A culpa é do Tite

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Em uma palavra: patético. Assim eu defino o pronunciamento do presidente do Corinthians após perder o clássico para o Palmeiras e demitir o técnico. O dirigente, xingado e aplaudido cinicamente pela torcida em Itaquera até tentou ser humilde e pedir desculpas por ter se exaltado, mas não conseguiu explicar a saída de Cristóvão Borges.

“O presidente quer acertar. Desculpe se errei”, disse, logo depois de anunciar a demissão do treinador. Esse erro até dá para entender porque não havia muita opção naquele momento em que perdeu Tite para a Seleção Brasileira. O problema é não conseguir convencer quanto à mudança de posição dois dias depois de ter bancado que Cristóvão ficaria no comando do elenco. Aliás, ele e o diretor-adjunto de futebol, Eduardo Ferreira.

Roberto disse que optou por demitir  o agora ex-técnico em função dos resultados. Mas negou que o clube esteja com dívidas, que tenha um elenco enfraquecido pelas constantes saídas. Mais ainda, disse que não vendeu 20 jogadores para quitar as dívidas. “Eles não quiseram ficar no Corinthians.”

Pior de tudo isso. Roberto de Andrade sequer divide com a comissão técnica, o fato de os jogadores contratados esse ano não terem sido bons. “Eles me entregam a lista e eu contrato”.

Diante disso, presume-se que os erros são todos do Tite, antes, e agora de Cristóvão e futuramente de Fábio Carille, que assume até dezembro. O senhor Andrade, se por acaso errar, desculpem-no, afinal, ele nunca erra, mas, se isso vier acontecer, tenham certeza, foi sem querer.

A barca de Cristóvão parece sem rumo

() SPO
Foto: © Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

A incoerência de Cristóvão é de chamar a atenção. Ele testou Cristian no lugar de Giovanne Augusto no treino de hoje. O meia sente dores musculares e é dúvida contra o Coritiba. Mais dúvidas tem o torcedor em relação à cabeça do técnico do Corinthians. Como entendê-la se, domingo, para a mesma substituição, ele preferiu Willians, tendo Cristian no banco? Não que a fase de um esteja melhor do que a do outro, mas a escolha dessa tarde mostra a total falta de confiança no rendimento do elenco. Ele vai por tentativa e erro. Cristian serviu para ser titular contra o Sport, foi reserva o tempo todo no clássico. Agora, volta a ser primeira opção.
A sorte do clube é que o torcedor não desanima nunca. Passada a tristeza da derrota de domingo, lá vai ele agora apostar que o time irá bem amanhã, no Paraná. Tudo não passa de uma questão de ver a bola meio cheia ou meio vazia. Qual Corinthians vai entrar em campo no Couto Pereira? O do primeiro tempo contra o Sport ou o do segundo, que venceu com facilidade o time pernambucano? Aquele que se impôs na Vila Belmiro, fez um gol e poderia ter ampliado ou o cansado e tímido da etapa final, que levou a virada?
Time bipolar esse. Está bem, está mal. Joga bem em um tempo e entrega no outro. Já são nove meses sem conseguir emplacar uma vitória em jogo grande, importante. Quando decidiu na Libertadores e no Paulistão, foi eliminado. No Brasileirão, quando pôde encostar nos líderes e incendiar a campanha, botou um pé no freio. E, sejamos justos, isso acontece desde a era Tite.
Se é verdade que o Corinthians tem se dado bem contra os times da ponta de baixo, não é mentira dizer que fora de casa, o rendimento é bem ruim ( 4 vitórias em cima de Inter, Chapecoense, América Mineiro e Sport e 8 derrotas, sendo metade nas últimas quatro partidas fora ).
Cristóvão levará a Curitiba, toda sua insegurança. Não há esquema ou modelo de jogo que dure mais do que uma rodada.Será surpresa se o grupo, que é limitado técnica e taticamente, ainda confiar em um trabalho assim. Sem rumo, sem caminho. Apenas uma tabela a ser cumprida.

A dura missão de Cristóvão

CAMPEONATO BRASILEIRO 2016 SANTOS X CORINTHIANS
Foto: Rodrigo Gazzanel

As redes sociais ficaram lotadas de críticas ao trabalho de Cristóvão Borges, ontem à tarde. Todos reclamando sobre as alterações feitas pelo treinador quando o Corinthians ganhava do Santos por 1 a 0. Mexeu mal e levou a virada. Sim, ele errou ao tirar Gustavo, único centroavante da equipe. Porém, àquela altura a equipe já era sufocada pelos donos da casa e havia perdido a disputa do meio-campo.

O técnico justificou que tentou dar vida nova ao ataque, que já não segurava a bola na frente. Aí, ele deve ter olhado para o banco e viu três volantes de contenção ( Cristian, Jean e Willians ), Romero, atacante que funciona melhor jogando aberto, Isaac, centroavante nunca testado, e Marquinhos Gabriel, que funciona como meia e atacante. Cá entre nós, o certo seria torcer para ninguém se machucar porque as opções são quase nulas.

Gustavo não foi bem mesmo no primeiro jogo em que entrou de titular. Funcionava, apenas, como homem mais à frente a segurar os zagueiros santistas. Tirá-lo de campo, serviu como sinal verde ao Santos para poder atacar sem freio. Aliás, Dorival Júnior tinha acabado de trocar um dos volantes (Tiago Maia) por  um que joga mais avançado (Vecchio). A senha santista era: avançar e assim se deu.

Era um momento exato para pôr Danilo, se não estivesse machucado, ou Guilherme, que também está no departamento médico. Cristóvão não tinha para onde correr. Logo depois, Giovanni Augusto sentiu dores musculares. O técnico pensou em fechar a casinha já que a partida estava empatada. “Ponho um volante de contenção e avanço o Camacho”, deve ter pensado. Escolha você, leitor. Qualquer um dos outros dois faria diferente do Willians? Vamos aos gols santistas: Qual a culpa do treinador se o zagueiro comete uma falta infantil contra um adversário de costas para o gol e dentro da área? E quem estava marcando o Renato no segundo gol? Fagner.

O que falta ao Corinthians, além de jogador, é recurso técnico e tático. Aí sim, deve-se culpar o técnico. Se o elenco é esse e horroroso, ele tem que procurar mexer nas funções dos próprios jogadores. Traz o Uendel por dentro e bota o Arana, na esquerda. ou o Fagner na direita e lança o Príncipe. Crie condições de surpreender o adversário. Essa pobreza tática é culpa de Cristóvão. A pobreza técnica deve ser debitada ao presidente. Do jeito que deixaram o elenco, mexer no time titular é quase impossível.

Cristóvão estranha torcida, que estranha Cristóvão

() SPO
Foto: © Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

O técnico Cristóvão Borges disse, na coletiva de hoje, que estranha as manifestações contrárias por parte da torcida em relação ao trabalho dele. Dá para entender os dois lados. O treinador olha para a posição da tabela no Campeonato Brasileiro e acha que a relação custo/benefício é maior ou na pior das hipóteses, igual à que deveria ser. O Corinthians é quarto colocado e esteve no G4 por 16 vezes em 22 rodadas.

O que Cristóvão não entende é que as ambições de um torcedor nunca são para classificar para a Libertadores. Isso é um bônus para quem é campeão da temporada ou prêmio de consolação para quem ficou entre o 2º e 0 4º lugares. E querer vencer não é uma exclusividade do corintiano. Aposto que em qualquer canto do mundo, uma torcida sempre queira ver seu time jogando melhor que os demais e almejando o título, o que cá entre nós, não parece ser o caso do Corinthians neste momento do ano.

Olhando distante, o que chama a atenção é Cristóvão assumir que tem mudado o esquema e o modo de jogar da equipe para tentar acertar um. Ora bolas, qual será a convicção dele? Que tipo de futebol ele quer que o time jogue? Vai marcar alto ou vai esperar para sair com a bola? Será um Corinthians de toque de bola ou de bola longa? Você olha para a equipe e não consegue ver crescimento, nem entendimento do que ele deseja. Uma hora o  esquema é o 4-4-2, noutra, 4-2-3-1, agora o 4-1-4-1. Tudo isso em apenas dois meses de trabalho. Ponha-se no mesmo caldeirão a queda de rendimento de Marquinhos Gabriel, Giovanne Augusto, Guilherme, Cássio, Uendel e até Fagner.

A diretoria também tem muita culpa na fase instável ao transformar o clube num balcão de negócios do tipo “pagou-levou”. Arrogantemente, ela acha que o jogador não precisa ser convencido a ficar no Corinthians, a não aceitar a oferta de fora. “O clube é maior do que eles”, dizem os dirigentes e se esquecem que uma camisa não joga sozinha.

O planejamento cai por terra quando você dispensa jovens jogadores no meio-de-campo para ganharem experiência no Cruzeiro, na Ponte Preta e etc, e traz como reforço outro de 21 anos. Como entender? Que experiência a mais tem Jean em relação a Marciel, Maycon e outros jogadores do setor? Ah, é mais de marcação, ok, mas continua sendo jovem. Como explicar a venda, praticamente no  mesmo dia, dos dois únicos centroavantes do elenco? Na Copa do Brasil, por não poder usar Gustavo, o Corinthians vai ter de improvisar um “9” até o fim da competição. Por essas e outras que fica difícil pedir paciência para a torcida. Ela pode até prejudicar vaiando, mas tem muito mais problema dentro do clube do que na arquibancada.

 

Será esse o Corinthians de Cristóvão?

()  SPO
Foto: © Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

Ainda é muito cedo para qualquer conclusão, e pode até ser precipitado, mas o trabalho de Cristóvão Borges, que na quarta-feira vai completar um mês, já mostra uma tendência desse novo Corinthians. Em três partidas disputadas em Itaquera, a equipe passou a não ter uma posse de bola tão grande e tem usado muito o contragolpe para chegar até o gol do adversário em vez de, para usar uma expressão mais atual, tentar propor o jogo como acontecia na Era Tite.

Os números comprovam a tese. No clássico com o São Paulo, a posse de bola ficou  dividida 50% para cada um. Já diante do Flamengo, a vantagem foi carioca (47/53). Apenas contra o Santa Cruz, o Corinthians conseguiu impor o ritmo (56/44). O time de Cristóvão tem apostado, e muito, na organização defensiva do elenco, capaz de suportar pressões como as vividas diante do Atlético, na estreia em Minas, Flamengo, Chapecoense e ontem contra o São Paulo.

A tentativa, aparentemente, é atrair  o inimigo para o seu campo, recuperar a bola e fazer uma passagem rápida ao ataque seja com bolas longas para Romero e Marquinhos Gabriel, ou com tabelas com apoio do meio-campo e laterais. Por isso, nas partidas em sua casa, o Corinthians tem passado mais aperto do que acontecia antigamente e conseguido ter mais contragolpes do que os adversários. No clássico foram 16 a 5. Na goleada contra o time carioca, 4 a 1, sendo 3 em situações que resultaram em gols.

É uma estratégia e está claro que ter a posse de bola não assegura vitória. O problema é esperar que seu sistema defensivo não falhe, ou, o que ainda é mais arriscado: que o ataque do outro time não funcione. Seria mais seguro melhorar a quantidade de desarmes ou roubadas de bola. O São Paulo ontem mostrou-se muito melhor. Fez 73 desarmes, 30 a mais do que os donos da casa, e também roubou mais (20 a 21). Nos outros dois jogos em Itaquera, esse quesito foi também ruim. O Flamengo desarmou vinte vezes a mais e o Santa Cruz, dez.

O corintiano pode rebater dizendo que Bruno Henrique é o jogador que mais desarmes fez na competição. E é verdade. Mas para quem pensa em brigar pelo título, isso é muito pouco. Um jogador só não faz um Timão.

 

Clássico pode valer a liderança

() SPO
Foto: © Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

Ainda há muita água para passar por baixo da ponte, mas se o Corinthians esperava uma boa oportunidade para assumir a liderança, amanhã pode ser a chance. As circunstâncias levam a pensar nisso com mais força do que normalmente. Apesar de ser um clássico, o encontro de domingo em Itaquera tem vários aspectos favoráveis.

Como pontos positivos temos o fato de jogar em casa para 40 mil pessoas, num campo em que não perde há onze meses. Além disso, o time de Cristóvão Borges tem mostrado um forte sistema defensivo, que suporta pressão, e tranquilidade para atacar quando tem chance. Os números sobre o adversário também ajudam. Dos grandes do estado, só o São Paulo não sabe o que é vencer no estádio novo corintiano. Foram 4 jogos, 4 derrotas, entre elas uma goleada histórica de 6 a 1 no ano passado.

A fase são-paulina também ajuda. Vem de uma eliminação na Libertadores, perdeu seus melhores jogadores (Ganso e Calleri) vendidos. A ver como vão reagir os comandados de Edgardo Bauza.

E para ser líder, claro, vai precisar de uma reação imediata do Internacional. Atuando em Porto Alegre, vindo de 4 derrotas seguidas, a crise só não é maior porque trocou de técnico. Falcão assumiu o lugar de Argel e isso pode motivar a equipe diante do líder Palmeiras. Um tropeço verde no Sul e a manutenção do tabu corintiano em Itaquera serão suficientes para o Corinthians chegar ao primeiro lugar. Agora, só falta combinar com todo mundo.

O ovo de Cristóvão

CAMPEONATO BRASILEIRO 2016 FLUMINENSE X CORINTHIANS
Foto: Rodrigo Gazzanel

As primeiras três semanas de Cristóvão Borges no Corinthians tem surpreendido até o mais otimista. Quem esperava crise com a saída de Tite para a Seleção Brasileira, vê hoje um céu desanuviado. Uma derrota, na estreia, e quatro vitórias. Foram dez gols marcados e apenas um sofrido.
O grande mérito do novo treinador corintiano foi ter mantido o sistema defensivo corintiano que vinha apresentando sinais de melhora já com o ex-treinador. A mudança do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1 feita por Tite a partir da terceira rodada, aumentou a parede diante da defesa, deu mais segurança atrás. Com dois volantes à frente, o time ganhou o reforço de Bruno Henrique, que passou a ser um dos melhores jogadores do time, o que não ocorria antes quando atuava sozinho à frente da zaga.
Cristóvão mexeu do meio-campo para frente. Botou o ovo de pé ao preferir velocidade e movimentação com as entradas de Romero e Luciano. Uma tentativa de alternar com a triangulação e infiltração pelo meio com Rodriguinho e Giovanni Augusto, e apoio dos laterais. Até aqui vem dando certo.

O próximo desafio será acabar com a oscilação do time durante as partidas, manter a concentração e o foco durante os 90 minutos para evitar sustos como no primeiro tempo contra a Chapecoense e também diante do Flamengo. Domingo que vem, o clássico contra o São Paulo será mais um teste para ver se a equipe vive apenas a fase de sorte de um trabalho novo ou se tudo o que foi feito até aqui, veio para ficar.