Fidelidade se alimenta com vitórias

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Saiu no Globoesporte.com que o Corinthians perdeu nada menos do que 50 mil sócios-torcedores nos últimos meses. Segundo o presidente do clube, Roberto de Andrade, se deve não só ao time, mas ao mau momento econômico que o país atravessa. Engraçado é isso acontecer exatamente quando os preços dos ingressos foram reduzidos. O fato é que a média de público em Itaquera está muito inferior à de outros anos.

Hoje, vai mudar. A Arena estará cheia, alguns setores se esgotaram ainda na terça-feira. Mas, parece que será um ponto fora da curva. Em cima da dedução do dirigente, aposto mais na relação “mau futebol: menos torcida”. Uma tese que vale para qualquer time do país, qualquer torcida brasileira. Alguns perguntaram onde está a fidelidade da Fiel, mas a resposta é simples: toda e qualquer fidelidade deve ser recíproca. Quando é só de um lado, não funciona. Você pode até perdoar, mas a volta precisa ser reconquistada. Não há outra forma.

Dias atrás, no livro “A pirâmide invertida”, encontrei uma citação ao jornalista inglês Tim Vickery que explica bem a relação torcida/clube no Brasil. Ele acha que o brasileiro privilegia a vitória acima de qualquer coisa. Isso por conta da desigualdade social que existe fora dos campos de futebol. Ali, quando a bola rola, todos são iguais na torcida, mas isso só valerá se vierem os três pontos e, por isso, temos uma grande flutuação da presença de público nas partidas. “Quando o time está bem, é meu time. Quando está mal, não me representa e me recuso a ser humilhado ao me identificar com ele”, disse o jornalista na 6ª edição do Blizzard.

Concordo com ele. Acho que o torcedor tem que se sentir representado em campo. Não se trata de modinha, mas de custo/benefício. Eu pago pra ver meu time jogar bem e se dar bem. Por que vou sair de casa se há muita chance de vê-lo perder? Títulos são consequências de vitórias, que quase sempre vêm quando o time joga bem. A torcida cresceu em 23 anos sem conquistas vendo a equipe lutar, se entregar. De lá para cá, são 40 anos e o maior período de jejum foi de 5 anos, entre os Paulistas de 1983 até 88 e entre o Brasileiro de 1990 e o Paulista de 1995. Mal acostumado pelas últimas quatro décadas? Talvez. Mas prefiro aceitar a conclusão do livro: “No Brasil, o fracasso é revestido de uma vergonha sem fim.” 

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