Carta para Papai Noel (sobre 2017)

 

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(charge devidamente surrupiada do amigo Renato Peters)

Querido Papai Noel, mais um ano se foi e você ainda está me devendo alguns presentinhos. Ok, o tempo anda curto, assim como o dinheiro, mas eu falo de futebol, meu pai. Nem estou pedindo só para mim. Vou insistir mais uma vez, por favor, não brigue comigo porque não sou mimado. Sou apenas um torcedor.

  • quero paz entre meus amigos e aqueles que não torcem para o meu time. Azar deles, não é mesmo? Não usam aquela camisa bonita que é a minha. Aliás, ano novo, uniforme novo também. Hora de renovar o armário. Entendeu a dica?
  • sabe, se não for pedir muito, queria dirigentes mais inteligentes e que amassem o clube como a gente ama. Eles só querem saber dos cargos, nunca pensam em quem vai ao estádio, em quem compra os produtos do time. Bem que eles também podiam tratar o caixa como se fosse da empresa deles. Aposto que gastariam melhor o dinheiro. Eles vendem, vendem, vendem, e compram cada jogador… mais parece o Ruizinho aqui da rua. Ele fala que vai ser jogador, hum, sabe nada de bola, Papai.
  • O treinador pode ser moderno, de última geração, high tech. Essa é fácil. Só não gosto daqueles que ficam ali parados na beira do campo. Parece que estão jogando Pokemon Go. Eu quero é gol!!! Com “l”!!!
  • Aqui em casa, dizem que o dinheiro anda curto para todo mundo, então, não posso querer ganhar o Messi para o meu time. Eu entendo. Mas não me dê mais perna de pau. Eu cresci, já entendo que futebol só joga quem sabe, quem se movimenta, quem tem cérebro para tomar decisões. As vezes, você me manda uns que só meu irmão caçula para achar que ele vai dar jeito no time.

Não quero escrever demais para você ter tempo de correr atrás dos meus pedidos. O ano novo está logo ali e já já meu time volta a treinar. Vou parando por aqui. A TV vai passar um jogão. Eu até já sei o placar, mas é fim-de-ano e meu time tá de férias – porque ninguém é de ferro. Quem gosta de futebol, gosta de jogão, acho que você me entende.

Feliz Natal, Papai Noel. Que Deus te dê felicidade e um monte de dinheiro para você investir no meu time. Quem sabe não venha um bônus e eu ganhe um título no ano também. Aí seria demais! Muita paz nas arquibancadas, pipoca, sorvete e refrigerante para todo mundo e que a alegria de uma vitória dure o ano todo.

Beijos

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Façam suas apostas: quem vai durar?

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Três grandes clubes do Brasil. Juntos, somam 21 títulos de Campeonatos Brasileiros, seis Copas do Brasil, cinco Mundiais e cinco Libertadores. Na última temporada foram os times que mais levaram torcida aos estádios no país. Não há dúvidas que Palmeiras, São Paulo e Corinthians são gigantes e vitoriosos. Se atraem público, também chamam a atenção, o que só aumenta o desafio de quem comanda o futebol por lá. Pois sob esse aspecto é que quero debater: quem se arriscou mais nas contratações dos novos treinadores?

Comecemos pelo Palmeiras. Último campeão brasileiro, o nono título da competição, aliás, o maior vencedor. Ouviu um “não” de Cuca, que não quis renovar, e apostou em Eduardo Baptista. Entre o trio de treinadores, é o mais experiente “pero no mucho”. Assumiu o cargo há três temporadas no Sport Recife. Tem 46 anos e dois títulos de expressão: a Copa do Nordeste e o Estadual de Pernambuco, ambos em 2014.

Seu grande ano , porém, foi em 2015, quando o Sport Recife fez ótima campanha no Brasileirão. Esteve em alta até trocar o time do Recife pelo Fluminense durante a mesma temporada. Um erro que lhe custou o cargo meses depois e deixou a pecha de treinador que não vingou em um time de maior orçamento.

Este ano, dirigiu a Ponte Preta no Campeonato Nacional e estava seguro no cargo até aceitar substituir Cuca. Terá uma temporada cheia de desafios. Levar o Palmeiras ao segundo título da Libertadores é a obsessão de 2017. Antes, terá que descobrir um substituto para Gabriel Jesus. O torcedor, que mostrou não estar convencido da qualidade do novo comandante, pode esperar uma equipe organizada, compacta e que saberá o que fazer em campo. Para isso, uma dose de paciência será exigida junto às arquibancadas pois aquele time campeão, que dominou o segundo semestre, perdeu duas peças muito importantes.

Paciência é uma palavra que cabe aos outros dois rivais. No São Paulo, Rogério Ceni é M1to e ponto final. Ou mais ou menos isso. O goleiro, sem dúvida. O técnico vai ter de ser experimentado. Apenas um ano de aposentadoria ajuda a saber como estão os vestiários modernos, mas, aos 43 anos, ele está preparado para administrar o grupo?

A presença do inglês Michael Beale na comissão técnica vai ajudar na construção dos treinos. Ele já tem experiência nisso, com passagem pelo Liverpool, e sabe observar a base também. Agora, ninguém pode assegurar o futuro de um time que tem no comando um treinador novato. Modelo de jogo, esquemas táticos, haja interrogação sobre o que será RC como técnico são-paulino. Da mesma forma, ninguém imagina o tamanho da paciência com o ídolo caso os resultados não apareçam.

Fábio Carille também depende de resultados para sobreviver no Corinthians. Guindado ao posto de técnico, depois de oito anos auxiliando Mano Menezes, Adílson Batista, Tite,  Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira, ele tem a vantagem de conhecer o grupo e o clube. Sabe quais são as deficiências do elenco. Muitas. As qualidades, poderá explorá-las também.

O novo treinador corintiano tem a mesma idade do colega do São Paulo. Assumiu dizendo que vai trabalhar como Tite. Na coletiva, tudo funcionou bem, no campo é que são elas. Dirigiu interinamente o time dez vezes. Venceu quatro e perdeu outras quatro, com dois empates. Pode alegar, com razão, que nunca teve tempo para trabalhar e aí pode residir o problema. Quem, depois de Tite teve tempo no Corinthians atual?

Carille sabe que precisa ganhar e vai jogar as fichas no Paulistão. “É o nosso Mundial”, exagerou. Melhor seria dizer que é o “Mundial” dele. Ele não pode desconhecer a efervescência política que vive o clube. Gente querendo tirar o presidente e um presidente que anda se escondendo de gente. Roberto de Andrade bancou, de peito estufado, a contratação de Oswaldo de Oliveira. Nove míseros jogos depois, de barriga murchinha, o demitiu. Se o treinador do “presidente” caiu em tão pouco tempo, por que Carille deve acreditar que terá vida longa sem vitórias?

A temporada 2017 está logo ali. As fichas foram todas postas. Os clubes escolheram seus comandos e não há ilusão de que o rendimento será avaliado antes das vitórias. Acreditar nisso é tão difícil quanto achar que Eduardo, Rogério e Carille, os três, estarão nos seus cargos no fim do ano que vem.

Sejamos mais colombianos, Brasil!

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A discussão hoje é se o presidente Michel Temer vai ou não até o estádio  da Chapecoense. Se será vaiado ou não. Esse nosso país está mesmo todo errado. Quando as pessoas vão se tocar que não se trata de partido político ou qualquer outra coisa que não seja a solidariedade? Fosse Dilma, Temer, FHC, Jânio Quadros ou Marechal Deodoro. O que menos importa é a figura do presidente da República, mas o velório de pessoas queridas, que morreram de forma trágica e que receberam todo o carinho do povo colombiano.
Temer deveria ir até o velório. É missão de um presidente prestar solidariedade, estar presente e dividir a dor. Fosse ele humilde, pouco se importaria para a imagem e para o que pudesse acontecer (ser vaiado por 22 mil pessoas) e estaria lá de corpo presente na Arena Condá. Pior foi pedir para que as famílias fossem até ele no aeroporto. Por que  raios deveriam?
Se alguém vai a um velório para vaiar outra pessoa, ele não está lá pela dor da perda de entes queridos, mas pelo fato político. Será que não somos capazes de nos tocar diante de um fato como esse? Será que o Fla e o Flu são mais importantes do que a vida? E foram 71 vidas! Não aprenderemos nada com as manifestações dos colombianos? Não se trata de política. Se trata de solidariedade. Como teve a mãe do goleiro Danilo. Se trata disso aqui abaixo:
 

Lei do governo obriga Corinthians a dieta financeira rígida

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Foto: © Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

A torcida anda de cara amarrada, mas o Corinthians versão 2016 segue uma “dieta financeira” rígida para se adequar ao Profut. A explicação dada pelo presidente Roberto de Andrade na coletiva de terça-feira foi ratificada pelo diretor financeiro do clube. Émerson Piovesan confirmou que desde o segundo trimestre deste ano, apenas 70% da receita tem custeado o departamento de futebol.

Depois de gastar com o futebol 83% do que arrecadou no ano passado, e 92% em 2014, o clube se viu obrigado a fazer um regime forçado, imposto pela lei assinada em 2015. Ela ajudou a refinanciar as dívidas com o governo em um prazo de 20 anos, reduzindo multas e juros, mas exigiu essa adequação. “Ela tem variado. As vezes fica abaixo dos 70%, em outros meses, 71, 72%.”, comentou Piovesan. A saída dos principais jogadores sem a reposição no mesmo patamar salarial ajudou muito a atingir esse objetivo.

O presidente descartou qualquer grande investimento, tratado como algo fora da realidade, e o diretor financeiro conta com um pouco de paciência da torcida para apostar no futuro. Ele acha que se todos os departamentos mantiverem os esforços por mais este semestre, o elenco poderá ser mais competitivo na próxima temporada. O Corinthians já não deve mais salários ao elenco (outra obrigação junto ao Profut) e busca o equilíbrio financeiro para poder ter mais investimento. “O clube tinha muitas dificuldades quando assumimos e a nossa filosofia é ter os pés no chão, por isso não fizemos grandes contratações. Mas para o ano que vem, se mantiverem o conjunto das ações atuais, será possível investimentos maiores.” Resta saber se a torcida vai saber esperar até lá.