Aquele cheirinho que o palmeirense sentiu o Brasileirão todo!

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(Foto: Cesar Greco / Fotoarena)

Faixa no peito. Troféu erguido. Justiça feita. Confesso que pensei ser bravata de treinador quando Cuca pediu para ser cobrado pelo título do Brasileirão logo depois de ser eliminado do Paulista. O Palmeiras dava adeus ao Estadual e amargava uma desclassificação precoce, ainda na primeira fase da Libertadores.

Cuca reuniu o grupo durante duas semanas. Pediu, convenceu o jogador e trouxe Tchê Tchê. Também contou com o retorno de Moisés, que se recuperou de uma contusão que o tirou dos campos por 4 meses. O Palmeiras foi ganhando corpo e já na primeira rodada mostrou a força ao vencer contra o Atlético Paranaense jogando bem.

A partir daí, o que se viu foi a mesma história sempre. Ao contrário do que diz o hino, o Palmeiras não mandou apenas na partida, mas em todo campeonato. Reparem que depois dele, só o Internacional, por três vezes, liderou mais a competição. Por mais que tenham sentido cheiro disso ou daquilo, a fragrância palmeirense só não foi sentida pelos futechatos.

Defesa consistente, equipe compacta, de movimentação e repertório. Uma espinha de dois zagueiros seguros (Mina é mais do que isso, é ótimo jogador), dois jogadores de meio como Tchê Tchê e Moisés, que não se escondem, criam, levam e formam o motor da equipe. Gabriel Jesus e Dudu são daqueles atacantes que incomodam, criam, definem e ajudam taticamente. Muito, muito bons.

Cuca ainda contou com coadjuvantes como o regularíssimo Jean e o interminável Zé Roberto. Jaílson, o goleiro-herói-improvável, e Roger Guedes, que desempenhou uma função tática muito importante.

E poderíamos falar de outros tantos nomes que ajudaram na campanha. Mas não quero tomar o tempo do torcedor que, se chegou até aqui no texto, veste verde-e-branco e que já deve estar rouco de gritar “é campeão!” Pois desfrute, curta esse momento como só quem ganhou nove vezes o Brasileirão sabe comemorar.

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Tu vens, tu vens, eu já escuto teus sinais

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O torcedor palmeirense se arrepia de medo quando alguém passa por ele e diz: “pode botar a cerveja para gelar, porque essa já está ganha”. Como num reflexo a resposta é o tradicional “com o Palmeiras tudo pode acontecer.” Hehehe, só rindo mesmo desse desespero. Não é humildade, é medo do imponderável, do que parece pouco provável. Mas cá entre nós, todo mundo sabe que a contagem regressiva já pode começar. A chegada da taça de campeão brasileiro de 2016 é questão de rodadas, de dias que vão por fim à 22 anos de espera.

Claro, a matemática ainda dá chance a Flamengo, Atlético Mineiro e até o Santos. Sim, teremos confrontos diretos. Agora pare e pense, sem torcer: o Palmeiras tem 6 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, com 13 gols a mais de vantagem no saldo. Ou seja, para perder a posição, teria que tropeçar três vezes em seis rodadas. Tudo pode? Sim, mas em que momento do Brasileirão esse time oscilou tanto assim e repentinamente? Em 32 jogos, foram apenas 5 derrotas, porque agora, perderia mais três?

O Palmeiras será o campeão para fazer justiça a quem praticou o melhor futebol. O mais consistente, mais bem trabalhado e que foi brilhante quando precisou e pôde. Agora, administra e conquista os resultados. Ah, mas a arbitragem ajudou… esqueça. Todos foram mais e menos “ajudados”.

Cuca pediu para ser cobrado pelo título antes mesmo de o Brasileiro começar, agora merece aplausos por pagar a dívida. Mais de duas décadas depois, o cheiro do título do Brasileirão já tomou conta da antiga rua Turiassu.

Quando eles vão falar a mesma língua?

O título desse post não é um apelo, longe disso. É quase uma pergunta ingênua de quem sabe que um dirigente e um juiz de futebol jamais vão conversar para acertar a relação. Cada um sempre verá o seu lado. A arbitragem vai seguir seu livro de regras e o que chama de bom senso (para nós, a tal da regra 18). Um cartola olhará eternamente para o próprio umbigo. Se as decisões forem a favor do meu time, tudo certo.

Na sexta-feira, o Palmeiras comprou a dor do Fluminense e atacou a atuação do árbitro Sandro Meira Ricci no Fla-Flu. “Na mão grande ninguém vai levar esse título”, esbravejou o presidente palmeirense, Paulo Nobre. Ele criticava a interferência externa – que houve – na impugnação do gol de empate no clássico carioca e que deixou o Flamengo encostado no líder palmeirense antes da rodada do domingo.

Como no futebol não há nada melhor do que um jogo após o outro, a partida do Palmeiras em Florianópolis, trouxe os efeitos da verborragia pouco nobre do dirigente palmeirense. Sem jogar um bom futebol e com dificuldades para furar a forte defesa do Figueirense, o clube paulista foi beneficiado por duas decisões do juiz. Errou ao dar o pênalti em Gabriel Jesus numa disputa de bola pelo alto, entre dois corpos no ar e nada mais, e depois, ao não marcar a infração de Egídio em Rafael Silva dentro da área. A partida estava 1 a 0 e seria a chance de o Figueirense empatar.

O que aconteceu depois foi o silêncio hipócrita de sempre. De todo dirigente, de TODOS os clubes. Nem uma “A” sobre o que aconteceu. Nem um “ah, mais blá blá blá”. O que vale é que a pressão funcionou. O Atlético Mineiro também foi prejudicado no Rio de Janeiro e o técnico Marcelo Oliveira já pediu para os dirigentes do clube reclamarem.

Os juízes, e não é de hoje, vão muito mal no nosso futebol. Erram demais e a CBF quase nada faz.  Pois que os dirigentes cobrem isso da CBF. Mas aí tem que enfrentar a entidade. “Melhor, não”, sempre pensam. O fato é que o brasileiro não aprende nem a ganhar, nem a perder. Sempre precisa encontrar um culpado para o próprio insucesso. Justificar os erros nas costas de outros é um modo mais fácil.

Um gol impedido mal anulado

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O Fla-Flu do segundo turno, em Volta Redonda, pode ficar marcado como o jogo da virada no Campeonato Brasileiro. Menos pelo futebol e muito mais pela lambança que Sandro Meira Ricci aprontou assoprando aquele apito. Torcedores do Fluminense e do Palmeiras estão reclamando com razão, na minha opinião.

Se é verdade que Henrique, e quem mais ali estava ao lado do zagueiro, todos se encontravam em impedimento. Muito bem marcado pelo bandeira. Porém, Ricci, sabe-se lá a razão preferiu ignorar a sinalização e validou o gol do zagueiro do Fluminense. Se valendo da regra que diz que, enquanto o jogo não recomeçar, as decisões podem ser mudadas, os jogadores do Flamengo foram lá pressionar o árbitro.

O banco de suplentes, nesse momento, já tinha recebido a informação do que a TV mostrava: estavam todos impedidos. Depois de muita pressão, Ricci voltou atrás e decidiu revogar o que já havia decidido.

Em que pese a decisão tenha evitado um erro a favor do Fluminense, me pareceu claro que houve uso da tecnologia, interferência externa, para a decisão e isso AINDA não é permitido pela Fifa. E se não é permitido, é tão ilegal quanto um gol impedido e não poderia ser usado. O Flamengo foi beneficiado de um recurso que não está liberado. O juiz, se confiasse no auxiliar que marcou o impedimento, teria se dado melhor.

Poupar ou não poupar, eis a questão!

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Ontem, no Seleção Sportv, debatemos a decisão das equipes, que lutam por títulos ou fogem do rebaixamento, de escalarem os principais jogadores na Copa do Brasil ou Sul-americana. Claro que se trata de uma decisão em que cada time sabe de suas forças e necessidades. Entra ano, sai ano, a essa altura da temporada essa discussão volta à tona.

Minha opinião varia de clube para clube. Vou começar pelos que estão na parte de cima da tabela. Estes, geralmente, tem mais condições de levar duas competições simultâneas. Em tese, tem elencos mais homogêneos, que rendem melhor e que estariam numa situação mais confortável por estarem disputando um título, podendo mesclar titulares e reservas, de acordo com a fadiga do elenco. Nessa situação coloco Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro. Eu, técnico de qualquer um dos três, pediria ajuda aos universitários. Exames de CK para saber o nível de cansaço e definiria a equipe.

No caso de quem está na luta para fugir do rebaixamento, o tratamento seria outro. Na minha opinião, se você precisa do elenco inteiro para permanecer na elite, qualquer jogo extra será um desgaste desnecessário. Internacional e Cruzeiro precisam mais da permanência da Série A ou de mais um título de Copa do Brasil? A conquista desta poderá compensar um retumbante fracasso com a queda?

Eu usaria a semana para trabalhar os jogadores, o esquema desejado, a estratégia para a próxima rodada do Brasileiro e levaria um grupo reserva para ver o que acontece na primeira partida do mata-mata. Mesmo caso para o Juventude, cujo o acesso para a série B será mais valioso que uma vaga na Libertadores.

Isso se chama trabalho

Mais uma rodada em que líder e vice-líder ganham e se garantem na luta pelo título. Cada um a seu modo. Somando pontos, jogando bem e aproveitando as circunstâncias que aparecem. Tudo devidamente pensado, treinado, trabalhado.

O Palmeiras de Cuca é cirúrgico quando tem que ser. Joga aproximado, com volume de jogo, chegando na área adversária com muita movimentação. Foi assim que rapidamente saiu na frente do clássico em Itaquera. A entrada de Moisés na área deu a ele a chance de forçar o erro da zaga e de ele aproveitar para fazer o gol. A partir daí, era se fechar, jogar no erro do pressionado adversário que as chances viriam. O time tem qualidade técnica para dosar as energias.

Não concordo com a pecha que tentam colocar de Cucabol, como se o Palmeiras só soubesse jogar de um modo. Que modo? Aquele que busca Gabriel Jesus a ponto de estar entre os artilheiros? Só se for por baixo, com bolas infiltradas e de velocidade, pois sabemos que a cabeçada não é lá o forte dele. A arma aérea é com a zaga. Mina, Vítor Hugo, Dracena. Ora pois, gol de cabeça vale menos?  Trata-se de um time que sabe o que fazer com a bola. Tem um repertório de jogadas para o momento e para a dificuldade do jogo.

O Flamengo sofreu mais com a ansiedade do que uma possível boa técnica do Figueirense. Nota-se, claramente, o pensamento de Zé Ricardo no comando. Contra um adversário fechado, com 6 homens no meio-campo, ele avançou os laterais para ganhar amplitude, obrigando o adversário a se esparramar atrás para marcar. Assim, seus homens de meio e principalmente os zagueiros puderam ter condições de enfiar as bolas pelo miolo bagunçando a marcação catarinense. O rubro-negro fez 2 a 0 e poderia ter goleado não fossem alguns erros de finalização.

São duas equipes que tem a cara de seus treinadorores. A de Cuca, um pouco mais aguerrida. A do Zé, ligeiramente mais técnica. As duas são muito boas, eficientes e que dão aos torcedores a alegria de ver os resultados surgindo. Merecem estar onde estão.

 

Brasileirão embolou para valer

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Teremos um jogão na quarta-feira, em São Paulo. Palmeiras e Flamengo vão disputar a liderança de igual para igual. Com um ponto a mais e jogo em sua casa, a vantagem é palmeirense, porém o clube carioca vem de 4 vitórias seguidas e embalado.

Já se sabia que a missão verde seria difícil mesmo diante de um Grêmio pressionado. O empate sem gols acabou comemorado. Mas quem sorriu mesmo foi o vice-líder, que assistiu ao jogo secando e com uma boa vitória de virada em Salvador na bagagem. São 47 pontos contra 46. Quem vencer, fica em primeiro e isolado.

O Atlético Mineiro também pode encostar se vencer, segunda-feira à noite, o Fluminense. A próxima rodada promete. Definitivamente, teremos uma reta final de campeonato imperdível!