O melhor é o Corinthians. Simples assim. Até aqui. 


Líder com 26 pontos ganhos, quatro à frente do vice, o Grêmio, dez em relação ao Palmeiras, terceiro. Um time que não perde há três meses, com time titular, reserva, misto. Vencedor de quatro jogos fora de casa e só não ganhou o quinto por conta de um gol mal anulado. O que mais esse time do Corinthians precisa fazer para provar que é o melhor time do Brasileirão nestas dez rodadas?

Incrível a capacidade de achar pelo em ovo de muitos da Imprensa. Já escrevi isso aqui no ano passado. O Palmeiras voava e mantinha a liderança, mas o time que dava gosto de ver era o Flamengo. Foi assim na maior parte da competição até a hora que o título veio para o clube paulista. E a “crônica” ficou com cara de espanto!!!! No ano anterior já havia sido da mesma forma. O Corinthians liderava mas o time do momento era o Atlético Mineiro. O resultado até quem não sabe já pode imaginar. 

Esse ano, a equipe elogiada era a do Grêmio. Invicta “com o time titular”, sem levar gol em Porto Alegre e apontada como favorita para o encontro desse domingo. O Corinthians fez uma partida espetacular no sistema defensivo, compacto, com duas linhas de quatro, anulou o principal jogador gremista e soube ser objetivo com a bola. Deu duas estocadas e na segunda Jadson meteu o gol da vitória. O gol de mais uma. A oitava na competição. A quarta rodada seguida sem levar gol. Não desprezem a capacidade tática desse grupo. Pode até não ser campeão, mas está cada partida mais longe de ser a quarta força do Estado. 

Anúncios

Cuca chegou pedindo calma ao Palmeiras

27489877452_443781bd70_o
 (Foto: Cesar Greco / Fotoarena)

A apresentação de Cuca, agora há pouco, deixou claro qual será a maior preocupação do novo treinador do Palmeiras nesse primeiro momento. Ele quer fazer a torcida e o clube (entenda-se conselheiros) entenderem que a pressão por títulos no modo que está não fará bem ao elenco. Na conversa de pouco mais de meia hora com a Imprensa, o treinador enfatizou sempre que a necessidade de ganhar campeonatos aumentou ainda mais, após a campanha vitoriosa do ano passado.

“Um time como o Palmeiras, por si só, já tem a cobrança por títulos, não precisa puxar mais essa pressão.” Porém, Cuca sabe que reassumiu o clube refém do próprio sucesso e do investimento que foi feito. “Se ganhar de 1 a 0 é questionado, não convenceu. Vou ser muito mais questionado do que no ano passado. E mesmo que tivesse continuado, teria um problema grande pelo investimento que foi feito.”

Mesmo afastado por quatro meses, ele disse que estava seguindo o futebol brasileiro. Lamentou não ter tido a chance de acompanhar os treinos em clubes europeus como havia planejado, mas que já era hora de retornar ao trabalho. Sobre o grupo de jogadores, minimizou as mudanças. Analisou que são apenas três em relação ao campeão brasileiro do ano passado: Borja no lugar de Gabriel Jesus, Felipe Melo na vaga de Moisés e Guerra por Cleiton Xavier. Também por conhecer o grupo, acha que terá o trabalho um pouco mais facilitado.

A estreia será contra o Vasco, no Allianz Park e ele não pretende mexer muito no que considerou ser um “bom trabalho do Eduardo” Baptista. “O grupo precisa entender que em jogo de mata-mata, você não pode ter um mau dia como aquele”, se referiu à derrota por 3 a 0 para a Ponte Preta nas semifinais do Paulista.

Cuca antecipou que vai avaliar o elenco em duas semanas e que quer um grupo grande porque terá pela frente uma longa temporada. Listou 31 jogos em 103 dias, com partidas no meio e fim-de-semana ininterruptamente por quase quatro meses. “Serão lutas duras. A gente tem que se preparar bem. Não é fácil, mas a gente vai lutar”, sentenciou.

 

 

Só Roberto quer Oswaldo para 2017

()  SPO

Sabe quando o grandão da rua chega e diz: sou eu contra a rapa? Pois bem, é assim que Roberto de Andrade se comporta no futebol do Corinthians. Presidente, dono de todos os poderes no clube, é ele que segura o técnico Oswaldo de Oliveira no cargo. Ele contra todos (a rapa).

Hoje, o treinador participou do planejamento para o ano que vem como se nada tivesse acontecido no Campeonato Brasileiro. Sem conseguir a vaga na Libertadores, o clube passou o dia em reunião e Oswaldo deu seus pitacos sem restrições.

Dentro do departamento, porém, ninguém banca o técnico em 2017. A pressão é grande pela troca e Roberto precisa do apoio dos conselheiros corintianos para ter paz no comando do clube. Para isso, pode abrir mão do seu técnico preferido pela estabilidade política.

Sobre reforços, negócios em andamento, isso pode ter novidade até sexta-feira. Já dispensas, sabe-se que Oswaldo foi informado que Rildo será devolvido à Ponte Preta. Além disso, Romero sai se receber proposta  e Marquinhos Gabriel vai voltar em janeiro, mas sabendo que não está agradando.

Minha Seleção do Campeonato Brasileiro

30918969320_abfc79ded2_o

Fim do Campeonato Brasileiro, tempo de rescaldos, análises e da Seleção da competição. Claro, teremos divergências aqui ou ali. Vou tentar justificar meus votos, posição por posição, mas você tem todo o direito de discordar. Já adianto que a base é muito verde-e-branca. Você pode dizer que o a temporada foi muito disputada e foi mesmo. Quem olha a classificação final e nota que entre o Palmeiras campeão e o Santos, vice, foram nove pontos de diferença, pode até pensar o contrário. Mas um olhar apurado vai ver que quando faltavam oito rodadas para o fim, a diferença entre o líder e o Flamengo era de apenas um ponto. Até aquele momento, nenhum clube tinha aberto mais do que 3 de vantagem.

A reta final foi brilhantemente administrada pelo Palmeiras. A missão foi facilitada na 31ª rodada, quando ganhou do Figueirense e o Flamengo perdeu para o Internacional. A distância pulou para quatro pontos e nunca mais diminuiu. Só cresceu. O campeão pode não ter aberto folga contundente, mas foi absolutamente dominador. Em 38 rodadas, liderou 29 e desde o último jogo do primeiro turno, tomou a ponta e não deu chance a mais ninguém.

Talvez isso explique minhas escolha pelo nome de CUCA como o melhor técnico do campeonato. Reconheço o que fez Dorival no Santos, que mesmo com perdas no elenco soube repor e manter o nível da equipe. Porém, o trabalho de Cuca chamou a atenção pela qualidade. Soube trabalhar a cabeça do elenco, passar suas ideias. Fez a equipe jogar bonito quando podia, e ser decisiva quando chegou a hora de levar o Campeonato. Variou jeitos de jogar, apresentou repertório e o resultado está aí para qualquer um ver.

Vamos ao time:

GOLEIRO: Muralha, do Flamengo. Ele foi uma das razões de o time carioca ter sonhado com o título. Suas defesas e a segurança que passa para a defesa, o levaram para a Seleção. Vanderlei, do Santos, seria minha segunda opção e, confesso, fiquei muito em dúvida.

LATERAL DIREITO: Jean, do Palmeiras. Um jogador regular numa posição em que não aparecem muitos destaques no futebol brasileiro. Ele é polivalente, útil, aplicado e de boa técnica. Muito importante na campanha do título. Vitor Ferraz era outra opção, mas achei que caiu no segundo semestre.

ZAGUEIROS: Mina e Vitor Hugo. A dupla parece que joga junto desde os juniores do Palmeiras. O colombiano fez o antigo titular crescer. Eles formaram uma combinação segura por cima e por baixo, de boas coberturas. A opção Geromel chegou a ser pensada, mas acho que ele teve uma queda forte até a saída de Roger do Grêmio. Só voltou a atuar melhor nos jogos da Copa do Brasil. Como essa é a seleção do Brasileirão, optei pelos campeões.

LATERAL ESQUERDO: Zeca. Um destro que fez a diferença para o Santos. Importantíssimo nas saídas pelo lado. se firmou como um nome entre os titulares e que pode sonhar com convocações em 2017.

VOLANTES: Tchê Tchê e Moisés. Foram os motores do Palmeiras. Movimentação, marcação, armação. Dividiram todas essas funções. São opções para saída de bola, apoio aos companheiros e ainda chegam para o arremate. Um achado de Cuca.

MEIA: Diego. Mudou o patamar do Flamengo na disputa. Ajudou a equipe na criação das jogadas, movimentação e nas chegadas na área. Com ele, a defesa pôde respirar um pouco porque a bola não voltava tão rápido e o ataque desafogou e passou a ter mais chances de fazer gols.

ATACANTE: Robinho. Num elenco com bons jogadores, ele foi o mais regular. Soube ser homem de armação e de conclusão. Apesar da idade, ainda é um nome em alta para o mercado brasileiro. Marinho, do Vitória, era um nome também.

ATACANTE: Gabriel Jesus. O artilheiro do Palmeiras foi muito bem na média. Fôssemos dividir, poderíamos dizer que ele foi decisivo para a arrancada palmeirense no primeiro turno. No segundo, já vendido ao Manchester City, soube controlar a expectativa da vida nova que terá na Inglaterra a partir de janeiro, com a obrigação de ajudar o Palmeiras a ser campeão. Diminuíram os gols, aumentaram os passes. Continuou importante.

ATACANTE: Dudu. Foi o comandante do Palmeiras na reta final. Virou capitão, cresceu na liderança junto ao grupo e dentro de campo foi fundamental. Além de campeão.

Ser rebaixado não é indigno.

img_3633

Eu sempre fui contra o rebaixamento. No meu futebol ideal, aquele finado Clube dos 13 com mais três equipes, ou até mais,  para inteirar os 20 times, seria o número ideal de uma Liga. Grupo fechado. Com patrocínio definido, quotas e etc. Aí, começaram a cair os grandes. Grêmio, Palmeiras, Botafogo… e tudo mudou de vez. Não há mais margem para virada de mesa.

A década passada moralizou  o futebol brasileiro no que se refere a isso. Um grande cai, paga o pedágio e volta na bola. A queda do Internacional mostra que todos podem ser rebaixados. Aquela frase arrogante que diz “time grande não cai”, só cabe na boca do torcedor. Time grande mal dirigido cai sim. E não há nada indigno nisso. Indigno é subir no tribunal.

Aquele cheirinho que o palmeirense sentiu o Brasileirão todo!

gabriel jesus nova
(Foto: Cesar Greco / Fotoarena)

Faixa no peito. Troféu erguido. Justiça feita. Confesso que pensei ser bravata de treinador quando Cuca pediu para ser cobrado pelo título do Brasileirão logo depois de ser eliminado do Paulista. O Palmeiras dava adeus ao Estadual e amargava uma desclassificação precoce, ainda na primeira fase da Libertadores.

Cuca reuniu o grupo durante duas semanas. Pediu, convenceu o jogador e trouxe Tchê Tchê. Também contou com o retorno de Moisés, que se recuperou de uma contusão que o tirou dos campos por 4 meses. O Palmeiras foi ganhando corpo e já na primeira rodada mostrou a força ao vencer contra o Atlético Paranaense jogando bem.

A partir daí, o que se viu foi a mesma história sempre. Ao contrário do que diz o hino, o Palmeiras não mandou apenas na partida, mas em todo campeonato. Reparem que depois dele, só o Internacional, por três vezes, liderou mais a competição. Por mais que tenham sentido cheiro disso ou daquilo, a fragrância palmeirense só não foi sentida pelos futechatos.

Defesa consistente, equipe compacta, de movimentação e repertório. Uma espinha de dois zagueiros seguros (Mina é mais do que isso, é ótimo jogador), dois jogadores de meio como Tchê Tchê e Moisés, que não se escondem, criam, levam e formam o motor da equipe. Gabriel Jesus e Dudu são daqueles atacantes que incomodam, criam, definem e ajudam taticamente. Muito, muito bons.

Cuca ainda contou com coadjuvantes como o regularíssimo Jean e o interminável Zé Roberto. Jaílson, o goleiro-herói-improvável, e Roger Guedes, que desempenhou uma função tática muito importante.

E poderíamos falar de outros tantos nomes que ajudaram na campanha. Mas não quero tomar o tempo do torcedor que, se chegou até aqui no texto, veste verde-e-branco e que já deve estar rouco de gritar “é campeão!” Pois desfrute, curta esse momento como só quem ganhou nove vezes o Brasileirão sabe comemorar.

Só Rogério Ceni salva o São Paulo!

 

ceni (1).jpg

A demissão de Ricardo Gomes pelo São Paulo mostra, mais uma vez, como não se pode confiar nas palavras dos dirigentes de clube. O presidente Carlos Augusto Barros e Silva havia garantido a permanência na semana passada e, hoje, o despediu. A decisão em si não quero opinar. Cabe sempre ao clube. Também não me surpreende a falta de palavra de Leco, mas sempre acho melhor a verdade. Teria sido mais correto dizer que ainda estudava o futuro do treinador e ponto. Estaria aberta a possibilidade de troca.

A campanha de Ricardo nos 18 jogos foi o suficiente para livrar o clube do rebaixamento, mas convenhamos que seis vitórias, cinco empates e sete derrotas é um trabalho medíocre e abaixo do que o clube precisa. O São Paulo já começou a pensar no ano que vem e para o bem ou para o mal, apenas um nome deveria estar na mesa do Marco Aurélio Cunha e Leco: o interminável Rogério Ceni.

Não há outra possibilidade para esse momento que não seja o retorno do M1to, agora em outra condição. Qualquer nome diferente terá que conviver com o fantasma de RC e enfraquecerá o trabalho. O clube ficará refém de um eterno candidato ao cargo.

Rogério está pronto? Só ele pode responder. Este ano fez curso de técnico na Inglaterra, estágios em vários clubes da Europa e dá a impressão de estar bem preparado para assumir o desafio. Outra vantagem para Leco e diretoria é contratar um pára-raio que conta com o apoio da torcida. Alguém imagina o são-paulino vaiando uma alteração do maior ídolo do clube? Só depois de muita bobagem. A paci~encia será quase interminável. Isso dará tranquilidade aos dirigentes que vão viver um ano eleitoral e o ex-goleiro pode ser um enorme cabo eleitoral.