A receita de Pep e Ferguson para construir um grande time

 

pep1Pep Guardiola deve ter estarrecido sua torcida, que já anda irritada com o treinador do Manchester City por causa dos resultados. Mas dessa vez, a surpresa é pela declaração que deu à TV americana, quando valorizou, neste momento, mais uma sequência de presença na Champions do que um eventual título europeu.

“Não temos a história com essa camisa como um Barcelona, Juventus, Bayern de Munique ou Manchester United, nem os seus títulos. Trata-se de estar nas competições europeias na próxima década, participar da Liga dos Campeões. Acredite: isso é mais importante para este clube do que ganhar um título. Temos de convencer as pessoas nesse clube sensacional que elas são boas. Eles são bons. E os torcedores também. Eles precisam acreditar que eles são bons, que o clube é bom, que os jogadores são bons.”

Para quem discordar, é bom dar uma lida no que Alex Ferguson diz em seu livro “Liderança”. O raciocínio do escocês, que treinou o United por 26 anos, é bem parecido com o do espanhol e hoje dirigindo o lado do rival azul de Manchester.

“O dinheiro não pode criar um clube de peso de uma hora para outra; não traz uma estirpe ou uma história; não enche os estádios de torcedores prontos para aguentar a chuva gelada e não faz os garotos sonharem.”

Ainda nesse sentido, Ferguson diz que “pode-se comprar o sucesso de curto prazo, mas o mesmo não funciona no longo prazo. Isso requer paciência e a construção de uma organização completa”. O arremate desse pensamento é certeiro: “Não consigo me lembrar de um único exemplo no futebol em que abrir o talão de cheques tenha transformado um clube em um vencedor de longo prazo.”

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Jogar a Libertadores o ano todo pode ser bom para o futebol brasileiro avançar

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A Conmebol anunciou hoje que a Libertadores passará a ser disputada de fevereiro a novembro. Vai portanto alinhar com os campeonatos nacionais, copas e Sul-americana. Trata-se de uma ótima decisão, que vai possibilitar outras mudanças nos calendários de todas as confederações sul-americanas, além de valorizar as duas competições de clubes que ela organiza.

A CBF vai esperar ter mais detalhes para se pronunciar. Deveria começar a imaginar uma temporada mais abrangente também. Está certo que o clube que disputar a principal competição do continente e seguir além das oitavas de final não irá disputar a Sul-americana e, no caso brasileiro, estará também fora da Copa do Brasil.

A Conmebol estuda a possibilidade de classificar os dez eliminados das oitavas da Libertadores para a Sul-americana da mesma temporada, o que já acontece com os clubes brasileiros no caso da Copa do Brasil. Ou seja, não haverá sobreposição de jogos com um mesmo time.

Seria legal se a temporada brasileira fizesse exatamente o mesmo com todas as competições. Que tal começar o Brasileirão em março e transformar os estaduais em jogos de meio de semana? Seria o mesmo que a temporada inglesa, por exemplo. Ela tem 20 clubes na primeira divisão, duas copas, a Champions e Liga Europa. Cinco competições no total. E tem data para todas. No Brasil, teríamos, o Brasileirão, a Copa do Brasil, o Estadual, a Libertadores e a Sul-americana. É questão de sentar, analisar e distribuir as datas. Para mim, seria um avanço.

Reunião vai definir futuro de “Big Sam”

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Flagrado em conversas em que dizia poder ensinar empresários a burlar a Federação Inglesa, o técnico da seleção Sam Allardyce foi chamado a Londres para se explicar. O jornal The Telegraph, informou que desde hoje de manhã, Greg Clarke, presidente da FA, e o secretário-executivo da entidade, Martin Gleen, estão reunidos na sede que fica no estádio de Wembley para discutir o futuro de “Big Sam”. As chances de o anúncio da demissão acontecer ainda hoje são enormes.

Segundo o jornal, ontem, Allardyce e os dirigentes tiveram uma conversa telefônica para tratar do assunto. Hoje de manhã, o técnico, que está no cargo desde julho, deixou Bolton cedinho para ir até a capital inglesa se defender.

Ele teve conversas gravadas em vídeos com jornalistas que se passaram por representantes de empresas asiáticas. Elas queriam lucrar com a compra de parte dos direitos de jogadores do futebol inglês. Porém, uma regra da FA proíbe essa prática desde 2008. Allardyce disse aos falsos empresários que sabia como burlá-la e receberia 400 mil libras pelos ensinamentos.

Na edição de ontem, o Telegraph publicou a matéria em que “contratava” a ajuda do treinador. A FA pediu todos os dados ao jornal para discutir o futuro de Allardyce.

Escândalo pode derrubar “Big Sam”

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Explodiu como uma bomba no futebol da Inglaterra a reportagem do Telegraph, de hoje. Dois repórteres se disfarçaram de empresários e “contrataram” o técnico da seleção inglesa, Sam Allardyce, para dar dicas de como burlar uma regra da Federação Inglesa que não permite que terceiros sejam donos de partes de direitos de jogadores. A denúncia já obrigou a FA a requisitar todo material (que inclui um vídeo gravado) levantado pelo jornal em conversas com Allardyce, que pode perder o emprego nos próximos dias.

O treinador foi apresentado aos “representantes de empresas asiáticas” pelo agente de futebol, Scott McGarvey, que desconhecia a farsa. À esta altura, “Big Sam”, como costuma ser chamado, já havia assumido o cargo de técnico da Inglaterra ganhando três milhões de libras, mais bônus, por ano. No vídeo gravado, em nenhum momento, se mostrou incomodado por ensinar outros a burlar uma regra criada por quem pagava o salário dele. Desde 2008, a FA proíbe a compra de parte dos direitos econômicos dos jogadores por empresas ou pessoas. A Fifa adotou a mesma medida a partir de 2015.

Na semana passada, Allardyce se reuniu com os falsos empresários em um restaurante, em Manchester, marcando data para uma viagem até Cingapura. Receberia, segundo o jornal, algo em torno de 400 mil libras. Sem saber que estava sendo filmado, “Big Sam” disse que teria como ajudar os empresários a terem lucros com as transações milionárias do mercado inglês. Ele disse que conhecia alguns agentes que burlavam a toda hora o que chamou de “regras ridículas” da FA. A entidade aguarda receber todo o material para tomar uma posição. Allardyce não respondeu aos questionamentos feitos pelo Telegraph antes de publicar a matéria.

A dívida que Guardiola tem com Iniesta

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O “Guardian“, essa semana, trouxe um trecho do próximo livro de Pep Guardiola. Trata-se de como Andrés Iniesta ganhou ainda mais a admiração do ex-técnico do Barcelona. O, hoje, treinador do Manchester City reconhece  publicamente que o meia o auxiliou muito no começo de trabalho no clube catalão. E não estamos falando apenas da bola que ele sempre jogou.

A vida botou os dois se cruzando algumas vezes, muito antes de 2008. A primeira foi através de Pere, irmão de Guardiola, que o alertou para um garoto que estava disputando a Copa Nike pelo clube. “Eu ainda era jogador do Barcelona, me troquei e corri para ver o tal garoto. E vi como ele era bom! Disse pra mim mesmo que ele ia jogar pelo Barcelona, com certeza, e disse também ao Pere.”

Ao sair do clube, Guardiola encontrou-se com o jornalista Santiago Segurola e disse que ele tinha que ver aquele que acabara de ser eleito o melhor jogador da decisão da Copa Nike. “Fui até ele e disse que tinha visto algo incrível. Tinha um sentimento de que, o que havia testemunhado, era único. Essa  foi minha primeira impressão sobre Andrés.”

Mal poderia imaginar que anos depois, seria a vez de Iniesta apostar em Guardiola. O treinador conta que isso aconteceu logo depois de assumir o cargo no Barcelona vindo do time B. A torcida, através de uma pesquisa, queria Jose Mourinho e o trabalho começou com dois tropeços: derrota para o Numancia, fora de casa, e empate, no Camp Nou, contra o Racing Santander. Só Johan Cruyff o defendia nos jornais.

Num certo dia, Guardiola revia tudo o que tinha feito, revisava cada treino, repassava cada decisão no seu escritório, quando alguém bateu na porta, abrindo-a e pedindo para entrar. Era Iniesta, que ao receber o sinal positivo, saiu disparando: “Não se preocupe, professor. Nós vamos ganhar. Estamos no caminho certo. Siga do jeito que está, ok? Estamos jogando brilhantemente, estamos adorando os treinos. Por favor, não mude nada. Vamos passar por cima de todos eles” Dito isso, o jogador saiu.

Guardiola não esperava por aquela atitude, ainda mais vindo de alguém que não costuma se pronunciar muito. O fato é que naquela temporada, o clube catalão disputaria seis títulos. Ganharia todos. “Normalmente, as pessoas acham que o técnico é que tem que levantar o moral dos jogadores. Mas não foi assim comigo nesse caso e também no meu primeiro ano de Bayern de Munique”, revelou. “As pessoas acham que o técnico é a pessoa mais forte, o chefe do clube, mas na verdade, é a mais fraca.”

Taticamente, Iniesta também ajudou no crescimento do treinador. Ele deu o seguinte palpite: por que não atacar o zagueiro quando estiver com a bola? “Ele me fez ver como era importante isso e ninguém fazia. Mas quando o zagueiro (é atacado e) sai pra defender, abre espaço e desorganiza a defesa.”  Eles organizaram de modo que Messi e Iniesta atacassem os centrais, tornando um dos pontos fortes da movimentação do Barcelona.  “Andrés tem aquela habilidade única para driblar, infiltrar. Ele também abriu meus olhos para a importância de se ter meias e atacantes por dentro que saibam driblar . Se ele dribla, ele carrega e tudo flui, Com o tempo, eu vi isso.” O livro de Guardiola ainda não tem data para ser lançado no Brasil.

 

 

Eles são empresários, milionários e malditos

mino raiola

Na edição de segunda-feira do jornal alemão, Die Welt, uma longa entrevista com o técnico Carlo Ancelotti, do Bayern de Munique, foi encerrada com a seguinte pergunta: os agentes dos jogadores estão, hoje, com muita influência no futebol? A resposta foi “Sim! Muitos clubes tem dado muito poder a eles. Mas precisaria ficar claro que quem vai aos estádios ou assiste pela TV, querem ver os jogadores. São eles, os jogadores, a coisa mais importante no futebol. Não os técnicos ou os empresários.

 O treinador italiano é conhecido pela distância que tem junto a essa figura que aprendemos desde sempre a contestar: o empresário/intermediário/manager/agente. Dê o nome que for. Aos olhos dos torcedores, eles são sempre maléficos, destruidores de elenco ou assediadores de talentos. A Fifa , oficialmente, diz ter banido a figura desse personagem no futebol, mas o que se vê, na prática, é que isso está muito distante de se tornar verdade.

Nos últimos dias, a imprensa europeia chamou a atenção para os ganhos de Mino Raiola, o homem que em apenas três negociações ganhou mais do que Cristiano Ronaldo recebe no Real Madrid em um ano. Ao intermediar as transferências de Ibrahimovic, Pogba e Mkhitaryan para o Manchester United, ele botou no bolso mais de 30 milhões de euros. Já o astro português, duas vezes eleito o melhor do mundo, atual campeão europeu de seleções, precisa trabalhar 12 meses para ganhar 21 milhões de euros.

Às custas da lista de desejo de José Mourinho, segundo a imprensa europeia, o United pagou ao italiano, 25 mihões por Pogba, outros 8 milhões pela ida de Mkhitaryan e “míseros” 3 milhões para levar Ibra a jogar em Manchester. O verão milionário de Raiola lhe outorgou o rótulo de empresário do ano.

Nascido em Salerno, sul da Itália, ele acompanhou a família para Haarlem, na Holanda, e ajudou a cuidar da pizzaria da família. Hoje, aos 48 anos, pouco sobrou do jovem que lavava pratos e arrumava as mesas dos clientes. O grande salto veio ao ajudar, como intérprete, na transferência de Dennis Bergkamp do Ajax para a Inter de Milão em 1993. Não parou mais. Foi ele que tirou Pogba do mesmo United em 2012, quando o jogador francês acabara de subir para o time principal. O levou para a Juventus, da Itália, e agora o trouxe de volta. Com sorriso no rosto. E muito dinheiro no bolso.