A copa do mundo de Carille

()  SPO“Vai ser  a nossa Copa do  Mundo!” Foi assim que Fabio Carille definiu o Campeonato Paulista em sua primeira coletiva como novo técnico do Corinthians. A expressão refletiu bem o espírito e a mensagem que o jovem treinador queria passar para a torcida e para todo o grupo. A má temporada de 2016 terminou sem títulos, sem vaga na Libertadores e deveria ficar para trás. Se o que havia pela frente era o Estadual, que assim fosse. E foi.

Carille sabia que precisava de resultados rápidos. Seria avaliado desde o começo e carregaria a sombra de ter sido auxiliar de nomes vitoriosos. Qualquer mau desempenho traria cobranças ainda mais fortes. Ontem, depois do título ganho, ele reconheceu os dias difíceis do começo da temporada.

Uma campanha que começou discreta. Vitória magra contra o São Bento, derrota em casa para o Santo André, e outros dois “1 x 0” diante de Novorizontino e Audax. Nove pontos em 12, alguma organização defensiva e pouco poder de criação.

Porém, algo conspirou a favor da campanha porque a ausência de dinheiro e o mau desempenho dos contratados do ano passado, exigiram uma atitude que foi ao encontro do anseio da arquibancada. Enquanto Marlone pedia pra não jogar por causa de uma virose, Guilherme convivia com seu calvário no departamento medico, e Marquinhos Gabriel e Giovanni Augusto não conseguiam justificar a presença na equipe, jovens como Maycon, Guilherme Arana, Léo Jabá, Léo Santos, Pedrinho entre outros pediam passagem. Deixaram de ser promessas e brigaram por uma vaga nos titulares.

Isso por si só ajudou a diminuir a desconfiança dos torcedores. Mas foi a vitória em cima do Palmeiras que parece ter dado a liga final na massa. Era a quinta rodada do Paulistão, o principal rival, o principal candidato, o time que mais investiu e atual campeão brasileiro. O gol foi emblemático. Relembrem. Time sofrendo atrás, com um a menos, de repente Maycon dispara, ganha de Guerra e tem que tocar duas vezes para a bola passar pela defesa palmeirense e chegar até Jô, ainda naquela altura contestado como reforço para o ataque.

A impressão que passa é que o grupo entendeu que, com disposição e organização, se pode chegar a algum lugar. A torcida se reservou o direito de passar a achar que dava para ir mais longe e, mais do que tudo como mostram as redes sociais, o risco de passar vergonha estava acabado. Depois, vitória no interior sobre o invicto Mirassol, surpresa da competição até então, e em cima do Santos com novo gol de Jô.

Com os resultados, Carille ganhou tempo para trabalhar. Fez de novo o Corinthians ser a melhor defesa do Estadual, não perdeu clássico algum, terminou invicto diante das equipes da Série A do Brasileirão (8J – 4V – 4E). Fez sete gols nos últimos quatro jogos. Sofreu dois. Mudou de esquema. Não de modelo de jogo. Ganhou a sua “Copa” e agora pode respirar aliviado. Ao contrário do que dizem, ele não precisa se distanciar da sombra de Tite. Como Guardiola não se distancia de Cruyff, que seguia Rinus Mitchell, como pintores sempre copiam quadros de seus mestres. Como bem dizem os estudiosos desse esporte fascinante, não existe folha em branco no futebol. A chave é desabrochar o talento e se desenvolver.

 

 

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