Chapecoense abusa da sorte e paga caro

luiz

A Conmebol puniu a Chapecoense pela escalação irregular de jogador na vitória contra o Lanús, da Argentina. Perdeu os três pontos e a equipe catarinense ficou sem chance de se classificar no grupo da Libertadores. Ela vai recorrer, mas até agora, o confronto com o Zulia, da Venezuela, essa noite, só valerá para definir a terceira vaga da chave e garantir presença na próxima fase da Copa Sul-americana.

Não consigo botar toda a culpa na entidade nesse caso. Ela é uma bagunça, sim e não é de hoje. Bastava uma ligação para o clube. O velho e bom telefone. Para documentar, e-mails para a sede catarinense, diretamente, resolveriam o problema. Se quisesse sofisticar, WhattsApp também ajudaria.

Voltemos ao caso: o zagueiro Luiz Otávio foi expulso contra o Nacional na rodada anterior e acabou suspenso por três jogos. Portanto, não poderia atuar mais na fase de grupos. Acontece que a Confederação Sul-americana teria enviado e-mails a diferentes pessoas. Ao advogado do clube, sobre a punição da automática, cumprida na partida da Recopa. E para a CBF, a respeito do aumento da suspensão, pulando de um para três jogos sem poder ser escalado.

A notícia teria sido enviada para a Federação Catarinense que terminaria o telefone sem fio avisando a Chape, que mantém a informação de que não avisada, mas em termos. Digamos que realmente isso tenha acontecido, ela não pode alegar total desconhecimento de causa pois foi avisada antes de o jogo começar pelo delegado da Conmebol. Isso é amador, sim, como de resto toda a Libertadores da América. Bastava um pouco de prudência e trocar Luiz Otávio. Decidiu arriscar, o zagueiro fez o gol da vitória na Argentina, e hoje todo esse esforço terminou derrotado no tribunal.

Por favor, defina “representação política”

penalti

Já há algum tempo, eu tenho escutado que o Brasil está acéfalo na Confederação Sul-americana de Futebol. Quase sempre a frase surge após uma eliminação de um clube brasileiro ou da nossa seleção em algum torneio do continente. Escutei de ex-jogadores como Ronaldo Fenômeno, e ultimamente na voz de jornalistas. Gostaria de entender o que os meus amigos da Imprensa estão sugerindo.

Realmente, a Seleção Brasileira foi eliminada da Copa América Centenária ao perder com um gol de mão do peruano. Também não se pode negar que a arbitragem andou mal na Libertadores. Mas o que estamos querendo? O que se entende por “representação política”? Se for para evitar erros da arbitragem, então, estamos admitindo que existe trabalho de bastidor. Estamos levando em conta o que Julio Grondona, na época presidente da Associação Argentina de Futebol, disse por telefone a um dirigente: que havia escalado Carlos Amarilla para apitar a partida do Boca Júniors contra o Corinthians em 2013.

Porque se estão sugerindo isso, seria bom que investigassem, que fossem atrás, fizessem o seu papel. Se os dirigentes dos clubes brasileiros concordam com a tese, deveriam tomar uma posição contrária ao comando da Conmebol. Normalmente, nossos presidentes tratam apenas de vociferar após os maus resultados.

É verdade que Marco Polo del Nero não representa o Brasil há um ano, que a CBF quase sempre manda outra pessoa para uma reunião na Fifa ou na sede da entidade sul-americana. Porém isso não pode esconder os fracassos dentro de campo. Não podemos esquecer que o Brasil só fez gol no Haiti durante a fase de grupos nos Estados Unidos. Que o chefe da comissão de arbitragem daquela competição era o brasileiro Wilson Seneme. Não se pode esquecer que o Atlético  Nacional é o melhor time da Libertadores e foi melhor nos dois jogos. E que erros da arbitragem aconteceram em todas as fases e com todos os times. Ou não houve um pênalti de Hudson ao segurar a camisa de Leonardo Silva, contra o Atlético Mineiro, na fase anterior? Como bem disse o jornalista inglês Tim Vickery,  “o futebol brasileiro ainda está fugindo da realidade, se escondendo atrás de chamado ‘momentos polêmicos.'”