Cuca chegou pedindo calma ao Palmeiras

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 (Foto: Cesar Greco / Fotoarena)

A apresentação de Cuca, agora há pouco, deixou claro qual será a maior preocupação do novo treinador do Palmeiras nesse primeiro momento. Ele quer fazer a torcida e o clube (entenda-se conselheiros) entenderem que a pressão por títulos no modo que está não fará bem ao elenco. Na conversa de pouco mais de meia hora com a Imprensa, o treinador enfatizou sempre que a necessidade de ganhar campeonatos aumentou ainda mais, após a campanha vitoriosa do ano passado.

“Um time como o Palmeiras, por si só, já tem a cobrança por títulos, não precisa puxar mais essa pressão.” Porém, Cuca sabe que reassumiu o clube refém do próprio sucesso e do investimento que foi feito. “Se ganhar de 1 a 0 é questionado, não convenceu. Vou ser muito mais questionado do que no ano passado. E mesmo que tivesse continuado, teria um problema grande pelo investimento que foi feito.”

Mesmo afastado por quatro meses, ele disse que estava seguindo o futebol brasileiro. Lamentou não ter tido a chance de acompanhar os treinos em clubes europeus como havia planejado, mas que já era hora de retornar ao trabalho. Sobre o grupo de jogadores, minimizou as mudanças. Analisou que são apenas três em relação ao campeão brasileiro do ano passado: Borja no lugar de Gabriel Jesus, Felipe Melo na vaga de Moisés e Guerra por Cleiton Xavier. Também por conhecer o grupo, acha que terá o trabalho um pouco mais facilitado.

A estreia será contra o Vasco, no Allianz Park e ele não pretende mexer muito no que considerou ser um “bom trabalho do Eduardo” Baptista. “O grupo precisa entender que em jogo de mata-mata, você não pode ter um mau dia como aquele”, se referiu à derrota por 3 a 0 para a Ponte Preta nas semifinais do Paulista.

Cuca antecipou que vai avaliar o elenco em duas semanas e que quer um grupo grande porque terá pela frente uma longa temporada. Listou 31 jogos em 103 dias, com partidas no meio e fim-de-semana ininterruptamente por quase quatro meses. “Serão lutas duras. A gente tem que se preparar bem. Não é fácil, mas a gente vai lutar”, sentenciou.

 

 

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No futebol, o tempo nem sempre é tudo

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Uma das verdades do futebol é que se precisa de tempo para os resultados acontecerem, que não é do dia para a noite que as coisas mudam completamente. É isso, mas isso não é tudo. Ouso dizer que quando o trabalho é bem feito, as coisas começam a dar mostras de estar no caminho certo bem antes do título. Vou dar alguns exemplos por aqui:

Tite, no ano passado, chegou de volta ao Corinthians cheio de gás novo. Com nova mentalidade e novíssimos treinos, a equipe engatou um ótimo futebol e uma série invicta de 26 jogos até cair diante do Guarany, do Paraguai. Amadureceu com a eliminação precoce na Libertadores e colheu os frutos no Campeonato Brasileiro.

Zé Ricardo, esse ano, não precisou mais do que um turno para dar uma cara ao Flamengo. Adepto de treinos modernos, da periodização tática, transformou o futebol do rubro-negro a ponto de deixá-lo em  condições de brigar pelo título. Era técnico interino e vai terminar a temporada como revelação.

Cuca assumiu o Palmeiras em março, no meio do Paulista e da Libertadores, foi eliminado dos dois, e mandou o recado para ser cobrado no Campeonato Brasileiro, que começaria dois meses depois. Em 60 dias, mudou a equipe. De 26 rodadas, ela só não esteve na liderança em nove.

Lá de fora vem o exemplo mais claro. Em 45 dias, Pep Guardiola alterou a forma de jogar do Manchester City.  O espanhol assumiu com o desafio de provar que era possível se vencer no futebol inglês jogando o futebol que ele gosta. Já enfileirou 4 vitórias seguidas na Premier League, sendo uma no maior rival, o United, na casa do adversário.

A conclusão que chego é que onde se trabalha certo, o resultado aparece. Se o técnico tem uma convicção no que faz, com métodos e conceitos modernos, o time minimamente equilibrado responde bem. O tempo só melhora, mas quem é competente não precisa de muitos dias, vários jogos, para ver o rendimento crescer.

Isso se chama trabalho

Mais uma rodada em que líder e vice-líder ganham e se garantem na luta pelo título. Cada um a seu modo. Somando pontos, jogando bem e aproveitando as circunstâncias que aparecem. Tudo devidamente pensado, treinado, trabalhado.

O Palmeiras de Cuca é cirúrgico quando tem que ser. Joga aproximado, com volume de jogo, chegando na área adversária com muita movimentação. Foi assim que rapidamente saiu na frente do clássico em Itaquera. A entrada de Moisés na área deu a ele a chance de forçar o erro da zaga e de ele aproveitar para fazer o gol. A partir daí, era se fechar, jogar no erro do pressionado adversário que as chances viriam. O time tem qualidade técnica para dosar as energias.

Não concordo com a pecha que tentam colocar de Cucabol, como se o Palmeiras só soubesse jogar de um modo. Que modo? Aquele que busca Gabriel Jesus a ponto de estar entre os artilheiros? Só se for por baixo, com bolas infiltradas e de velocidade, pois sabemos que a cabeçada não é lá o forte dele. A arma aérea é com a zaga. Mina, Vítor Hugo, Dracena. Ora pois, gol de cabeça vale menos?  Trata-se de um time que sabe o que fazer com a bola. Tem um repertório de jogadas para o momento e para a dificuldade do jogo.

O Flamengo sofreu mais com a ansiedade do que uma possível boa técnica do Figueirense. Nota-se, claramente, o pensamento de Zé Ricardo no comando. Contra um adversário fechado, com 6 homens no meio-campo, ele avançou os laterais para ganhar amplitude, obrigando o adversário a se esparramar atrás para marcar. Assim, seus homens de meio e principalmente os zagueiros puderam ter condições de enfiar as bolas pelo miolo bagunçando a marcação catarinense. O rubro-negro fez 2 a 0 e poderia ter goleado não fossem alguns erros de finalização.

São duas equipes que tem a cara de seus treinadorores. A de Cuca, um pouco mais aguerrida. A do Zé, ligeiramente mais técnica. As duas são muito boas, eficientes e que dão aos torcedores a alegria de ver os resultados surgindo. Merecem estar onde estão.

 

Palmeiras, teu nome é consistência

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Um futebol consistente não assegura a nenhum time a vitória, mas sempre lhe dará a oportunidade de se recuperar rapidamente. O Palmeiras que deixou de ganhar da Ponte Preta, em casa, domingo passado,  foi o mesmo que hoje venceu o Fluminense. Corrigiu os erros defensivos da semana anterior e manteve volume e concentração no lado ofensivo. Fez dois gols, poderia ter feito mais e aumentou a diferença para o vice-líder, que agora é o Flamengo, para 3 pontos.

Cuca vai assim cumprindo a promessa que fez ao ser eliminado no Campeonato Paulista. “Podem nos cobrar o título brasileiro”, dizia. Vinte e duas rodadas já se passaram e o palmeirense sorri de orelha a orelha com o que seu time tem mostrado. Se não é mais a equipe avassaladora das primeiras dez rodadas, tem sabido controlar bem a distância para a concorrência, transformando resultados aparentemente ruins, em muito bons por conta da sequência. Exemplo: neste returno ganhou dois jogos fora de sua arena contra Atlético Paranaense e Fluminense. Missão nunca fácil. Isso minimizou o empate com a Ponte.

O elenco comprou a ideia do treinador, se entrega a cada partida, tem foco, tática e qualidade. Ainda vai oscilar, com certeza, mas em relação aos outros, parece ser quem mais equilíbrio tem. O Corinthians já tentou se manter no primeiro lugar e caiu de produção. O Inter despencou da liderança efêmera para o Z4. O Grêmio não consegue se aproximar de vez. O Santos vai na mesma toada. O Atlético Mineiro era o adversário da hora e perdeu terreno. A bola está com o Flamengo. O torcedor rubro-negro costuma ficar animado nessas horas e repetir como um mantra: “Deixaram o Mengão chegar. Agora, segura.” Porém, chegar é uma coisa. Passar é outra, já dizia meu xará da família Bueno.