Palmeiras não entrega o que promete e preocupa


Primeiro do grupo 5 com 13 pontos. Cem porcento de aproveitamento no Allians Park. Em seis partidas, uma única derrota. Só o Atlético Mineiro fez mais gols do que ele. A frieza dos números apresenta uma boa fase palmeirense na Libertadores da América que o campo ainda não ratificou. 

Sorteado para uma chave tranquila, o campeão brasileiro desde sempre foi apontado como favorito à liderança. Em tese,  o boliviano Jorge Wilsterman só apresentaria dificuldade na altitude de Cochabamba. O desconhecido argentino Atlético Tucuman estreiava na competição e o Peñarol, do Uruguai, era aquele que poderia complicar pela tradição que a camisa ainda carrega. No mais, eram favas contadas.

O que se viu até aqui, porém, foi algo diferente. As três vitórias do Palmeiras diante de sua torcida foram mais sofridas do que o necessário. Tanto a equipe boliviana como a uruguaia só caíram nos acréscimos. E o limitado time argentino – atual 17ª no certame nacional dos hermanos – mandou bola na trave, teve gol mal anulado e quase complicou um jogo que parecia todo verde quando Mina fez 1 a 0 com 15 minutos de bola rolando.

Fora de casa, o sofrimento não foi diferente. Empatou na Argentina, com um a menos,  virou em Montevideu e perdeu na Bolívia, na derrota que custou o cargo de Eduardo Baptista. Não há dúvidas que o elenco palmeirense é melhor e exatamente por isso, deveria ter passado com mais facilidade na chave. Uma equipe que cria e desperdiça oportunidades na mesma proporção. Sofre porque complica jogos fáceis. 

Em uma chave de relativa baixa qualidade técnica conseguiu passar. Mas será que esse futebol vai ser suficiente para as próximas fases quando o nível teoricamente aumenta e haverá a dificuldade de serem eliminatórias? Cuca já avisou que em mata-mata não se pode errar, ao custo de pagar caro como a eliminação para a Ponte Preta no Paulista. Será a melhor chance para esse elenco mostrar que aprendeu a lição.

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Chapecoense abusa da sorte e paga caro

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A Conmebol puniu a Chapecoense pela escalação irregular de jogador na vitória contra o Lanús, da Argentina. Perdeu os três pontos e a equipe catarinense ficou sem chance de se classificar no grupo da Libertadores. Ela vai recorrer, mas até agora, o confronto com o Zulia, da Venezuela, essa noite, só valerá para definir a terceira vaga da chave e garantir presença na próxima fase da Copa Sul-americana.

Não consigo botar toda a culpa na entidade nesse caso. Ela é uma bagunça, sim e não é de hoje. Bastava uma ligação para o clube. O velho e bom telefone. Para documentar, e-mails para a sede catarinense, diretamente, resolveriam o problema. Se quisesse sofisticar, WhattsApp também ajudaria.

Voltemos ao caso: o zagueiro Luiz Otávio foi expulso contra o Nacional na rodada anterior e acabou suspenso por três jogos. Portanto, não poderia atuar mais na fase de grupos. Acontece que a Confederação Sul-americana teria enviado e-mails a diferentes pessoas. Ao advogado do clube, sobre a punição da automática, cumprida na partida da Recopa. E para a CBF, a respeito do aumento da suspensão, pulando de um para três jogos sem poder ser escalado.

A notícia teria sido enviada para a Federação Catarinense que terminaria o telefone sem fio avisando a Chape, que mantém a informação de que não avisada, mas em termos. Digamos que realmente isso tenha acontecido, ela não pode alegar total desconhecimento de causa pois foi avisada antes de o jogo começar pelo delegado da Conmebol. Isso é amador, sim, como de resto toda a Libertadores da América. Bastava um pouco de prudência e trocar Luiz Otávio. Decidiu arriscar, o zagueiro fez o gol da vitória na Argentina, e hoje todo esse esforço terminou derrotado no tribunal.

Jogar a Libertadores o ano todo pode ser bom para o futebol brasileiro avançar

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A Conmebol anunciou hoje que a Libertadores passará a ser disputada de fevereiro a novembro. Vai portanto alinhar com os campeonatos nacionais, copas e Sul-americana. Trata-se de uma ótima decisão, que vai possibilitar outras mudanças nos calendários de todas as confederações sul-americanas, além de valorizar as duas competições de clubes que ela organiza.

A CBF vai esperar ter mais detalhes para se pronunciar. Deveria começar a imaginar uma temporada mais abrangente também. Está certo que o clube que disputar a principal competição do continente e seguir além das oitavas de final não irá disputar a Sul-americana e, no caso brasileiro, estará também fora da Copa do Brasil.

A Conmebol estuda a possibilidade de classificar os dez eliminados das oitavas da Libertadores para a Sul-americana da mesma temporada, o que já acontece com os clubes brasileiros no caso da Copa do Brasil. Ou seja, não haverá sobreposição de jogos com um mesmo time.

Seria legal se a temporada brasileira fizesse exatamente o mesmo com todas as competições. Que tal começar o Brasileirão em março e transformar os estaduais em jogos de meio de semana? Seria o mesmo que a temporada inglesa, por exemplo. Ela tem 20 clubes na primeira divisão, duas copas, a Champions e Liga Europa. Cinco competições no total. E tem data para todas. No Brasil, teríamos, o Brasileirão, a Copa do Brasil, o Estadual, a Libertadores e a Sul-americana. É questão de sentar, analisar e distribuir as datas. Para mim, seria um avanço.

Por favor, defina “representação política”

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Já há algum tempo, eu tenho escutado que o Brasil está acéfalo na Confederação Sul-americana de Futebol. Quase sempre a frase surge após uma eliminação de um clube brasileiro ou da nossa seleção em algum torneio do continente. Escutei de ex-jogadores como Ronaldo Fenômeno, e ultimamente na voz de jornalistas. Gostaria de entender o que os meus amigos da Imprensa estão sugerindo.

Realmente, a Seleção Brasileira foi eliminada da Copa América Centenária ao perder com um gol de mão do peruano. Também não se pode negar que a arbitragem andou mal na Libertadores. Mas o que estamos querendo? O que se entende por “representação política”? Se for para evitar erros da arbitragem, então, estamos admitindo que existe trabalho de bastidor. Estamos levando em conta o que Julio Grondona, na época presidente da Associação Argentina de Futebol, disse por telefone a um dirigente: que havia escalado Carlos Amarilla para apitar a partida do Boca Júniors contra o Corinthians em 2013.

Porque se estão sugerindo isso, seria bom que investigassem, que fossem atrás, fizessem o seu papel. Se os dirigentes dos clubes brasileiros concordam com a tese, deveriam tomar uma posição contrária ao comando da Conmebol. Normalmente, nossos presidentes tratam apenas de vociferar após os maus resultados.

É verdade que Marco Polo del Nero não representa o Brasil há um ano, que a CBF quase sempre manda outra pessoa para uma reunião na Fifa ou na sede da entidade sul-americana. Porém isso não pode esconder os fracassos dentro de campo. Não podemos esquecer que o Brasil só fez gol no Haiti durante a fase de grupos nos Estados Unidos. Que o chefe da comissão de arbitragem daquela competição era o brasileiro Wilson Seneme. Não se pode esquecer que o Atlético  Nacional é o melhor time da Libertadores e foi melhor nos dois jogos. E que erros da arbitragem aconteceram em todas as fases e com todos os times. Ou não houve um pênalti de Hudson ao segurar a camisa de Leonardo Silva, contra o Atlético Mineiro, na fase anterior? Como bem disse o jornalista inglês Tim Vickery,  “o futebol brasileiro ainda está fugindo da realidade, se escondendo atrás de chamado ‘momentos polêmicos.'”

Juiz errou, mas o Nacional foi melhor

 

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O torcedor do São Paulo foi dormir irritado com o juiz chileno Patrício Polic e com razão. Ele realmente errou ao não marcar um pênalti em Hudson no último minuto do primeiro tempo. Naquela altura, estava tudo 1 a 1 e se a infração fosse marcada, o time brasileiro teria a chance de virar o jogo na frente.

Ficaria faltando todo o segundo tempo para marcar mais um e ir para a final. Mas para quem tinha que vencer por três gols de diferença, ele voltou a apresentar a fragilidade técnica. Suas melhores e únicas oportunidades foram em duas bolas levantadas na área colombiana. A primeira, Calleri encobriu o goleiro Armani, e na segunda, o atacante, e artilheiro da Libertadores, acertou o lado externo do travessão.

E ficou nisso. O Nacional abusou da variação de jogadas. Fez o gol de empate com bola longa enfiada nas costas de Lugano. Borja, que já havia feito dois gols no jogo do Morumbi, tocou cruzado, sem chance de defesa. Além disso, Marlos perdeu dois gols dentro da área com jogadas esticadas na avenida Mena. O lateral não aguentou o ritmo da partida e os colombianos exploraram ali o tempo todo.

Na segunda etapa, o São Paulo voltou frio. Trocou passes sem criatividade. Reclamou de um pênalti que eu também não marcaria. Para mim, foi bola na mão. E viu o melhor time da competição envolver os brasileiros e controlar o placar. Criou outras 3 ótimas chances e fez o gol da vitória num pênalti existente. Carlinhos pulou com braço aberto, no língua da arbitragem, “atacou a bola”. Borja bateu muito bem. 2 a 1.

As expulsões de Lugano e Wesley foram consequência de quem sabia que não tinha mais chances. O São Paulo foi longe demais, se esfarelou ao longo da parada entre as quartas de final e as semifinais e agora vai pensar no Brasileirão, enquanto o Nacional espera pelo adversário.

 

E não há mais Brasil na Libertadores!

imageA eliminação do São Paulo nas semifinais da Libertadores aumenta o jejum brasileiro de participação em finais da principal competição sul-americana. Já são três anos sem um clube do país. O último, Atlético Mineiro em 2013. De lá pra cá foram dois argentinos, um paraguaio, um mexicano, agora o Nacional, da Colômbia,  e amanhã saberemos se será o Boca Júniors (terceiro argentino) ou o Independiente del Valle, do Equador.

Esse jejum nacional não acontecia por tanto tempo desde 1992 quando o São Paulo quebrou o tabu de sete anos sem um brasileiro na decisão da Libertadores. No caso atual, só estamos reforçando a atual fase do nosso futebol. A Seleção é sexta colocada nas Eliminatórias atrás de, vejam só que surpresa, Colômbia, Argentina e Equador. Há quem ache que estamos olhando o copo meio vazio, que somos eternos pessimistas com complexo de vira-latas. Eu prefiro chamar tudo isso de constatação.

Hoje é dia de se respirar São Paulo F.C.

O são-paulino já tomou as timelines das redes sociais. São fotos, frases de efeito e afeto ao clube do coração. Ele respira a partida contra o Nacional, de Medellin, como quem toma o último ar puro. Não há brechas para pensamentos negativos.

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Os últimos anos foram muito duros a ele. O torcedor do São Paulo, tão mal acostumado a vitórias, viu a história mudar. Nas últimas oito temporadas, teve que se contentar com um Sul-americano e nada mais. Onde se vendia organização, agora tem sopapos, registros policiais e presidentes depostos. Viu a cidade receber estádios modernos e o querido Morumbi deixado de fora da Copa do Mundo. Seus rivais ganharam títulos nacionais e internacionais. Enquanto isso…

Enquanto isso são-paulino, seu time foi ganhando forma e de um jeito argentino. Edgardo Bauza chegou em janeiro para dar uma cara a quem não tinha identidade. Começou acertando a defesa, descobriu Maicon como líder do grupo. Por cima, por baixo e no cara a cara. O São Paulo ganhou um capitão.

E foi com muita conversa que o treinador fez a maior contratação: trouxe de volta o futebol de Paulo Henrique Ganso. Fez o meia acreditar que era possível voltar a jogar bem e o convenceu a ficar próximo da área, chutar mais a gol. Para a tristeza são-paulina, o seu melhor jogador estará fora do confronto das semifinais. Perde em acertos de passes, conexão meio-campo/ataque, mas quem quer ser campeão da Libertadores precisa ter mais opções. Ítalo será o escolhido. “De outra forma, teríamos que usar jogadores muito jovens”, antecipou o treinador.

A sintonia fina do vestiário do São Paulo foi passada com muita conversa. Paton conseguiu convencer a todos que, a seu modo, se poderia chegar a algum lugar. O time comprou a ideia e foi se montando. “Alguém pode não gostar, mas temos sim um jeito. E os atletas sabem como devem jogar. Tivemos momentos muito difíceis e a equipe demonstrou personalidade e identidade muito clara, por isso estamos hoje entre os 4 melhores.”

E será desse jeito que o São Paulo pretende seguir adiante na Libertadores. Hoje é dia de você tomar as arquibancadas do Morumbi para ver o time de Bauza: “A equipe vai deixar a vida para deixar todo são-paulino feliz.”