Mano disse tudo: problema do técnico no Brasil é o treino

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Desde o inesquecível Bem, Amigos, em que Vanderlei Luxemburgo apareceu como advogado de defesa dos técnicos do Brasil e de si mesmo, claro, o assunto “qualidade dos nossos treinadores” virou trend topics nas conversas de amigos. O personagem em questão virou meme de tudo quanto foi jeito nas redes sociais. Talvez o jeito arrogante de suas declarações não o tenha ajudado muito, mas, hoje, Mano Menezes disse no “Seleção Sportv” exatamente o que eu penso e, em parte, serve de defesa para quem já venceu cinco vezes o Campeonato Brasileiro.

Luxemburgo disse a Galvão Bueno e amigos, naquela ocasião, que taticamente não havia essa distância entre Europa e Brasil. Isso chocou a opinião pública e mais ainda a parte da Imprensa que nunca engoliu o treinador. Porém, se pensarmos com distanciamento, vamos lembrar que Pep Guardiola já disse que veio beber no futebol brasileiro para montar seu modo de jogar futebol.

Também é verdade que vários dos conceitos ditos hoje, já estavam no campo de futebol. Apenas recebiam outros nomes. Na Argentina, por exemplo, não tivemos sempre o “toco e me voy”? Isso é o supra sumo do futebol apoiado. Bem como, por aqui, Gentil Cardoso, o eterno Neném Prancha, técnico de futebol até os anos 60,  dizia “quem se desloca recebe, quem pede, tem preferência”. Não estamos falando basicamente da mesma coisa?

Quando Cláudio Coutinho foi guindado ao cargo de técnico da Seleção em 1977, trouxe termos como polivalência, ponto futuro e overlapping. Lembro-me de ouvir os jornalistas da ocasião se referirem com desdém ao novo vocabulário. Pois sim, de alguma forma, “ponto futuro” era jogar no vazio para que alguém aparecesse ali; polivalente nada mais era do que o velho e conhecido coringa ou jogador que atua em várias posições, e overlapping se conhecia aqui como ultrapassagem pelas costas dos laterais adversários.

Hoje, acho que Mano Menezes foi certeiro. Ao ser perguntado sobre o curso que fez na Uefa, no ano passado, disse que queria aprender novas fórmulas de  “como fazer um treinamento para que possa produzir um efeito positivo dentro do que você imagina”. O técnico do Cruzeiro, de certa forma, concorda com Luxemburgo ao dizer que taticamente os técnicos do Brasil estão atualizados. O problema seria a forma de passar.

Bingo! José Mourinho já disse que, hoje, tão importante quanto o conhecimento técnico e tático, é a a forma de conduzir seu  grupo, que se deve haver uma profunda compreensão sobre as pessoas. Tite está surpreso com a disposição dos jogadores da Seleção Brasileira em ter informação. Ou seja, o técnico atual tem que ter métodos de treinos que conquistem os jogadores: na forma e no conteúdo. Basta uma busca na internet para vermos os treinos dos grandes nomes como Guardiola, Ancelotti, Mourinho, Simeone. Todos diferentes dos aplicados por boa tarde dos treinadores no Brasil. Esse é o avanço que falta. Este será o salto de qualidade.

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Poupar ou não poupar, eis a questão!

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Ontem, no Seleção Sportv, debatemos a decisão das equipes, que lutam por títulos ou fogem do rebaixamento, de escalarem os principais jogadores na Copa do Brasil ou Sul-americana. Claro que se trata de uma decisão em que cada time sabe de suas forças e necessidades. Entra ano, sai ano, a essa altura da temporada essa discussão volta à tona.

Minha opinião varia de clube para clube. Vou começar pelos que estão na parte de cima da tabela. Estes, geralmente, tem mais condições de levar duas competições simultâneas. Em tese, tem elencos mais homogêneos, que rendem melhor e que estariam numa situação mais confortável por estarem disputando um título, podendo mesclar titulares e reservas, de acordo com a fadiga do elenco. Nessa situação coloco Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro. Eu, técnico de qualquer um dos três, pediria ajuda aos universitários. Exames de CK para saber o nível de cansaço e definiria a equipe.

No caso de quem está na luta para fugir do rebaixamento, o tratamento seria outro. Na minha opinião, se você precisa do elenco inteiro para permanecer na elite, qualquer jogo extra será um desgaste desnecessário. Internacional e Cruzeiro precisam mais da permanência da Série A ou de mais um título de Copa do Brasil? A conquista desta poderá compensar um retumbante fracasso com a queda?

Eu usaria a semana para trabalhar os jogadores, o esquema desejado, a estratégia para a próxima rodada do Brasileiro e levaria um grupo reserva para ver o que acontece na primeira partida do mata-mata. Mesmo caso para o Juventude, cujo o acesso para a série B será mais valioso que uma vaga na Libertadores.