Minha Seleção do Campeonato Brasileiro

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Fim do Campeonato Brasileiro, tempo de rescaldos, análises e da Seleção da competição. Claro, teremos divergências aqui ou ali. Vou tentar justificar meus votos, posição por posição, mas você tem todo o direito de discordar. Já adianto que a base é muito verde-e-branca. Você pode dizer que o a temporada foi muito disputada e foi mesmo. Quem olha a classificação final e nota que entre o Palmeiras campeão e o Santos, vice, foram nove pontos de diferença, pode até pensar o contrário. Mas um olhar apurado vai ver que quando faltavam oito rodadas para o fim, a diferença entre o líder e o Flamengo era de apenas um ponto. Até aquele momento, nenhum clube tinha aberto mais do que 3 de vantagem.

A reta final foi brilhantemente administrada pelo Palmeiras. A missão foi facilitada na 31ª rodada, quando ganhou do Figueirense e o Flamengo perdeu para o Internacional. A distância pulou para quatro pontos e nunca mais diminuiu. Só cresceu. O campeão pode não ter aberto folga contundente, mas foi absolutamente dominador. Em 38 rodadas, liderou 29 e desde o último jogo do primeiro turno, tomou a ponta e não deu chance a mais ninguém.

Talvez isso explique minhas escolha pelo nome de CUCA como o melhor técnico do campeonato. Reconheço o que fez Dorival no Santos, que mesmo com perdas no elenco soube repor e manter o nível da equipe. Porém, o trabalho de Cuca chamou a atenção pela qualidade. Soube trabalhar a cabeça do elenco, passar suas ideias. Fez a equipe jogar bonito quando podia, e ser decisiva quando chegou a hora de levar o Campeonato. Variou jeitos de jogar, apresentou repertório e o resultado está aí para qualquer um ver.

Vamos ao time:

GOLEIRO: Muralha, do Flamengo. Ele foi uma das razões de o time carioca ter sonhado com o título. Suas defesas e a segurança que passa para a defesa, o levaram para a Seleção. Vanderlei, do Santos, seria minha segunda opção e, confesso, fiquei muito em dúvida.

LATERAL DIREITO: Jean, do Palmeiras. Um jogador regular numa posição em que não aparecem muitos destaques no futebol brasileiro. Ele é polivalente, útil, aplicado e de boa técnica. Muito importante na campanha do título. Vitor Ferraz era outra opção, mas achei que caiu no segundo semestre.

ZAGUEIROS: Mina e Vitor Hugo. A dupla parece que joga junto desde os juniores do Palmeiras. O colombiano fez o antigo titular crescer. Eles formaram uma combinação segura por cima e por baixo, de boas coberturas. A opção Geromel chegou a ser pensada, mas acho que ele teve uma queda forte até a saída de Roger do Grêmio. Só voltou a atuar melhor nos jogos da Copa do Brasil. Como essa é a seleção do Brasileirão, optei pelos campeões.

LATERAL ESQUERDO: Zeca. Um destro que fez a diferença para o Santos. Importantíssimo nas saídas pelo lado. se firmou como um nome entre os titulares e que pode sonhar com convocações em 2017.

VOLANTES: Tchê Tchê e Moisés. Foram os motores do Palmeiras. Movimentação, marcação, armação. Dividiram todas essas funções. São opções para saída de bola, apoio aos companheiros e ainda chegam para o arremate. Um achado de Cuca.

MEIA: Diego. Mudou o patamar do Flamengo na disputa. Ajudou a equipe na criação das jogadas, movimentação e nas chegadas na área. Com ele, a defesa pôde respirar um pouco porque a bola não voltava tão rápido e o ataque desafogou e passou a ter mais chances de fazer gols.

ATACANTE: Robinho. Num elenco com bons jogadores, ele foi o mais regular. Soube ser homem de armação e de conclusão. Apesar da idade, ainda é um nome em alta para o mercado brasileiro. Marinho, do Vitória, era um nome também.

ATACANTE: Gabriel Jesus. O artilheiro do Palmeiras foi muito bem na média. Fôssemos dividir, poderíamos dizer que ele foi decisivo para a arrancada palmeirense no primeiro turno. No segundo, já vendido ao Manchester City, soube controlar a expectativa da vida nova que terá na Inglaterra a partir de janeiro, com a obrigação de ajudar o Palmeiras a ser campeão. Diminuíram os gols, aumentaram os passes. Continuou importante.

ATACANTE: Dudu. Foi o comandante do Palmeiras na reta final. Virou capitão, cresceu na liderança junto ao grupo e dentro de campo foi fundamental. Além de campeão.

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Quando eles vão falar a mesma língua?

O título desse post não é um apelo, longe disso. É quase uma pergunta ingênua de quem sabe que um dirigente e um juiz de futebol jamais vão conversar para acertar a relação. Cada um sempre verá o seu lado. A arbitragem vai seguir seu livro de regras e o que chama de bom senso (para nós, a tal da regra 18). Um cartola olhará eternamente para o próprio umbigo. Se as decisões forem a favor do meu time, tudo certo.

Na sexta-feira, o Palmeiras comprou a dor do Fluminense e atacou a atuação do árbitro Sandro Meira Ricci no Fla-Flu. “Na mão grande ninguém vai levar esse título”, esbravejou o presidente palmeirense, Paulo Nobre. Ele criticava a interferência externa – que houve – na impugnação do gol de empate no clássico carioca e que deixou o Flamengo encostado no líder palmeirense antes da rodada do domingo.

Como no futebol não há nada melhor do que um jogo após o outro, a partida do Palmeiras em Florianópolis, trouxe os efeitos da verborragia pouco nobre do dirigente palmeirense. Sem jogar um bom futebol e com dificuldades para furar a forte defesa do Figueirense, o clube paulista foi beneficiado por duas decisões do juiz. Errou ao dar o pênalti em Gabriel Jesus numa disputa de bola pelo alto, entre dois corpos no ar e nada mais, e depois, ao não marcar a infração de Egídio em Rafael Silva dentro da área. A partida estava 1 a 0 e seria a chance de o Figueirense empatar.

O que aconteceu depois foi o silêncio hipócrita de sempre. De todo dirigente, de TODOS os clubes. Nem uma “A” sobre o que aconteceu. Nem um “ah, mais blá blá blá”. O que vale é que a pressão funcionou. O Atlético Mineiro também foi prejudicado no Rio de Janeiro e o técnico Marcelo Oliveira já pediu para os dirigentes do clube reclamarem.

Os juízes, e não é de hoje, vão muito mal no nosso futebol. Erram demais e a CBF quase nada faz.  Pois que os dirigentes cobrem isso da CBF. Mas aí tem que enfrentar a entidade. “Melhor, não”, sempre pensam. O fato é que o brasileiro não aprende nem a ganhar, nem a perder. Sempre precisa encontrar um culpado para o próprio insucesso. Justificar os erros nas costas de outros é um modo mais fácil.

O perigo chamado Atlético Mineiro

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No último sábado, estive em Campinas para comentar Ponte Preta e Atlético Mineiro. A vitória do visitante aconteceu com um time diferente daquele que estará essa noite em campo, em Itaquera, mas não será menos perigoso ao Corinthians apesar das ausências. Pode parecer insano, mas mesmo sem ter cinco jogadores cedidos às seleções sul-americanas, o Galo é favorito a ganhar pela primeira vez na zona leste de São Paulo.

Para ganhar da Ponte, o Atlético usou uma estratégia muito inteligente. Esperou o time campineiro em seu campo de defesa. Tirou os espaços para as trocas de passes em sua intermediária e obrigou o dono da casa a levantar a bola na área, onde tem Leonardo Silva e Gabriel. Foram 25 cruzamentos pelo alto. O gol de Roger saiu assim, na única falha da dupla e de tanto tentar. mas aí, o jogo já estava 2 a 0 para o Atlético.

O time mineiro teve inteligência para sair organizado quando teve a bola em Campinas. Não era só contragolpe. Era jogar de forma organizada, aproximada e, principalmente, nos espaços deixados pelo adversário. Foi assim nos dois gols. No primeiro, Fábio Santos bateu um lateral e entrou na diagonal, enquanto Pratto tocou para Cazares achar o lateral livre na entrada da área. O cruzamento pegou Junior Urso entrando na área, livre. No segundo, Leandro Donizetti teve espaço da marcação da Ponte e lançou Clayton nas costas da defesa.

O Atlético ainda teve duas bolas de velocidade que poderiam ter resultado em mais gols, mas as conclusões foram ruins. No mais, administrou a vantagem e controlou o adversário. Acabou tendo mais posse de bola e venceu o jogo mesmo sem finalizar tanto quanto a Ponte. Tudo leva a crer que hoje será igual. Vai esperar as brechas do Corinthians. E cá entre nós, pelo que temos visto, isso parece ser um problema insolúvel do sistema defensivo corintiano.

Poupar ou não poupar, eis a questão!

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Ontem, no Seleção Sportv, debatemos a decisão das equipes, que lutam por títulos ou fogem do rebaixamento, de escalarem os principais jogadores na Copa do Brasil ou Sul-americana. Claro que se trata de uma decisão em que cada time sabe de suas forças e necessidades. Entra ano, sai ano, a essa altura da temporada essa discussão volta à tona.

Minha opinião varia de clube para clube. Vou começar pelos que estão na parte de cima da tabela. Estes, geralmente, tem mais condições de levar duas competições simultâneas. Em tese, tem elencos mais homogêneos, que rendem melhor e que estariam numa situação mais confortável por estarem disputando um título, podendo mesclar titulares e reservas, de acordo com a fadiga do elenco. Nessa situação coloco Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro. Eu, técnico de qualquer um dos três, pediria ajuda aos universitários. Exames de CK para saber o nível de cansaço e definiria a equipe.

No caso de quem está na luta para fugir do rebaixamento, o tratamento seria outro. Na minha opinião, se você precisa do elenco inteiro para permanecer na elite, qualquer jogo extra será um desgaste desnecessário. Internacional e Cruzeiro precisam mais da permanência da Série A ou de mais um título de Copa do Brasil? A conquista desta poderá compensar um retumbante fracasso com a queda?

Eu usaria a semana para trabalhar os jogadores, o esquema desejado, a estratégia para a próxima rodada do Brasileiro e levaria um grupo reserva para ver o que acontece na primeira partida do mata-mata. Mesmo caso para o Juventude, cujo o acesso para a série B será mais valioso que uma vaga na Libertadores.

Brasileirão embolou para valer

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Teremos um jogão na quarta-feira, em São Paulo. Palmeiras e Flamengo vão disputar a liderança de igual para igual. Com um ponto a mais e jogo em sua casa, a vantagem é palmeirense, porém o clube carioca vem de 4 vitórias seguidas e embalado.

Já se sabia que a missão verde seria difícil mesmo diante de um Grêmio pressionado. O empate sem gols acabou comemorado. Mas quem sorriu mesmo foi o vice-líder, que assistiu ao jogo secando e com uma boa vitória de virada em Salvador na bagagem. São 47 pontos contra 46. Quem vencer, fica em primeiro e isolado.

O Atlético Mineiro também pode encostar se vencer, segunda-feira à noite, o Fluminense. A próxima rodada promete. Definitivamente, teremos uma reta final de campeonato imperdível!

 

O Brasileirão tem cheiro de quê?

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Os jogos da quarta-feira parecem ter deixado claro quais são os candidatos ao título do Campeonato Brasileiro. Os três primeiros colocados venceram seus jogos diante de suas torcidas e confirmaram que se alguma outra equipe quiser entrar na disputa, vai ter que lutar muito. Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro fazem, a essa altura da competição, uma campanha muito mais consistente do que todos os outros e merecem estar onde estão.

As redes sociais foram invadidas no fim da noite de ontem com a alegria contagiante rubro-negra. A frase “Estou sentindo cheiro de hepta” virou quase um mantra entre eles, empolgados com a vitória no fim de um jogo muito disputado contra a Ponte Preta. Quando parecia que a liderança ia ficar distante, veio a luz na bicicleta de Diego e no aproveitamento do rebote de Fernandinho. Foi a 13ª vitória do Flamengo, sendo as três últimas consecutivas. Difícil conter o entusiasmo da maior torcida do Brasil ao ver que tem um time capaz de rivalizar contra qualquer um. Nas últimas dez rodadas, uma única derrota.

A alegria carioca só não é maior porque o líder ainda é o Palmeiras. E tem sido assim há cinco jogos. Aliás, das 23 rodadas disputadas, apenas em nove, o primeiro lugar foi ocupado por outro time. O torcedor bem que poderia dizer que sente o “cheiro de ênea”, em referência ao que seria o nono título brasileiro, porém ainda exibe um sorriso contido de quem anda desconfiado de tamanha alegria nos últimos meses. Afinal, o último Brasileirão foi conquistado há 22 anos. A virada sobre o São Paulo foi daquelas em que se mostra repertório. Não conseguia furar a forte marcação em trocas de passes e velocidade. Aí, o jeito foi explorar o jogo aéreo e resolver a parada. Manteve a distância segura de três pontos para o Flamengo e sabe que dos candidatos ao título, foi quem menos pontuou nos últimos dez jogos: 5 vitórias, três empates e duas derrotas.

Se um atleticano disser que o Brasileirão está com cheiro de bi, também não estará exagerando. O mineiro faz uma ótima campanha de recuperação. Esteve na zona de rebaixamento nas rodadas 7 e 8 e já, há cinco, chegou ao G4. Ganhou com dificuldades do Vitória, mas sofreu mais com a falta de pontaria do ataque do que com os desfalques. Sem falar em Fred, que fez os dois gols e mandou outras duas bolas na trave. A campanha no recorte de dez jogos é igual à do Flamengo, ou seja, dá para sonhar com o título que não vem desde 1971.

Para esquentar essa disputa, a tabela ainda marca o encontro entre essas três equipes. Na semana que vem, o Flamengo tentará devolver, em São Paulo, a derrota para o Palmeiras no primeiro turno. Mesma situação vive o líder em relação ao Atlético Mineiro, que tem a seu favor o fato de receber as duas equipes em seu domínio. Portanto, respire fundo e sinta o cheiro que bem lhe aprouver.

Palmeiras, teu nome é consistência

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Um futebol consistente não assegura a nenhum time a vitória, mas sempre lhe dará a oportunidade de se recuperar rapidamente. O Palmeiras que deixou de ganhar da Ponte Preta, em casa, domingo passado,  foi o mesmo que hoje venceu o Fluminense. Corrigiu os erros defensivos da semana anterior e manteve volume e concentração no lado ofensivo. Fez dois gols, poderia ter feito mais e aumentou a diferença para o vice-líder, que agora é o Flamengo, para 3 pontos.

Cuca vai assim cumprindo a promessa que fez ao ser eliminado no Campeonato Paulista. “Podem nos cobrar o título brasileiro”, dizia. Vinte e duas rodadas já se passaram e o palmeirense sorri de orelha a orelha com o que seu time tem mostrado. Se não é mais a equipe avassaladora das primeiras dez rodadas, tem sabido controlar bem a distância para a concorrência, transformando resultados aparentemente ruins, em muito bons por conta da sequência. Exemplo: neste returno ganhou dois jogos fora de sua arena contra Atlético Paranaense e Fluminense. Missão nunca fácil. Isso minimizou o empate com a Ponte.

O elenco comprou a ideia do treinador, se entrega a cada partida, tem foco, tática e qualidade. Ainda vai oscilar, com certeza, mas em relação aos outros, parece ser quem mais equilíbrio tem. O Corinthians já tentou se manter no primeiro lugar e caiu de produção. O Inter despencou da liderança efêmera para o Z4. O Grêmio não consegue se aproximar de vez. O Santos vai na mesma toada. O Atlético Mineiro era o adversário da hora e perdeu terreno. A bola está com o Flamengo. O torcedor rubro-negro costuma ficar animado nessas horas e repetir como um mantra: “Deixaram o Mengão chegar. Agora, segura.” Porém, chegar é uma coisa. Passar é outra, já dizia meu xará da família Bueno.