Porque o Corinthians não merece a Libertadores

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É claro que o torcedor fica zangado e não vai torcer jamais contra o próprio time, mas acho que ele entenderá o meu raciocínio. A Conmebol deu uma tremenda ajuda aos clubes brasileiros ao aumentar o número de participantes na Libertadores. Os mexicanos deram outra força ao avisar que não querem mais jogar a competição. E tem ainda a chance de o Atlético Mineiro ganhar a Copa do Brasil e abrir uma vaga a mais.

Vejam o tamanho das chances das equipes que estão fora do G4. Para jogar o principal campeonato do continente, basta uma campanha de 50% dos pontos. O Corinthians não tem isso. Não consegue ter. Aliás o que o atual campeão brasileiro tem hoje?

Um elenco pobre tecnicamente, desmanchado ao longo da temporada e de difícil de ser remontado em pouco tempo. SDarronco, esse jogo dá sono. e pensar em projeto 2017, quem você manteria entre os titulares? Walter, Fagner e Uendel, no máximo. Não há zagueiros, nem meio-campo, muito menos ataque. Giovanni Augusto, Marquinhos Gabriel, Marlone, Camacho, Guilherme, até mesmo Vagner, que vai ser anunciado. Todos são jogadores vagalumes, que acendem em um dia e apagam em outros.

No banco, um técnico que tem demonstrado pouca atualização. Teve tempo para treinar e… nada aconteceu. A cada rodada se vê uma equipe sem imaginação, sem organização tática, sem objetivo. Oswaldo de Oliveira assiste ao jogo sem se mexer, sem tentar uma reação, passivamente. Será ele o técnico para levar o grupo além da fase preliminar na Libertadores? Esse treinador, esse grupo, essa filosofia?

O Corinthians com o elenco atual só não luta para ficar na primeira divisão porque teve um começo com Tite no comando e, com Elias, Felipe e Bruno Henrique, pôde ficar no G4 no primeiro turno. A campanha do returno é de equipe rebaixada e é essa a realidade corintiana. Por tudo isso, e pelo que virá, o torcedor deveria entender que o Corinthians não merece ir para a Libertadores e isso pode fazer bem lá na frente. Vai doer? Mas passa.

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O “blá blá blá”do sono injustificável

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Legal o discurso do Giovanni Augusto, hoje, no Corinthians. Mais ou menos isso: “chegou a hora em que não podemos mais relaxar”. Ok, estamos na rodada 33 e os jogadores só acham que agora é a hora? Parem tudo!!! Aliás, ele no sábado já havia dito no intervalo que achava que a equipe estava desligada. Como pode um grupo profissional entrar dessa forma num momento que vale vaga para a pré-Libertadores?

O fato é que esse elenco corintiano é o pior desde o rebaixamento. Um grupo sem alma, que aceita passivamente qualquer adversário ir até Itaquera e se impor como fez a Chapecoense. O trabalho de Roberto de Andrade esse ano é de quem deixa terra arrasada. Voltem no tempo e vejam que, desde 2008, sempre houve ao menos uma base para o começo da próxima temporada. Em 2009, Ronaldo se juntou ao grupo que subiu e ganhou dois títulos. Ficou a base para o ano seguinte e assim foi até 2014, quando Mano teve que fazer uma renovação ao longo da temporada. Foi embora, mas deixou a equipe entre os 4 primeiros do Brasileiro. O que ficará para 2017 será, na melhor das hipóteses, um time G6.

O Corinthians terá que ser reconstruído no ano que vem. Precisa de dois zagueiros  confiáveis, um jogador que faça proteção e que saiba jogar na frente da defesa. Além de dois meias e um ótimo centroavante. Apostar em Giovanni Augusto, Marquinhos Gabriel, Romero, Yago, Camacho entre outros, é olhar para trás e se contentar com esse futebol chinfrim do segundo semestre. Muito parecido com o discurso dos jogadores a cada coletiva.

Tu vens, tu vens, eu já escuto teus sinais

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O torcedor palmeirense se arrepia de medo quando alguém passa por ele e diz: “pode botar a cerveja para gelar, porque essa já está ganha”. Como num reflexo a resposta é o tradicional “com o Palmeiras tudo pode acontecer.” Hehehe, só rindo mesmo desse desespero. Não é humildade, é medo do imponderável, do que parece pouco provável. Mas cá entre nós, todo mundo sabe que a contagem regressiva já pode começar. A chegada da taça de campeão brasileiro de 2016 é questão de rodadas, de dias que vão por fim à 22 anos de espera.

Claro, a matemática ainda dá chance a Flamengo, Atlético Mineiro e até o Santos. Sim, teremos confrontos diretos. Agora pare e pense, sem torcer: o Palmeiras tem 6 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, com 13 gols a mais de vantagem no saldo. Ou seja, para perder a posição, teria que tropeçar três vezes em seis rodadas. Tudo pode? Sim, mas em que momento do Brasileirão esse time oscilou tanto assim e repentinamente? Em 32 jogos, foram apenas 5 derrotas, porque agora, perderia mais três?

O Palmeiras será o campeão para fazer justiça a quem praticou o melhor futebol. O mais consistente, mais bem trabalhado e que foi brilhante quando precisou e pôde. Agora, administra e conquista os resultados. Ah, mas a arbitragem ajudou… esqueça. Todos foram mais e menos “ajudados”.

Cuca pediu para ser cobrado pelo título antes mesmo de o Brasileiro começar, agora merece aplausos por pagar a dívida. Mais de duas décadas depois, o cheiro do título do Brasileirão já tomou conta da antiga rua Turiassu.

Quando eles vão falar a mesma língua?

O título desse post não é um apelo, longe disso. É quase uma pergunta ingênua de quem sabe que um dirigente e um juiz de futebol jamais vão conversar para acertar a relação. Cada um sempre verá o seu lado. A arbitragem vai seguir seu livro de regras e o que chama de bom senso (para nós, a tal da regra 18). Um cartola olhará eternamente para o próprio umbigo. Se as decisões forem a favor do meu time, tudo certo.

Na sexta-feira, o Palmeiras comprou a dor do Fluminense e atacou a atuação do árbitro Sandro Meira Ricci no Fla-Flu. “Na mão grande ninguém vai levar esse título”, esbravejou o presidente palmeirense, Paulo Nobre. Ele criticava a interferência externa – que houve – na impugnação do gol de empate no clássico carioca e que deixou o Flamengo encostado no líder palmeirense antes da rodada do domingo.

Como no futebol não há nada melhor do que um jogo após o outro, a partida do Palmeiras em Florianópolis, trouxe os efeitos da verborragia pouco nobre do dirigente palmeirense. Sem jogar um bom futebol e com dificuldades para furar a forte defesa do Figueirense, o clube paulista foi beneficiado por duas decisões do juiz. Errou ao dar o pênalti em Gabriel Jesus numa disputa de bola pelo alto, entre dois corpos no ar e nada mais, e depois, ao não marcar a infração de Egídio em Rafael Silva dentro da área. A partida estava 1 a 0 e seria a chance de o Figueirense empatar.

O que aconteceu depois foi o silêncio hipócrita de sempre. De todo dirigente, de TODOS os clubes. Nem uma “A” sobre o que aconteceu. Nem um “ah, mais blá blá blá”. O que vale é que a pressão funcionou. O Atlético Mineiro também foi prejudicado no Rio de Janeiro e o técnico Marcelo Oliveira já pediu para os dirigentes do clube reclamarem.

Os juízes, e não é de hoje, vão muito mal no nosso futebol. Erram demais e a CBF quase nada faz.  Pois que os dirigentes cobrem isso da CBF. Mas aí tem que enfrentar a entidade. “Melhor, não”, sempre pensam. O fato é que o brasileiro não aprende nem a ganhar, nem a perder. Sempre precisa encontrar um culpado para o próprio insucesso. Justificar os erros nas costas de outros é um modo mais fácil.

Tite não era primeira opção em 2010

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O tempo sempre serve para apagar algumas lembranças. Ainda mais quando se preenche esse espaço com conquistas. Muitas. O vitorioso Tite, aquele que virou lenda dentro do Corinthians, que hoje aparece como “o cara” que vai levar a Seleção de volta ao topo, poderia ter tido outra vida caso Carlos Alberto Parreira tivesse concordado em voltar a ser técnico de futebol em 2010.

O campeão do Tetra foi o primeiro nome sondado por Andrés Sanchez logo após a demissão de Adílson Batista no Corinthians, lembram-se? Mas Parreira optou por seguir carreira como coordenador, cansado do dia-a-dia dos treinos em clubes e seleções. Tite estava no futebol árabe e depois de sair do Corinthians em 2005, andou por Atlético Mineiro, com participação na campanha ruim que derrubou para a Segunda Divisão, depois, Palmeiras, e só teve um bom trabalho no Internacional, entre 2008 e 2009. Mas era um nome que ainda trazia desconfiança no pacote.

A mesma que hoje se tem com a chegada de Oswaldo de Oliveira. Com passagens razoáveis, mas interrompidas recentemente, ele ganhou um brinde. Dirigia um time que luta para não cair e seu trabalho agora será em um clube que busca vaga na Libertadores. Uma escolha questionável, sem dúvida. Porém, por mais que a decisão não tenha sido democrática, pois valeu apenas a opinião do presidente do clube, a verdade é que só o tempo poderá dizer se o novo técnico vai ou não melhorar o futebol da equipe.

Um presidente em seu labirinto

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A contratação atrapalhada de Oswaldo de Oliveira, o pedido de demissão de Eduardo Ferreira, o isolamento de um presidente. Esses fatos me levaram a ver como Roberto de Andrade se perdeu no comando do Corinthians em tão pouco tempo.

Eleito em fevereiro do ano passado e com um ano e mais um pouco de mandato, ele se encastelou de tal modo que parece ser inatingível. Nunca teve um vice-presidente de futebol, o diretor do departamento, Sérgio Janikian, durou apenas meses no cargo. Não foi reposto. O supervisor era Andrés Sanchez. Quando ele saiu, a função desapareceu. Por último, brigou com o vice-presente geral, Jorge Kalil,

O futebol sofreu o desmanche dos jogadores. Depois, perdeu toda a comissão técnica para a Seleção Brasileira. O departamento corintiano neste momento é dirigido por Roberto e um ajudante: o ex-jogador Alessandro, que de coordenador passou a gerente de futebol. É deles a missão de achar um técnico.

O presidente, de forma monocrática,  decidiu por Oswaldo de Oliveira, mas ainda não teve coragem de anunciá-lo. Contrariado, Eduardo Ferreira, pediu para sair hoje e já levou uma estocada do ex-chefe: “Todo clube existe política, esse ciúme de homem que é pior que de mulher.” Roberto tem a caneta, o dinheiro. Tem o poder. Só não tem companhia. Talvez apenas um espelho para lhe servir caso queria um diálogo.

Um gol impedido mal anulado

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O Fla-Flu do segundo turno, em Volta Redonda, pode ficar marcado como o jogo da virada no Campeonato Brasileiro. Menos pelo futebol e muito mais pela lambança que Sandro Meira Ricci aprontou assoprando aquele apito. Torcedores do Fluminense e do Palmeiras estão reclamando com razão, na minha opinião.

Se é verdade que Henrique, e quem mais ali estava ao lado do zagueiro, todos se encontravam em impedimento. Muito bem marcado pelo bandeira. Porém, Ricci, sabe-se lá a razão preferiu ignorar a sinalização e validou o gol do zagueiro do Fluminense. Se valendo da regra que diz que, enquanto o jogo não recomeçar, as decisões podem ser mudadas, os jogadores do Flamengo foram lá pressionar o árbitro.

O banco de suplentes, nesse momento, já tinha recebido a informação do que a TV mostrava: estavam todos impedidos. Depois de muita pressão, Ricci voltou atrás e decidiu revogar o que já havia decidido.

Em que pese a decisão tenha evitado um erro a favor do Fluminense, me pareceu claro que houve uso da tecnologia, interferência externa, para a decisão e isso AINDA não é permitido pela Fifa. E se não é permitido, é tão ilegal quanto um gol impedido e não poderia ser usado. O Flamengo foi beneficiado de um recurso que não está liberado. O juiz, se confiasse no auxiliar que marcou o impedimento, teria se dado melhor.