Pedrinho e Ceballos, realidades e preços distintos. Futuro parecido.

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Quanto vale o melhor jogador do Campeonato Europeu Sub21? Exatos 15 milhões de euros. Este é o preço de Dani Ceballos, meio-campo do Betis e que sofre o assédio do Real Madrid, Barcelona e Juventus. O preço da multa contratual é tão baixo que o clube italiano ofereceu cinco milhões a mais para tentar levar vantagem sobre os rivais espanhóis. O atual bicampeão europeu teria igualado a oferta, mas o clube de Messi, Suarez e Neymar parece ter a preferência da jovem promessa andaluz.

Ceballos já encarou duas temporadas e meia entre o time principal e o time B. Jogou com Petros na última temporada. Fez uma excelente campanha no recém-terminado Europeu de sua faixa etária em que a Espanha ficou com o vice-campeonato. A multa tão baixa se contrapõe ao futebol que chama a atenção desde cedo. Isca fácil para os enormes clubes europeus. O Betis tenta minimizar o prejuízo tentando mantê-lo no clube para ganhar mais experiência.

Isso tudo no mesmo dia que surge a notícia de um possível interesse do Barcelona por Pedrinho. O candidato a ídolo do Corinthians estaria na lista de investimentos catalão que gostaria de ter a prioridade na compra da promessa corintiana que tem um ano a menos que os 20 de Ceballos. Mas as coincidências param aí. Jogam em posições diferentes e Pedrinho nunca esteve na seleção brasileira das categorias de base.

A multa do brasileiro é de 50 milhões de euros, mesmo estando em sua primeira temporada no elenco principal, tendo jogado apenas dez vezes. É um jogador criativo, mais ofensivo, de aproximação. O valor de mercado do corintiano, hoje, seria bem mais baixo do que a multa. Ou próximo do valor a ser pago por Ceballos.

Os dois podem fazer parte do Barcelona do futuro. A questão é: o Corinthians vai esperar para valorizar, o que só vai acontecer se Pedrinho – como o Palmeiras fez com Gabriel Jesus – começar a atuar com mais frequência e fizer valer algo próximo da estipulado em contrato. Ou acertar um preço agora, pré-fixado, independentemente do que vier acontecer com o jogador. Façam suas apostas. Ceballos está muito barato. E qual seria o valor do corintiano?

O que será esse misterioso GCCor

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O Corinthians anunciou no fim da noite de ontem a criação do GCCor, um grupo de 19 empresários de companhias multinacionais ou líderes de segmentos no mercado que vão auxiliar o clube na captação de novos negócios. A divulgação da notícia gerou curiosidade entre os torcedores, alguns até puxando pela memória e vendo alguma semelhança com o GAP, dos anos 90. Não é bem assim.

A tentativa de 1996, durante a gestão de Alberto Dualib, tinha homens do mercado financeiro. O atual é mais amplo. São sobretudo corintianos com carreiras de sucesso em ramos que vão do automobilístico, telefonia, alimentação, agências e veículos de comunicação. Não se conheciam a ponto de usarem crachás de identificação.

 

Eu participei da criação dessa ação e vou dividir a experiência com vocês. O presidente Roberto de Andrade contratou uma agência de comunicação para administrar essa aproximação com o mercado. Foi ela que arregimentou todos os participantes do grupo. Eles vão ajudar o Corinthians gratuitamente, buscando soluções para os problemas e através de seus relacionamentos, tentar trazer novas possibilidades de negócios. Pode ser um patrocínio master, pode ser um simples ação de marketing no clube. O leque está aberto.

A primeira reunião aconteceu no fim de maio, em um restaurante paulistano. Foi uma apresentação dos participantes. Foi levantado um pedido para que mantivessem os nomes em sigilo e aí, com a divulgação de ontem, surgiram especulações. O que posso dizer é que não é formado por aquelas figurinhas carimbadas. São pessoas que provavelmente já trombaram com vocês nas alamedas da Arena Itaquera e que você não se deu conta de quem se tratava por prezarem o anonimato. Também não tem a presença de nenhuma pessoa ligada a área de futebol fora do clube. Agentes de jogadores? Nem pensar.

Eu havia sido contratado para ser o gestor, diretor de comunicação, gerente, fosse lá o nome do cargo que me dariam. Não fiquei. Saí logo depois da primeira reunião. Não porque não acreditasse no projeto, insisto, pode ser bom para o clube, mas porque embora o nome seja Grupo de Comunicação do Corinthians, ele tem muito mais a ver com a área de Marketing do que com a de Comunicação. Não vi sentido em continuar sem uma função que fosse além de um “porta-voz”, função agora designada à Deia Gorayeb (aí um primeiro nome vazado). Querem um segundo, o do secretário de esportes da Prefeitura, Jorge Damião, único político do grupo.

Haverá dificuldade. Para avançar, o GCCor terá que entrar nas ações do departamento de Marketing e isso, até alguns dias atrás, ainda estava mal conversado. Diga-se, o diretor da área no clube não pôde comparecer na primeira reunião por ter outro compromisso naquela noite. Pode se sentir traído, passado para trás e ele é uma perda porque conhece bem o mercado publicitário. Roberto terá que afinar essa tabelinha entre a agência contratada e o Marketing do clube.

Quanto aos resultados, até quando estive incluído no grupo de e-mails, vi um primeiro movimento no sentido de trazer um investimento ao Corinthians. Um amigo de um participante estaria interessado em fazer uma ação no clube. É assim que vai funcionar. Ao menos até fevereiro quando encerra o mandato da atual gestão. Se vai seguir, só o próximo presidente decidirá.

Só sobrou o Carille no jogo do “Resta um”

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Seis meses atrás, o Blogoleada perguntava quem iria durar entre os três novos treinadores dos grandes clubes da capital paulista. Falávamos de Eduardo Baptista no Palmeiras, Rogério Ceni no comando do São Paulo e Fábio Carille no Corinthians. Havia dúvida sobre o futuro dos três e nem se questionava a chance de Dorival Junior deixar o Santos. Pois bem, no jogo do “Resta um”, esse é o corintiano.

E que ningueem duvida, Carille ficou muito mais pelos resultados do que pelo trabalho. Tivesse perdido o Estadual e surgiriam críticas pesadas a ele. A eliminação na Copa do Brasil estaria pressionando se o time não estivesse em primeiro no Brasileirão, com sete pontos de vantagem e invicto há três meses. O mundo do futebol respira resultados. Seja aqui, na Inglaterra, até na China. Pense num treinador. Sim, ele está pressionado.

A vantagem corintiana talvez esteja no fato de elenco e treinador estarem vivendo o mesmo momento. Os jogadores recém promovidos queriam crescer, mostrar que podiam estar ali. Os atletas consagrados sonhavam em voltar aos dias de glória. E os que chegaram no ano passado e não estavam bem, viram a chance de se firmar. Também vieram bons reforços. Todos compraram o discurso do ex-interino e auxiliar e deu no que deu. Virou o melhor time do país.

Nenhum outro técnico entre os paulistas viveu o mesmo momento. Se Carille tem o mesmo tamanho do grupo corintiano, isso não se aplicava a Rogério e os jogadores do São Paulo. O treinador era o maior ídolo do clube. Nada se comparava a ele. Como controlar um vestiário com tamanho desequilíbrio? E mais, Ceni virou mito como jogador, mas nunca chegou perto de ser um bom treinador. Começou o ano voando no ataque e uma defesa repleta de buracos. Trancou o time, os gol diminuíram na frente e seguiram acontecendo atrás. Sem resultados, caiu.

Eduardo Baptista não teve nem esse tempo. Chegou cercado de desconfiança. Era ele o menor da história. Iria comandar o campeão brasileiro, o primo rico do futebol brasileiro, cheio de astros que o levariam a certeza das vitórias nunca confirmadas em campo. O time sofria para ganhar e a diretoria tratou de trocar.

Até onde vai Fábio Carille ninguém sabe. Seus métodos se encaixaram com os anseios dos jogadores. A diretoria confessa a surpresa com os resultados. A torcida comprou a ideia de ser a “quarta força que decolou”. Uma ironia a quem desconfiava não apenas da capacidade do grupo, mas da possibilidade de chegar a esses resultados.

Ceni criou um problema para o São Paulo

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A saída de Rogério Ceni do comando do São Paulo tomou conta das mídias sociais e tradicionais nesta segunda-feira. Como assim teria que ser por se tratar de um dos maiores ídolos da era recente do futebol brasileiro. Goste dele ou não, o ex-goleiro e agora ex-treinador são-paulino é nome certo na história desse esporte no país e no mundo. No mínimo, pela quantidade de gol que fez cobrando faltas e pênaltis. Sem falar nos recordes e mais recordes que quebrou ao longo de 25 anos.

Entre os torcedores do São Paulo nota-se um sentimento duplo. Alívio e tristeza, não necessariamente nessa ordem. Mas a saída de Rogério resolve um problema criado por ele mesmo ao seu grande amor: o São Paulo Futebol Clube. Ao ficar parado por um ano e estudar o primeiro nível do curso da Uefa, no ano passado, ele se pôs como solução para revolucionar o clube em que viveu os melhores momentos de sua vida.

Foram, no mínimo, duas vezes em que se ofereceu ao presidente Carlos Augusto de Barros e Silva. Mais que isso, não escondeu seu desejo de ninguém. Deixou que isso chegasse até a Imprensa e aos ouvidos dos são-paulinos. A partir daí, virou um problema e uma solução para a diretoria. Leco era candidato à reeleição e recolocar o maior ídolo de novo em cena, seria a catapulta perfeita para sua candidatura. Ao mesmo tempo, ele não era o nome mais indicado para assumir o cargo de técnico. Faltava-lhe experiência. A ideia era deixá-lo no time da base até que estivesse mais bem preparado.

A pressa de Ceni criou uma pressão. Seu nome seria gritado a partir de qualquer tropeço do elenco. Nenhum outro treinador teria paz para trabalhar, a não ser que viessem os resultados. Na primeira eliminação, surgiriam os gritos por Rogério na arquibancada. E seria assim com todos até que houvesse a troca e a chance lhe fosse dada.

O São Paulo ficou com um bode na sala e agora usou a frieza para tirá-lo. Leco foi reeleito e, como os dirigentes previam, o treinador provou-se ruim para o momento. A eleição já passou. É hora de tentar tirar o time da crise. Sobrou para o ídolo.

Se não quiser passar apuro, Corinthians deve mudar roteiro de 2011

CAMPEONATO BRASILEIRO 2017 GREMIO X CORINTHIANS

A primeira lembrança do torcedor corintiano nestas primeiras dez rodadas do Campeonato Brasileiro tem sido a repetição da campanha da arrancada para o título de 2011. Foram dez jogos, 30 pontos disputados e 26 conquistados. Até aqui, tudo certo. Time invicto, melhor defesa, mas se o elenco repetir a sequência de seis anos depois, terá muitos problemas pela frente e perderá a gordura que construiu até aqui.

Vale recordar. O Corinthians modelo Tite 2011 recebeu o Cruzeiro no Pacaembu na rodada 11 e perdeu por 1 a 0, gol de Walysson, de longe. Emendou uma segunda derrota para o Avaí, em Florianópolis e se desequilibrou até o fim do primeiro turno. Foram apenas três vitórias nas últimas nove partidas, quatro derrotas e dois empates.

A margem de distância atual é razoável se o Corinthians mantiver o rendimento. O jogo de domingo contra o Botafogo será em casa como foi contra o Cruzeiro naquela ocasião. Não só o time carioca ainda sonha em chegar ao título, como Palmeiras e, principalmente, o Flamengo estão de olho nesse resultado. Fazem campanhas de recuperação e contam com os tropeços corintianos para brigarem como o Vasco fez em 2011.

Fábio Carille estava na comissão técnica naquela ocasião e avisou ontem que “não vai deixar a euforia tomar conta do elenco”. Esse passou a ser o segundo desafio do treinador. É manter o foco como foi até agora, não deixar a soberba tomar conta a ponto de comprometer o que foi feito até aqui e tirar o que de melhor o Corinthians conquistou este ano: a confiança.

O melhor é o Corinthians. Simples assim. Até aqui. 


Líder com 26 pontos ganhos, quatro à frente do vice, o Grêmio, dez em relação ao Palmeiras, terceiro. Um time que não perde há três meses, com time titular, reserva, misto. Vencedor de quatro jogos fora de casa e só não ganhou o quinto por conta de um gol mal anulado. O que mais esse time do Corinthians precisa fazer para provar que é o melhor time do Brasileirão nestas dez rodadas?

Incrível a capacidade de achar pelo em ovo de muitos da Imprensa. Já escrevi isso aqui no ano passado. O Palmeiras voava e mantinha a liderança, mas o time que dava gosto de ver era o Flamengo. Foi assim na maior parte da competição até a hora que o título veio para o clube paulista. E a “crônica” ficou com cara de espanto!!!! No ano anterior já havia sido da mesma forma. O Corinthians liderava mas o time do momento era o Atlético Mineiro. O resultado até quem não sabe já pode imaginar. 

Esse ano, a equipe elogiada era a do Grêmio. Invicta “com o time titular”, sem levar gol em Porto Alegre e apontada como favorita para o encontro desse domingo. O Corinthians fez uma partida espetacular no sistema defensivo, compacto, com duas linhas de quatro, anulou o principal jogador gremista e soube ser objetivo com a bola. Deu duas estocadas e na segunda Jadson meteu o gol da vitória. O gol de mais uma. A oitava na competição. A quarta rodada seguida sem levar gol. Não desprezem a capacidade tática desse grupo. Pode até não ser campeão, mas está cada partida mais longe de ser a quarta força do Estado. 

A falta de rumo do São Paulo de Rogério Ceni

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Um time próximo da zona de rebaixamento, com falta de criatividade e que, mesmo quando está com a bola, tem apenas o cruzamento para a área como fundamento. Assim é o São Paulo do Campeonato Brasileiro que completou quatro rodadas sem vitória, ontem, ao perder para o Atlético Paranaense por 1 a 0. A pressão só não é insustentável porque no banco de reservas está o maior ídolo do clube. Fosse outro que tivesse uma campanha ruim como a de Rogério Ceni, que tivesse sido eliminado do Paulista, Sul-americana e Copa do Brasil, a paciência, provavelmente, já teria acabado.

Não quero aqui discutir a parte tática do clube, nem se Rogério está pronto para dirigir o elenco, mas, sim, o planejamento. O mês de junho se encaminha para o fim e Ceni continua tentando achar um caminho que o leve a melhores resultados no segundo semestre. Daquela equipe que fazia muitos gol, no começo da temporada, nada sobrou. Time titular? Ninguém sabe.

Hoje mesmo foram anunciados quatro reforços. Se o BID ajudar, podem estrear na próxima rodada. Recentemente, Maiconsuel se apresentou e no dia seguinte estava em campo. Aquela história de adaptar o reforço ao novo clube, trabalhá-lo físico e taticamente antes da estreia, não houve. Ainda em Curitiba, o adolescente Brenner, de apenas 17 anos, foi mais um exemplo da procura sem fim.

A idade seria o de menos não fosse o histórico dentro do elenco principal. Fez apenas dois treinos, foi convocado e, levado à campo, passou a ser o segundo jogador nascido no ano 2000 a estrear por um time na Série A. Supõe-se que estamos diante de um novo Fenômeno, um Ronadinho, Neymar? Não sabemos. Mais do que a qualidade técnica do jovem, ficou claro a necessidade de o treinador são-paulino encontrar alguém que resolva seus problemas. Até agora, seis meses depois do começo do trabalho, isso não aconteceu.