar de vez. O Santos vai na mesma toada. O Atlético Mineiro era o adversário da hora e perdeu terreno. A bola está com o Flamengo. O torcedor rubro-negro costuma ficar animado nessas horas e repetir como um mantra: “Deixaram o Mengão chegar. Agora, segura.” Porém, chegar é uma coisa. Passar é outra, já dizia meu xará da família Bueno.

Palmeiras derrapa e pode perder liderança na próxima rodada

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O Palmeiras sabia que teria um jogo difícil em sua casa contra uma Ponte Preta que ainda não tinha perdido na arena nova. Porém, pior do que o empate foram os resultados dos concorrentes diretos que encostaram de vez, a apenas 3 pontos do terceiro colocado, e podem roubar a liderança já na próxima rodada.

São 40 pontos do líder contra 37 do Flamengo. Ruim para o time palmeirense é saber que a próxima rodada será fora de casa, se bem que o adversário é o irregular Fluminense, em Brasília, mas que está há quatro jogos sem derrota.

A favor é que a tabela também promete osso duro para a concorrência. O Atlético Mineiro, em segundo lugar e a dois pontos do Palmeiras, irá a Porto Alegre encarar o Grêmio. O Flamengo jogará em Chapecó e o Corinthians em Campinas.

Essa concorrência pode aumentar se o Corinthians fizer sua parte e ganhar do Vitória, em Itaquera, amanhã. Aí, os quatro primeiros poderão, no mínimo, dividir a liderança, enquanto o Santos, que mesmo que vença o Figueirense na Vila Belmiro, ainda assim, não tirará o bastão palmeirense.

A partir de agora, os campeões olímpicos estarão de volta, o que vai melhorar muito o ataque do Palmeiras com a presença de Gabriel Jesus, e, sensivelmente, o elenco santista com Zeca e Thiago Maia. O futuro de Gabriel é uma incógnita, bem como o de Luan no Grêmio, que terá também o reforço de Wallace no meio-campo. Ou seja, equilíbrio seguirá sendo a palavra que define esse Brasileirão. Até quando? Olha, está com jeito de ir assim até o fim.

Uma cambalhota na concorrência

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O Palmeiras mostra, a cada rodada, a razão de seguir na liderança do Campeonato Brasileiro. Mesmo quando não brilha, soma uma vitória fora de casa e mais três pontos na tabela. Ganhar do Atlético Paranaense, em Curitiba, só o líder conseguiu, que ao fazer 1 a 0 abriu 3 pontos de diferença para o vice, Santos, e outros 4 de Grêmio e Atlético Mineiro, os times que importam neste momento.

O primeiro tempo foi ruim dos dois lados. Quase nenhuma chance, mas Vitor Hugo não pode ser desmarcado em cobranças de escanteio. Quando Thiago Heleno pensou em chegar era tarde. Gol marcado, vantagem obtida e, a partir dali, o Palmeiras tratou de administrar no segundo tempo. Fechou as laterais e obrigou o Atlético a tentar entrar pelo meio ou com bolas invertidas. Parou em Jaílson, o terceiro goleiro, o jogador que atuou com dor na coxa desde o começo da partida. O herói improvável.

Na próxima rodada, o time palmeirense terá uma missão, teoricamente, mais fácil. Recebe a Ponte Preta em casa, enquanto vê o maior concorrente do momento, o Santos, fazer o caminho inverso e ir até Curitiba para pegar o Coritiba. O Grêmio encara o Flamengo, em Brasília. O Atlético estará de volta a Belo Horizonte para receber o xará paranaense e o que parecia embolado, pode estar clareando para o lado verde da capital paulista.

 

 

 

Diferença entre líder e sétimo pode cair para 3 pontos

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O Segundo Turno do Campeonato Brasileiro começa com a chance de embolar de vez a luta pelo título. Para isso, não é preciso muita coisa a não ser a vitória de três equipes mandantes: Santos, Grêmio e Atlético Paranaense.

A conta é fácil. O Palmeiras joga em Curitiba e no caldeirão que é a Arena da Baixada. Se perder, o Atlético pulará para 33 pontos e o Palmeiras perderia a primeira posição para o Santos, que recebe o Atlético Mineiro, e claro, teria que confirmar o fator casa. O Grêmio,atual  sexto colocado, ficaria em quarto a um ponto dos dois primeiros.

Como está:

01 – Palmeiras – 36 pontos

02 – Atlético Mineiro – 35

03 – Corinthians – 35

04 – Flamengo – 34

 

Como ficaria:

01 – Santos – 36

02 – Palmeiras – 36

03 – Atlético Mineiro – 35

04 – Grêmio – 35

Como sempre, só falta combinar com os adversários. O time gaúcho ficaria em ótima posição porque ainda terá um jogo a menos que os demais concorrentes. E a Ponte Preta, que venceu o Figueirense, em Campinas, estaria a 6 pontinhos da ponta da tabela. Esse returno promete uma disputa ainda mais acirrada.

 

Tabela premia os dois melhores

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O fim do primeiro turno serviu para premiar os dois melhores times do Campeonato Brasileiro.  Ninguém jogou com mais consistência do que o Palmeiras e o Atlético Mineiro, primeiro e segundo respectivamente.

O lado verde da capital paulista não vive o melhor momento na competição, sente as ausências do capitão Fernando Prass e de Gabriel Jesus. Mas sedimentou sua posição com um ótimo campeonato até a 15ª rodada.

A dúvida, se existe,  em relação ao futuro é se vai conseguir manter esse rendimento. Já se sabe que Prass só deverá voltar no ano que vem. Vagner era o reserva mas foi mal. Perdeu posição para Jailson, destaque no último jogo. Se vai manter o nível, não se sabe.

Outra questão, como voltará Gabriel Jesus? Pressionado, questionado, vive o ambíguo momento de saber que já está no Manchester City, mas tem que se concentrar no Palmeiras até dezembro.  A ver como reagirá a cabeça de um jovem de 19 anos.

O Atlético Mineiro começou se dividindo entre Libertadores e Brasileirão. Sofreu com muitos jogadores machucados. Trocou de técnico e Marcelo Oliveira sofreu até a 8ª rodada. A partir daí fez uma campanha de recuperação impressionante. Em 11 jogos, foram nove vitórias, incluindo sobre o líder Palmeiras em São Paulo, um empate e uma derrota.

São os dois melhores elencos, cheio de opções para modos variados de jogar e com bons treinadores. Seria injusto estarem atrás das duas primeiras posições.