A dívida que Guardiola tem com Iniesta

dupla

O “Guardian“, essa semana, trouxe um trecho do próximo livro de Pep Guardiola. Trata-se de como Andrés Iniesta ganhou ainda mais a admiração do ex-técnico do Barcelona. O, hoje, treinador do Manchester City reconhece  publicamente que o meia o auxiliou muito no começo de trabalho no clube catalão. E não estamos falando apenas da bola que ele sempre jogou.

A vida botou os dois se cruzando algumas vezes, muito antes de 2008. A primeira foi através de Pere, irmão de Guardiola, que o alertou para um garoto que estava disputando a Copa Nike pelo clube. “Eu ainda era jogador do Barcelona, me troquei e corri para ver o tal garoto. E vi como ele era bom! Disse pra mim mesmo que ele ia jogar pelo Barcelona, com certeza, e disse também ao Pere.”

Ao sair do clube, Guardiola encontrou-se com o jornalista Santiago Segurola e disse que ele tinha que ver aquele que acabara de ser eleito o melhor jogador da decisão da Copa Nike. “Fui até ele e disse que tinha visto algo incrível. Tinha um sentimento de que, o que havia testemunhado, era único. Essa  foi minha primeira impressão sobre Andrés.”

Mal poderia imaginar que anos depois, seria a vez de Iniesta apostar em Guardiola. O treinador conta que isso aconteceu logo depois de assumir o cargo no Barcelona vindo do time B. A torcida, através de uma pesquisa, queria Jose Mourinho e o trabalho começou com dois tropeços: derrota para o Numancia, fora de casa, e empate, no Camp Nou, contra o Racing Santander. Só Johan Cruyff o defendia nos jornais.

Num certo dia, Guardiola revia tudo o que tinha feito, revisava cada treino, repassava cada decisão no seu escritório, quando alguém bateu na porta, abrindo-a e pedindo para entrar. Era Iniesta, que ao receber o sinal positivo, saiu disparando: “Não se preocupe, professor. Nós vamos ganhar. Estamos no caminho certo. Siga do jeito que está, ok? Estamos jogando brilhantemente, estamos adorando os treinos. Por favor, não mude nada. Vamos passar por cima de todos eles” Dito isso, o jogador saiu.

Guardiola não esperava por aquela atitude, ainda mais vindo de alguém que não costuma se pronunciar muito. O fato é que naquela temporada, o clube catalão disputaria seis títulos. Ganharia todos. “Normalmente, as pessoas acham que o técnico é que tem que levantar o moral dos jogadores. Mas não foi assim comigo nesse caso e também no meu primeiro ano de Bayern de Munique”, revelou. “As pessoas acham que o técnico é a pessoa mais forte, o chefe do clube, mas na verdade, é a mais fraca.”

Taticamente, Iniesta também ajudou no crescimento do treinador. Ele deu o seguinte palpite: por que não atacar o zagueiro quando estiver com a bola? “Ele me fez ver como era importante isso e ninguém fazia. Mas quando o zagueiro (é atacado e) sai pra defender, abre espaço e desorganiza a defesa.”  Eles organizaram de modo que Messi e Iniesta atacassem os centrais, tornando um dos pontos fortes da movimentação do Barcelona.  “Andrés tem aquela habilidade única para driblar, infiltrar. Ele também abriu meus olhos para a importância de se ter meias e atacantes por dentro que saibam driblar . Se ele dribla, ele carrega e tudo flui, Com o tempo, eu vi isso.” O livro de Guardiola ainda não tem data para ser lançado no Brasil.

 

 

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