Brasileiro está entre Guardiola e Simeone


Campeão francês pelo Mônaco, o brasileiro Fabinho terminou a temporada em alta – e muito alta- no futebol europeu. Além da faixa no peito, o jogador vai poder estudar, ao menos, duas propostas de mudanças de clube. 

A primeira seria para Manchester e passaria a integrar a armada azul do City que já tem Fernando, Fernandinho e Gabriel Jesus. Fabinho agradaria a Pep Guardiola pela versatilidade podendo jogar na lateral direita ou no meio-campo.

Outra opção é trocar a França pelo futebol espanhol, mais precisamente Madri. O Atlético de Simeone também o deseja, conforme revela hoje o jornal “Marca”. O clube aguarda uma decisão do TAS, na Suíça, para saber se poderá contratar alguém na janela de verão e investir em reforços. Fabinho seria a opção número um para o meio-campo na vaga de Tiago. Ele tem contrato até 2021, mas isso não parece ser um grande impeditivo. 

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A receita de Pep e Ferguson para construir um grande time

 

pep1Pep Guardiola deve ter estarrecido sua torcida, que já anda irritada com o treinador do Manchester City por causa dos resultados. Mas dessa vez, a surpresa é pela declaração que deu à TV americana, quando valorizou, neste momento, mais uma sequência de presença na Champions do que um eventual título europeu.

“Não temos a história com essa camisa como um Barcelona, Juventus, Bayern de Munique ou Manchester United, nem os seus títulos. Trata-se de estar nas competições europeias na próxima década, participar da Liga dos Campeões. Acredite: isso é mais importante para este clube do que ganhar um título. Temos de convencer as pessoas nesse clube sensacional que elas são boas. Eles são bons. E os torcedores também. Eles precisam acreditar que eles são bons, que o clube é bom, que os jogadores são bons.”

Para quem discordar, é bom dar uma lida no que Alex Ferguson diz em seu livro “Liderança”. O raciocínio do escocês, que treinou o United por 26 anos, é bem parecido com o do espanhol e hoje dirigindo o lado do rival azul de Manchester.

“O dinheiro não pode criar um clube de peso de uma hora para outra; não traz uma estirpe ou uma história; não enche os estádios de torcedores prontos para aguentar a chuva gelada e não faz os garotos sonharem.”

Ainda nesse sentido, Ferguson diz que “pode-se comprar o sucesso de curto prazo, mas o mesmo não funciona no longo prazo. Isso requer paciência e a construção de uma organização completa”. O arremate desse pensamento é certeiro: “Não consigo me lembrar de um único exemplo no futebol em que abrir o talão de cheques tenha transformado um clube em um vencedor de longo prazo.”

No futebol, o tempo nem sempre é tudo

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Uma das verdades do futebol é que se precisa de tempo para os resultados acontecerem, que não é do dia para a noite que as coisas mudam completamente. É isso, mas isso não é tudo. Ouso dizer que quando o trabalho é bem feito, as coisas começam a dar mostras de estar no caminho certo bem antes do título. Vou dar alguns exemplos por aqui:

Tite, no ano passado, chegou de volta ao Corinthians cheio de gás novo. Com nova mentalidade e novíssimos treinos, a equipe engatou um ótimo futebol e uma série invicta de 26 jogos até cair diante do Guarany, do Paraguai. Amadureceu com a eliminação precoce na Libertadores e colheu os frutos no Campeonato Brasileiro.

Zé Ricardo, esse ano, não precisou mais do que um turno para dar uma cara ao Flamengo. Adepto de treinos modernos, da periodização tática, transformou o futebol do rubro-negro a ponto de deixá-lo em  condições de brigar pelo título. Era técnico interino e vai terminar a temporada como revelação.

Cuca assumiu o Palmeiras em março, no meio do Paulista e da Libertadores, foi eliminado dos dois, e mandou o recado para ser cobrado no Campeonato Brasileiro, que começaria dois meses depois. Em 60 dias, mudou a equipe. De 26 rodadas, ela só não esteve na liderança em nove.

Lá de fora vem o exemplo mais claro. Em 45 dias, Pep Guardiola alterou a forma de jogar do Manchester City.  O espanhol assumiu com o desafio de provar que era possível se vencer no futebol inglês jogando o futebol que ele gosta. Já enfileirou 4 vitórias seguidas na Premier League, sendo uma no maior rival, o United, na casa do adversário.

A conclusão que chego é que onde se trabalha certo, o resultado aparece. Se o técnico tem uma convicção no que faz, com métodos e conceitos modernos, o time minimamente equilibrado responde bem. O tempo só melhora, mas quem é competente não precisa de muitos dias, vários jogos, para ver o rendimento crescer.

A dívida que Guardiola tem com Iniesta

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O “Guardian“, essa semana, trouxe um trecho do próximo livro de Pep Guardiola. Trata-se de como Andrés Iniesta ganhou ainda mais a admiração do ex-técnico do Barcelona. O, hoje, treinador do Manchester City reconhece  publicamente que o meia o auxiliou muito no começo de trabalho no clube catalão. E não estamos falando apenas da bola que ele sempre jogou.

A vida botou os dois se cruzando algumas vezes, muito antes de 2008. A primeira foi através de Pere, irmão de Guardiola, que o alertou para um garoto que estava disputando a Copa Nike pelo clube. “Eu ainda era jogador do Barcelona, me troquei e corri para ver o tal garoto. E vi como ele era bom! Disse pra mim mesmo que ele ia jogar pelo Barcelona, com certeza, e disse também ao Pere.”

Ao sair do clube, Guardiola encontrou-se com o jornalista Santiago Segurola e disse que ele tinha que ver aquele que acabara de ser eleito o melhor jogador da decisão da Copa Nike. “Fui até ele e disse que tinha visto algo incrível. Tinha um sentimento de que, o que havia testemunhado, era único. Essa  foi minha primeira impressão sobre Andrés.”

Mal poderia imaginar que anos depois, seria a vez de Iniesta apostar em Guardiola. O treinador conta que isso aconteceu logo depois de assumir o cargo no Barcelona vindo do time B. A torcida, através de uma pesquisa, queria Jose Mourinho e o trabalho começou com dois tropeços: derrota para o Numancia, fora de casa, e empate, no Camp Nou, contra o Racing Santander. Só Johan Cruyff o defendia nos jornais.

Num certo dia, Guardiola revia tudo o que tinha feito, revisava cada treino, repassava cada decisão no seu escritório, quando alguém bateu na porta, abrindo-a e pedindo para entrar. Era Iniesta, que ao receber o sinal positivo, saiu disparando: “Não se preocupe, professor. Nós vamos ganhar. Estamos no caminho certo. Siga do jeito que está, ok? Estamos jogando brilhantemente, estamos adorando os treinos. Por favor, não mude nada. Vamos passar por cima de todos eles” Dito isso, o jogador saiu.

Guardiola não esperava por aquela atitude, ainda mais vindo de alguém que não costuma se pronunciar muito. O fato é que naquela temporada, o clube catalão disputaria seis títulos. Ganharia todos. “Normalmente, as pessoas acham que o técnico é que tem que levantar o moral dos jogadores. Mas não foi assim comigo nesse caso e também no meu primeiro ano de Bayern de Munique”, revelou. “As pessoas acham que o técnico é a pessoa mais forte, o chefe do clube, mas na verdade, é a mais fraca.”

Taticamente, Iniesta também ajudou no crescimento do treinador. Ele deu o seguinte palpite: por que não atacar o zagueiro quando estiver com a bola? “Ele me fez ver como era importante isso e ninguém fazia. Mas quando o zagueiro (é atacado e) sai pra defender, abre espaço e desorganiza a defesa.”  Eles organizaram de modo que Messi e Iniesta atacassem os centrais, tornando um dos pontos fortes da movimentação do Barcelona.  “Andrés tem aquela habilidade única para driblar, infiltrar. Ele também abriu meus olhos para a importância de se ter meias e atacantes por dentro que saibam driblar . Se ele dribla, ele carrega e tudo flui, Com o tempo, eu vi isso.” O livro de Guardiola ainda não tem data para ser lançado no Brasil.

 

 

Apareceu o City de Guardiola

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Quando Pep Guardiola começou seu trabalho no Manchester City, ele foi claro e até repetitivo em suas primeiras aparições. Dizia que iria ter de se adaptar à Premier League, sabia que seria difícil engatar três vitorias seguidas, mas queria provar que seu jeito de jogar futebol emplacaria também na Inglaterra.

Pois, eis que, passadas as primeiras três rodadas do campeonato, o City lidera a competição, enfileirou 9 pontos em três jogos e mostra que, sim, é possível jogar como Pep deseja apesar do pouco tempo de trabalho. A equipe pressiona o homem da bola, tem amplitude e troca rápida de passes que envolvem o adversário e criam oportunidades de gol.

Em 17 minutos já estava 2 a 0 e seguiu mandando em campo. Poderia ter aumentado com uma melhor precisão dos atacantes. O West Ham até ameaçou empatar no segundo tempo, é verdade, mas a descoordenação pareceu momentânea. No fim, 3 a 1 e um aviso aos navegantes, o comandante catalão não foi para a Inglaterra à passeio.