Esse caso de amor está longe de acabar

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Foto: © Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

A discussão parece não ter fim. Alarmados com a grande queda de público em suas partidas em Itaquera, a diretoria do Corinthians e os jogadores fizeram um apelo para que o torcedor reapareça. Foi a dica para se discutir o preço dos ingressos, a presença da torcida “modinha” e há quem, na Imprensa, reclame até do fim das filas para compra de bilhetes.

Acho completamente esquizofrênica essa conversa. Sou velho o suficiente para ter frequentado todos os estádios da Capital antes e depois de o Brasil virar sede de Copa e ter “Arenas”. A primeira vez que fui a um campo, tinha 8 anos. Desde então, Parque Antárctica, Pacaembu e Morumbi viraram minha segunda casa. Cresci, virei jornalista, conheci Canindé, Rua Javari, a Vila mais emocionante do Mundo… Em todos  eles, absolutamente todos, a reclamação era a falta de conforto que se dava ao torcedor, a falta de higiene nos banheiros e as intermináveis filas na bilheteria em dias de clássicos.

Aí, trouxeram a Copa para cá e com ela, os novos locais de competição. Modelos internacionais, confortáveis a ponto de  você poder levar idosos e crianças. Agilizaram a compra de bilhetes pela internet. Há anos não se vê mais o torcedor ser tratado como gado pelos clubes paulistas. Os preços, claro, subiram. E aí, natural, o grau de exigência também. A relação passou a ser também pelo crivo de um consumidor. Qual o custo/benefício desse jogo, desse campeonato? Se o time vai bem, vou gastar, me desgastar, mas ficarei feliz. Agora, sair de casa, passar frio, gastar dinheiro e ver o time perder? Nenhuma chance.

O público em Itaquera vem caindo. Dos últimos seis jogos, apenas no clássico com o Palmeiras chegou na média pretendida pelo Corinthians, vendendo quase 40 mil ingressos. Nos outros 5, os públicos saíram de 24 mil até chegar em 17 mil na última quarta-feira. Entendem muitos jornalistas e torcedores que, os ausentes de agora são os “modinhas”, gente que descobriu o futebol recentemente na onda de “big business” dos clubes brasileiros. Quem pensa assim, deveria atentar mais para o que dizem os números do Corinthians ao longo dos anos e  notar que a presença sempre variou ao sabor da vontade popular.

Se contarmos de 1971 até o ano passado, a média de público corintiana é de 23.119 pagantes. E olha que nestes números estão a forte presença em Itaquera nos anos de 2014 e 2015. A balela de que o corintiano apoia na boa e na ruim cai por terra quando se pesquisa outras temporadas. Onde estavam os mesmos em 2004, quando o clube jogava no Pacaembu, e teve média de 13.547 pessoas por partida?  E no ano do título de Tevez e Cia, então, quando apenas 27.330 corintianos costumavam ir ao velho Paca? E olha que lá cabiam mais nove mil pessoas.

A tese de poder econômico talvez não resista a 2011, ano de título, quando o Pacaembu tinha, normalmente, 29.424 torcedores. E não explodiu nem quando ganhou a Libertadores. “Apenas” 24.299 se acostumaram a sair de casa para ver a equipe. Alguém aí pode me dizer a que se deve essa variação?

A torcida do Corinthians é enorme. Falam em mais de 30 milhões e que sofrem com a variação do próprio humor. Em 1996, escreveu a Folha de São Paulo, que “os três jogos em que foi mandante, o Corinthians atraiu só 4.962 torcedores”, em total de pagantes, com “uma média de 1.654 por jogo”, Saibam que esse número era inferior à pior média do ano anterior. Estamos falando do União, de Araras, que tinha em média a presença de 2.483. Ou seja, os “modinhas” talvez estivessem ficando bravos com o time já naquela ocasião.  Outra opção talvez fosse o alto preço de ingresso. Excesso de conforto, vamos combinar, não era.

Tudo isso para dizer que o corintiano foi e continua sendo fiel. Que Itaquera é amada pelos torcedores, caso contrário, não cuidariam com o orgulho que demonstram. Que uma ida e volta de metrô, numa quarta-feira, dê aos críticos a exata noção de quem frequenta o estádio em suas mais variadas classes. O que todos querem é um time que entregue o que a diretoria promete: bom futebol. Simples assim.

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