Brasileiro está entre Guardiola e Simeone


Campeão francês pelo Mônaco, o brasileiro Fabinho terminou a temporada em alta – e muito alta- no futebol europeu. Além da faixa no peito, o jogador vai poder estudar, ao menos, duas propostas de mudanças de clube. 

A primeira seria para Manchester e passaria a integrar a armada azul do City que já tem Fernando, Fernandinho e Gabriel Jesus. Fabinho agradaria a Pep Guardiola pela versatilidade podendo jogar na lateral direita ou no meio-campo.

Outra opção é trocar a França pelo futebol espanhol, mais precisamente Madri. O Atlético de Simeone também o deseja, conforme revela hoje o jornal “Marca”. O clube aguarda uma decisão do TAS, na Suíça, para saber se poderá contratar alguém na janela de verão e investir em reforços. Fabinho seria a opção número um para o meio-campo na vaga de Tiago. Ele tem contrato até 2021, mas isso não parece ser um grande impeditivo. 

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Corinthians mostra evolução e avança na Sul-americana 

Um time que sabe o que faz com a bola e quando não a tem. Assim é o Corinthians nesse momento. Venceu o Universidad de Chile por 2 a 1 e poderia ter feito mais tamanha a superioridade em Santiago. Um elenco tão criticado para jogos eliminatórios mostrou maturidade para controlar a partida, a vantagem obtida em Itaquera e agora espera pelo adversário na segunda fase da Sul-americana.

O adversário era tido como o mais espinhoso para os brasileiros. O Universidad teria ainda a vantagem de decidir em casa. Realmente, a torcida chilena foi um show à parte, não parou um minuto de empurrar a equipe, mas com a bola rolando, faltou futebol à La U. O Corinthians soube neutralizar a jogada forte pelo lado esquerdo chileno. Romero marcou os avanços de Beausejour o tempo todo. Do lado direito, faltava profundidade e a opção era levantar na área. Mesmo assim, Cássio foi obrigado a fazer duas ótimas defesas. 

O Corinthians se posicionava para fechar a entrada da área, tirava a velocidade do ataque chileno e com a bola, trocava passes precisos, com triangulações pelas bordas e pelo meio. As chances foram aparecendo. Jadson mandou na trave. E depois, Rodriguinho, que estava sumido do jogo, matou com categoria e disparou em velocidade. Soube evitar o confronto com os adversários e, na área, fez 1 a 0.

A vantagem ampliada deu ainda mais tranquilidade ao time brasileiro no segundo tempo e campo para sair em velocidade, atacando os espaços deixados. Em nova boa jogada de Jô, Rodriguinho e a conclusão de Jadson, veio o 2 a 0 e a garantia da vaga. O Corinthians ainda teria chance de aumentar se tivesse mais precisão nas trocas à frente do gol de Jhonny Herrera. A La U, na pressão, descontou, se irritou e saiu da competição.

O Corinthians avança mostrando uma evolução na transição ofensiva que chama a atenção. A bola tem chegado com muita qualidade até a intermediária adversária e em condições de criar bons ataques. As triangulações, o tal do futebol apoiado, está aparecendo. Não se trata de uma transformação em time pra brigar pelo título brasileiro. Mas de um time que caminha, de tabela em tabela, de triangulação em triangulação, para uma posição muito melhor do que a torcida esperava.

Chapecoense abusa da sorte e paga caro

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A Conmebol puniu a Chapecoense pela escalação irregular de jogador na vitória contra o Lanús, da Argentina. Perdeu os três pontos e a equipe catarinense ficou sem chance de se classificar no grupo da Libertadores. Ela vai recorrer, mas até agora, o confronto com o Zulia, da Venezuela, essa noite, só valerá para definir a terceira vaga da chave e garantir presença na próxima fase da Copa Sul-americana.

Não consigo botar toda a culpa na entidade nesse caso. Ela é uma bagunça, sim e não é de hoje. Bastava uma ligação para o clube. O velho e bom telefone. Para documentar, e-mails para a sede catarinense, diretamente, resolveriam o problema. Se quisesse sofisticar, WhattsApp também ajudaria.

Voltemos ao caso: o zagueiro Luiz Otávio foi expulso contra o Nacional na rodada anterior e acabou suspenso por três jogos. Portanto, não poderia atuar mais na fase de grupos. Acontece que a Confederação Sul-americana teria enviado e-mails a diferentes pessoas. Ao advogado do clube, sobre a punição da automática, cumprida na partida da Recopa. E para a CBF, a respeito do aumento da suspensão, pulando de um para três jogos sem poder ser escalado.

A notícia teria sido enviada para a Federação Catarinense que terminaria o telefone sem fio avisando a Chape, que mantém a informação de que não avisada, mas em termos. Digamos que realmente isso tenha acontecido, ela não pode alegar total desconhecimento de causa pois foi avisada antes de o jogo começar pelo delegado da Conmebol. Isso é amador, sim, como de resto toda a Libertadores da América. Bastava um pouco de prudência e trocar Luiz Otávio. Decidiu arriscar, o zagueiro fez o gol da vitória na Argentina, e hoje todo esse esforço terminou derrotado no tribunal.

O melhor lateral do mundo! De novo.

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Já são 34 anos de uma vida repleta de títulos, desde os tempos do Bahia, com passagem pelo Sevilha e Barcelona. Quando a carreira parecia se encaminhar para o fim, eis que Daniel Alves conseguiu reaparecer em grande nível!  A Juventus deu a ele a chance de voltar a brilhar e ser, sem nenhuma dúvida, o melhor do mundo por mais uma temporada.

O gol dessa tarde, aliás, o belo gol na vitória italiana que assegurou vaga na final da Champions (2 a 1 contra o Mônaco) só jogou mais luz diante de uma temporada que pode transformá-lo em ainda mais vencedor. Dani, como é chamado, mudou de clube e país cercado de desconfiança. Trocou o Barça, perdeu a companhia estelar, e chegou em Turim com sérias desconfianças sobre o futuro.

Ganhar a vaga de Lichtsteiner não foi a missão das mais difíceis dada a diferença técnica. Mas o brasileiro foi além. Como se tivesse sido desafiado a mostrar que ainda tinha bola para jogar, tornou-se peça muito importante na Juve, com as costumeiras assistências no ataque e uma consistência defensiva que pode ser dada como herança de sua passagem pelo tático futebol italiano.

Pode ser campeão na próxima rodada do Italiano, está na final da Copa da Itália e vai para Cardiff decidir a Champions. Se tudo der certo, chegará a 35 títulos. Certamente estará pela sétima vez na seleção da Fifa. E por fim, ganhou a Seleção Brasileira que passou a ter um lateral mais completo e dono da posição indiscutível. Seja em verde-e-amarelo ou em preto-e-branco.

Cuca chegou pedindo calma ao Palmeiras

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 (Foto: Cesar Greco / Fotoarena)

A apresentação de Cuca, agora há pouco, deixou claro qual será a maior preocupação do novo treinador do Palmeiras nesse primeiro momento. Ele quer fazer a torcida e o clube (entenda-se conselheiros) entenderem que a pressão por títulos no modo que está não fará bem ao elenco. Na conversa de pouco mais de meia hora com a Imprensa, o treinador enfatizou sempre que a necessidade de ganhar campeonatos aumentou ainda mais, após a campanha vitoriosa do ano passado.

“Um time como o Palmeiras, por si só, já tem a cobrança por títulos, não precisa puxar mais essa pressão.” Porém, Cuca sabe que reassumiu o clube refém do próprio sucesso e do investimento que foi feito. “Se ganhar de 1 a 0 é questionado, não convenceu. Vou ser muito mais questionado do que no ano passado. E mesmo que tivesse continuado, teria um problema grande pelo investimento que foi feito.”

Mesmo afastado por quatro meses, ele disse que estava seguindo o futebol brasileiro. Lamentou não ter tido a chance de acompanhar os treinos em clubes europeus como havia planejado, mas que já era hora de retornar ao trabalho. Sobre o grupo de jogadores, minimizou as mudanças. Analisou que são apenas três em relação ao campeão brasileiro do ano passado: Borja no lugar de Gabriel Jesus, Felipe Melo na vaga de Moisés e Guerra por Cleiton Xavier. Também por conhecer o grupo, acha que terá o trabalho um pouco mais facilitado.

A estreia será contra o Vasco, no Allianz Park e ele não pretende mexer muito no que considerou ser um “bom trabalho do Eduardo” Baptista. “O grupo precisa entender que em jogo de mata-mata, você não pode ter um mau dia como aquele”, se referiu à derrota por 3 a 0 para a Ponte Preta nas semifinais do Paulista.

Cuca antecipou que vai avaliar o elenco em duas semanas e que quer um grupo grande porque terá pela frente uma longa temporada. Listou 31 jogos em 103 dias, com partidas no meio e fim-de-semana ininterruptamente por quase quatro meses. “Serão lutas duras. A gente tem que se preparar bem. Não é fácil, mas a gente vai lutar”, sentenciou.

 

 

A copa do mundo de Carille

()  SPO“Vai ser  a nossa Copa do  Mundo!” Foi assim que Fabio Carille definiu o Campeonato Paulista em sua primeira coletiva como novo técnico do Corinthians. A expressão refletiu bem o espírito e a mensagem que o jovem treinador queria passar para a torcida e para todo o grupo. A má temporada de 2016 terminou sem títulos, sem vaga na Libertadores e deveria ficar para trás. Se o que havia pela frente era o Estadual, que assim fosse. E foi.

Carille sabia que precisava de resultados rápidos. Seria avaliado desde o começo e carregaria a sombra de ter sido auxiliar de nomes vitoriosos. Qualquer mau desempenho traria cobranças ainda mais fortes. Ontem, depois do título ganho, ele reconheceu os dias difíceis do começo da temporada.

Uma campanha que começou discreta. Vitória magra contra o São Bento, derrota em casa para o Santo André, e outros dois “1 x 0” diante de Novorizontino e Audax. Nove pontos em 12, alguma organização defensiva e pouco poder de criação.

Porém, algo conspirou a favor da campanha porque a ausência de dinheiro e o mau desempenho dos contratados do ano passado, exigiram uma atitude que foi ao encontro do anseio da arquibancada. Enquanto Marlone pedia pra não jogar por causa de uma virose, Guilherme convivia com seu calvário no departamento medico, e Marquinhos Gabriel e Giovanni Augusto não conseguiam justificar a presença na equipe, jovens como Maycon, Guilherme Arana, Léo Jabá, Léo Santos, Pedrinho entre outros pediam passagem. Deixaram de ser promessas e brigaram por uma vaga nos titulares.

Isso por si só ajudou a diminuir a desconfiança dos torcedores. Mas foi a vitória em cima do Palmeiras que parece ter dado a liga final na massa. Era a quinta rodada do Paulistão, o principal rival, o principal candidato, o time que mais investiu e atual campeão brasileiro. O gol foi emblemático. Relembrem. Time sofrendo atrás, com um a menos, de repente Maycon dispara, ganha de Guerra e tem que tocar duas vezes para a bola passar pela defesa palmeirense e chegar até Jô, ainda naquela altura contestado como reforço para o ataque.

A impressão que passa é que o grupo entendeu que, com disposição e organização, se pode chegar a algum lugar. A torcida se reservou o direito de passar a achar que dava para ir mais longe e, mais do que tudo como mostram as redes sociais, o risco de passar vergonha estava acabado. Depois, vitória no interior sobre o invicto Mirassol, surpresa da competição até então, e em cima do Santos com novo gol de Jô.

Com os resultados, Carille ganhou tempo para trabalhar. Fez de novo o Corinthians ser a melhor defesa do Estadual, não perdeu clássico algum, terminou invicto diante das equipes da Série A do Brasileirão (8J – 4V – 4E). Fez sete gols nos últimos quatro jogos. Sofreu dois. Mudou de esquema. Não de modelo de jogo. Ganhou a sua “Copa” e agora pode respirar aliviado. Ao contrário do que dizem, ele não precisa se distanciar da sombra de Tite. Como Guardiola não se distancia de Cruyff, que seguia Rinus Mitchell, como pintores sempre copiam quadros de seus mestres. Como bem dizem os estudiosos desse esporte fascinante, não existe folha em branco no futebol. A chave é desabrochar o talento e se desenvolver.

 

 

Fidelidade se alimenta com vitórias

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Saiu no Globoesporte.com que o Corinthians perdeu nada menos do que 50 mil sócios-torcedores nos últimos meses. Segundo o presidente do clube, Roberto de Andrade, se deve não só ao time, mas ao mau momento econômico que o país atravessa. Engraçado é isso acontecer exatamente quando os preços dos ingressos foram reduzidos. O fato é que a média de público em Itaquera está muito inferior à de outros anos.

Hoje, vai mudar. A Arena estará cheia, alguns setores se esgotaram ainda na terça-feira. Mas, parece que será um ponto fora da curva. Em cima da dedução do dirigente, aposto mais na relação “mau futebol: menos torcida”. Uma tese que vale para qualquer time do país, qualquer torcida brasileira. Alguns perguntaram onde está a fidelidade da Fiel, mas a resposta é simples: toda e qualquer fidelidade deve ser recíproca. Quando é só de um lado, não funciona. Você pode até perdoar, mas a volta precisa ser reconquistada. Não há outra forma.

Dias atrás, no livro “A pirâmide invertida”, encontrei uma citação ao jornalista inglês Tim Vickery que explica bem a relação torcida/clube no Brasil. Ele acha que o brasileiro privilegia a vitória acima de qualquer coisa. Isso por conta da desigualdade social que existe fora dos campos de futebol. Ali, quando a bola rola, todos são iguais na torcida, mas isso só valerá se vierem os três pontos e, por isso, temos uma grande flutuação da presença de público nas partidas. “Quando o time está bem, é meu time. Quando está mal, não me representa e me recuso a ser humilhado ao me identificar com ele”, disse o jornalista na 6ª edição do Blizzard.

Concordo com ele. Acho que o torcedor tem que se sentir representado em campo. Não se trata de modinha, mas de custo/benefício. Eu pago pra ver meu time jogar bem e se dar bem. Por que vou sair de casa se há muita chance de vê-lo perder? Títulos são consequências de vitórias, que quase sempre vêm quando o time joga bem. A torcida cresceu em 23 anos sem conquistas vendo a equipe lutar, se entregar. De lá para cá, são 40 anos e o maior período de jejum foi de 5 anos, entre os Paulistas de 1983 até 88 e entre o Brasileiro de 1990 e o Paulista de 1995. Mal acostumado pelas últimas quatro décadas? Talvez. Mas prefiro aceitar a conclusão do livro: “No Brasil, o fracasso é revestido de uma vergonha sem fim.”