Quando eles vão falar a mesma língua?

O título desse post não é um apelo, longe disso. É quase uma pergunta ingênua de quem sabe que um dirigente e um juiz de futebol jamais vão conversar para acertar a relação. Cada um sempre verá o seu lado. A arbitragem vai seguir seu livro de regras e o que chama de bom senso (para nós, a tal da regra 18). Um cartola olhará eternamente para o próprio umbigo. Se as decisões forem a favor do meu time, tudo certo.

Na sexta-feira, o Palmeiras comprou a dor do Fluminense e atacou a atuação do árbitro Sandro Meira Ricci no Fla-Flu. “Na mão grande ninguém vai levar esse título”, esbravejou o presidente palmeirense, Paulo Nobre. Ele criticava a interferência externa – que houve – na impugnação do gol de empate no clássico carioca e que deixou o Flamengo encostado no líder palmeirense antes da rodada do domingo.

Como no futebol não há nada melhor do que um jogo após o outro, a partida do Palmeiras em Florianópolis, trouxe os efeitos da verborragia pouco nobre do dirigente palmeirense. Sem jogar um bom futebol e com dificuldades para furar a forte defesa do Figueirense, o clube paulista foi beneficiado por duas decisões do juiz. Errou ao dar o pênalti em Gabriel Jesus numa disputa de bola pelo alto, entre dois corpos no ar e nada mais, e depois, ao não marcar a infração de Egídio em Rafael Silva dentro da área. A partida estava 1 a 0 e seria a chance de o Figueirense empatar.

O que aconteceu depois foi o silêncio hipócrita de sempre. De todo dirigente, de TODOS os clubes. Nem uma “A” sobre o que aconteceu. Nem um “ah, mais blá blá blá”. O que vale é que a pressão funcionou. O Atlético Mineiro também foi prejudicado no Rio de Janeiro e o técnico Marcelo Oliveira já pediu para os dirigentes do clube reclamarem.

Os juízes, e não é de hoje, vão muito mal no nosso futebol. Erram demais e a CBF quase nada faz.  Pois que os dirigentes cobrem isso da CBF. Mas aí tem que enfrentar a entidade. “Melhor, não”, sempre pensam. O fato é que o brasileiro não aprende nem a ganhar, nem a perder. Sempre precisa encontrar um culpado para o próprio insucesso. Justificar os erros nas costas de outros é um modo mais fácil.

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