Obrigado, Capita!

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Desculpe, Carlos Alberto, mas eu não te vi beijar a Taça Jules Rimet. Naquele momento, eu já estava na rua correndo atrás de balão e fazendo festa numa época em que São Paulo permitia esse tipo de coisa. Na mente daquele menino de apenas 6 anos, os dias eram ensolarados, pintados de verde-amarelo por uma geração fantástica de jogadores! Nem passava por aquela cabeça o tom cinzento dos anos de chumbo que submetiam o povo brasileiro.

Me lembro, sim, do seu golaço. Da explosão familiar na sala de casa. Cada jogo era uma repetição de um ritual. Todos reunidos em frente à TV em preto e branco. Minha irmã colocando a imagem de Nossa Senhora Aparecida em cima do aparelho. Quem coubesse, sentava no sofá, eu, o menor dos cinco filhos, me encaixava entre as pernas do meu pai e da minha mãe.

Desculpe também, Capita, a minha mãe. Ela não sabia quem estava com a bola e insistia no “Vai, Coiso”. Foi assim a Copa toda. Desconfio até que tenha sido por superstição. Deu certo no primeiro jogo, por que não seguir? A gente, no fim, até dava risada. Mas era um “Coiso” carinhoso, que multiplicado por 11 em campo nos trouxe a taça. E você foi o último “Coiso”. O do chute perfeito! Simbólico! Você talvez jamais terá a dimensão do que aquele chute certeiro representou para nós, o povo brasileiro, Carlos Alberto.

Sou de uma geração afortunada. Que te viu lateral, o melhor da história do futebol, e zagueiro. E que zagueiro! Com 72 anos, você ainda conseguia se surpreender com o que a vida tinha lhe dado, veja só! Talvez nem imaginasse que, ao partir, mereceria toda essa repercussão mundial. Virou triste notícia em questão de minutos.

Capita, a nossa tristeza hoje é porque perdemos a sua convivência. Mas que bom que temos imagens suas, jogando bola! Batendo um bolão! Marcando aquele gol! Naquela Copa de 70! A Copa do tri! A Copa do Capita!

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